O sindicato dos servidores do IBGE, Assibge-SN, está discutindo ampliar o estado de greve para outras regiões além do Rio de Janeiro, onde já há três grupos com essa atitude. A principal questão é que o Conselho Diretor do IBGE decidiu suspender por 60 dias o ingresso dos aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) no programa de trabalho híbrido, enquanto propõe uma padronização do regime de trabalho.
O sindicato acusa que essa decisão prejudica quem já estava cumprindo o período presencial obrigatório e denuncia um tratamento desigual e sem justificativa entre os servidores. Também afirma que tenta há oito meses uma reunião com o presidente do IBGE, Márcio Pochmann. Na última quinta-feira, uma comitiva tentou falar com a diretora-executiva, Flávia Vinhaes, que está substituindo o presidente, mas não foi atendida.
Por meio de ofícios enviados aos ministérios da Gestão e do Planejamento, o sindicato questiona os critérios técnicos usados pelo Conselho para essa decisão e argumenta que a mudança fere o princípio da igualdade e falta transparência. Destaca que muitas unidades do IBGE já enfrentam problemas de infraestrutura e condições inadequadas de trabalho.
A categoria reclama que a ata da reunião do Conselho Diretor onde a mudança foi decidida não foi divulgada. Relembra que os setores do IBGE vinham se preparando para passar do controle de frequência para o regime híbrido de entregas, definido em cada estado, e que a alteração aconteceu por uma resolução interna publicada sem diálogo com os servidores.
O IBGE, em nota, explicou que após dez anos sem fazer concursos públicos, recebeu o maior número de servidores efetivos da sua história, com 154 na sede e 420 nas superintendências estaduais, o que exige a criação rápida, em até 60 dias, de uma proposta para padronizar o regime de trabalho em todo o país.
O órgão afirma que vai realizar um diagnóstico institucional em cinco etapas para entender o perfil dos novos servidores, suas habilidades e necessidades, buscando integrar, desenvolver e valorizar esses profissionais para fortalecer a capacidade do IBGE em produzir informações confiáveis.
Além disso, a decisão do Conselho visa resolver a diversidade de regimes de trabalho existentes desde a pandemia, considerando a sede, as 27 superintendências e mais de 560 agências do IBGE pelo país.
O sindicato rebate que já existe um padrão normativo para o Programa de Gestão e Desempenho (PGD) desde 2022, detalhado e regulamentado internamente, e critica a gestão de Márcio Pochmann, afirmando que é ela que precisa ser salva.
Nos últimos meses, a administração atual tem sofrido críticas por supostas ilegalidades e ataques internos, que teriam gerado dúvidas sobre a credibilidade do instituto, segundo o Assibge.
Insatisfação
Em uma manifestação na sede do IBGE no Rio de Janeiro, cerca de 200 pessoas pediram a revogação da resolução que suspende a adesão dos servidores em estágio probatório ao PGD. Foi também organizado um abaixo-assinado com mais de 500 assinaturas. Os servidores reclamam de várias medidas, como a limitação das indenizações para trabalhos de campo, mudanças unilaterais nas regras de progressão na carreira e a ausência de eleições para o Comitê Gestor de Cargos e Carreiras.
