O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7/5) que a possível classificação das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, tema avaliado pelo governo dos Estados Unidos, não foi discutida na reunião com o presidente Donald Trump.
O encontro, realizado na Casa Branca, em Washington, durou cerca de três horas.
“Não foi discutido isso”, declarou Lula em entrevista na embaixada do Brasil nos EUA após a reunião seguida de almoço. O governo brasileiro rejeita a ideia, temendo interferências externas.
Diversos temas foram abordados, incluindo uma proposta de cooperação para combater o crime organizado internacional, apresentada pelo Brasil ao Departamento de Estado em dezembro. A proposta inclui medidas contra lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas.
A cooperação contra organizações criminosas foi prioridade para o governo brasileiro durante essa visita. A expectativa é avançar em um acordo de colaboração no combate ao crime organizado transnacional.
“Estamos levando muito a sério essa questão do combate ao crime organizado. Precisamos afirmar que o território é do povo, não do crime organizado”, afirmou o presidente brasileiro.
Lula saiu satisfeito da reunião. “Saio daqui com a ideia de que demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica entre Brasil e Estados Unidos”, destacou.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, informou que o presidente propôs a criação de grupos de trabalho entre os governos para tratar das questões brasileiras e ampliar a cooperação bilateral.
Lula também anunciou que, na próxima semana, o governo brasileiro lançará um plano sério para combater o crime organizado. “Quem não escapar até lá, não vai escapar mais”, afirmou.
Recentemente, Brasil e Estados Unidos firmaram parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras americana, para ações conjuntas contra o tráfico internacional de drogas e armas.
A visita de Lula busca ampliar a colaboração entre os países no combate ao crime organizado.
