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sábado, 11/07/2026

Maior apreensão de canetas para emagrecer com 5.850 produtos na Ponte da Amizade

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MARCELO TOLEDO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRES)

A Receita Federal realizou a maior apreensão até hoje de canetas para emagrecer na aduana da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR).

Uma van com placas do Paraguai, dirigida por um motorista paraguaio e com quatro passageiros, sendo três brasileiros, foi parada no fim da tarde tentando atravessar a ponte na fronteira com 5.850 canetas e ampolas de remédios para perder peso.

Essas canetas estavam escondidas no capô do veículo, sendo transportadas de forma errada, próximas a fontes de calor. O princípio ativo tirzepatida, presente no Mounjaro, precisa ser mantido refrigerado para funcionar corretamente.

Agentes da Receita abordaram a van e todos os passageiros pareciam estar dentro do limite permitido de mercadorias de US$ 500 (R$ 2.555 nesta sexta).

Quando pediram para o motorista abrir o capô, ele fingiu que obedecia e fugiu para o Paraguai. Ao abrir o capô, os agentes encontraram as 5.850 canetas e ampolas escondidas. Além da tirzepatida, havia retatrutida, um remédio ainda em teste que não é oficialmente vendido em nenhum país, mas já circula em marcas no Paraguai.

A maior apreensão anterior na região ocorreu em 29 de abril de 2024, com 4.598 canetas apreendidas na BR-277, rodovia que liga a fronteira à Curitiba.

Este ano, já foram apreendidas 115.647 canetas e ampolas, um aumento de 1.446,3% em relação às 7.479 apreendidas em 2023.

No dia 3 de outubro, um casal e uma criança foram flagrados com 2.707 canetas e ampolas de tirzepatida e retatrutida. Também nesta sexta, uma moto do Paraguai possuía um compartimento falso com 52 caixas da marca TG, do “Mounjaro paraguaio”.

O valor estimado dos medicamentos na van apreendida é de cerca de R$ 735 mil, informou a Receita, destacando a irregularidade da importação, pois a entrada desses produtos no Brasil vindo do Paraguai é proibida pela Anvisa.

As canetas paraguaias se espalharam pelo país devido ao preço menor, facilidade para comprar e fiscalização fraca na fronteira.

Um tratamento mensal com Mounjaro de 15 mg custa a partir de R$ 3.499 no Brasil. No Paraguai, a mesma dose sai em média por R$ 430, sem exigir receita médica.

A Receita alertou que o transporte das canetas estava fora das condições recomendadas, o que pode prejudicar qualidade, eficácia e segurança do produto.

Os passageiros foram ouvidos e liberados, enquanto as canetas e a van foram retidas pela Receita em Foz do Iguaçu para destruição futura.

A farmacêutica Eli Lilly, que fabrica o Mounjaro, diz que seu medicamento exige controle rigoroso de temperatura e manuseio adequado. Produtos fora dos canais oficiais podem ser contaminados ou ineficazes, alertou a empresa.

Essas canetas são medicamentos que imitam um hormônio natural do corpo responsável por controlar o açúcar no sangue e ajudar na sensação de saciedade.

Especialistas médicos afirmam que usar remédios sem aprovação da Anvisa traz riscos à saúde. No Paraguai, os medicamentos aparecem em canetas e ampolas, sendo estas últimas preferidas por contrabandistas por ocuparem menos espaço.

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