A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, ligada ao Ministério das Mulheres, registrou em 2025 um total de 1.088.900 atendimentos, mostrando um crescimento de 45% em comparação ao ano anterior. Foram feitas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, um aumento de 17,4% em relação a 2024, com uma média diária de 425 denúncias.
Quase 70% das agressões aconteceram em casa: 40,76% na residência da vítima, 28,58% na casa compartilhada com o agressor e 5,39% na casa do suspeito. Outros locais incluem ruas (2,96%) e internet (2,96%). As denúncias vieram principalmente das próprias vítimas (66,3%), de maneira anônima (16,9%) ou por familiares e amigos (16,8%).
Sobre a frequência das agressões, 31,86% das denúncias são de violência diária, 20,91% enfrentam agressões há mais de um ano e 10,15% começaram recentemente, até 30 dias antes. Outras periodicidades são semanal (8,10%), mensal (1,82%), ocasional (17,39%) e única (10,50%).
Sobre as vítimas, mulheres negras (pretas e pardas) somam 43,16% das denúncias, sendo 33,46% pardas e 9,70% pretas. Mulheres brancas são 32,54%, amarelas 0,52% e indígenas 0,31%, com 23,45% sem declaração de raça ou cor. A faixa etária de 26 a 44 anos concentra 37,19% dos casos, com pico entre 40 e 44 anos (9,75%).
Os tipos de violência totalizam 679.058 casos nas 155.111 denúncias, um aumento de 18,5%. A violência psicológica é a mais comum (49,9%, mais de 339 mil), seguida pela física (15,3%, mais de 104 mil). Outras incluem patrimonial (5,4%), sexual (3,0%), com 1,2% de importunação sexual, e sequestro ou cárcere privado (0,4%). Aproximadamente 75,9% dos casos estão amparados pela Lei Maria da Penha.
Em 2025, foram registradas 7.064 denúncias de violência vicária (4,55%), quando o agressor usa filhos ou familiares para causar sofrimento psicológico à mulher. No primeiro trimestre de 2026, esse índice subiu para 7,77% (3.552 casos de 45.735 denúncias). Em abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.384/2026, que classifica o crime de vicaricídio como hediondo, com pena de até 40 anos de prisão.
As regiões com mais denúncias são Sudeste (47,4%), Nordeste (18,2%), Centro-Oeste (11,5%), Sul (10,2%) e Norte (6,0%). Entre os estados, São Paulo lidera com 34.476 registros, seguido pelo Rio de Janeiro (22.757) e Minas Gerais (13.421).
No primeiro trimestre de 2026, o Ligue 180 atendeu 301.044 casos (+14%) e recebeu 45.735 denúncias (+23%) comparado ao mesmo período de 2025.
O serviço funciona 24 horas pelo telefone 180, WhatsApp (61) 9610-0180 e e-mail central180@mulheres.gov.br. Denúncias também podem ser feitas nas Delegacias de Atendimento à Mulher, delegacias comuns, Casas da Mulher Brasileira e pelos números Disque 100 ou 190.

