HELENA SCHUSTER
PELOTAS, RS (FOLHAPRESS)
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) classificou como muito séria a investigação da Polícia Federal sobre dossiês feitos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, contra o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, e a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Em declaração feita nesta sexta-feira (10), a Febraban reafirmou o seu apoio ao Banco Central para aplicar ações que mantenham a segurança do sistema financeiro do país, ressaltando que qualquer ação que ameace essa segurança deve ser investigada e, se confirmada, os responsáveis devem ser punidos.
A nota destaca que essas ações vão além de atingir pessoas específicas, elas são tentativas de assustar executivos, jornalistas, especialistas e líderes de instituições, o que prejudica a confiança, transparência e segurança no setor financeiro.
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro contratou o publicitário Thiago Miranda, alvo de uma operação policial na última quinta-feira (9), para criar um dossiê contra o CEO do Itaú, porque ele estava “criando muitos problemas”, de acordo com troca de mensagens entre eles.
A investigação aponta que entre os documentos trocados está um com informações pessoais e financeiras de Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy.
Conversas entre Vorcaro e Miranda em março e abril de 2025 indicam que eles também pretendiam atrapalhar o trabalho da jornalista Malu Gaspar, buscando seus dados pessoais.
A defesa do publicitário disse que ele nega veementemente qualquer ilegalidade e garante que sempre atuou com legalidade, transparência e respeito às instituições e à liberdade de expressão.
Os advogados de Thiago Miranda afirmam que ele não cometeu crimes nem participou de atos para intimidar ou prejudicar outras pessoas.
A Polícia Federal apreendeu celulares e equipamentos eletrônicos na casa de Miranda. A investigação busca esclarecer se houve ação coordenada em redes sociais para prejudicar a reputação do Banco Central do Brasil.
As investigações também analisam se existia uma organização criminosa dedicada a intimidar jornalistas, monitorar ilegalmente pessoas ligadas a autoridades, obter informações secretas e interferir em investigações criminais.
Segundo a Polícia Federal, os atos investigados podem constituir crimes contra o sistema financeiro, formação de organização criminosa, obstrução de investigação, além de possíveis crimes envolvendo dados e sistemas informáticos.
Para a Febraban, esses acontecimentos causam grande indignação, especialmente porque autoridades, entidades do setor e agentes financeiros têm agido firmemente para proteger a estabilidade do sistema financeiro, incluindo melhorias na governança e no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
