O governo lançou medidas para ajudar a economia este ano, como aumentar a renda das famílias, facilitar empréstimos e apoiar programas de investimento. Porém, o cenário econômico está mais difícil do que antes.
Com a valorização do salário mínimo, aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda e programas como Gás do Povo, Brasil Soberano 2.0, Minha Casa Minha Vida, linhas para máquinas agrícolas, Move Brasil e Desenrola, há um estímulo na economia, mas seu efeito perdeu força por causa dos juros altos, do endividamento elevado e da inflação recente.
Os especialistas acreditam que esses estímulos não falharam completamente. Eles ainda mantêm parte do consumo e das atividades econômicas, mas agora atuam para evitar uma queda maior da economia, sem gerar um crescimento rápido. Henrique Danyi, do Santander, diz que o principal efeito é evitar uma desaceleração mais profunda.
Segundo dados do Banco Central, o valor da renda das famílias comprometido com dívidas chegou a 28,5% em maio, um recorde. O endividamento, embora estável, está quase no maior nível da história, perto de 49,8% a 49,9%.
Depois de crescer 1,1% no primeiro trimestre de 2026, espera-se que a economia cresça pouco nos próximos meses, com variações entre 0,1% e 0,5% ao trimestre, mostrando uma perda de força na economia. O país, que teve crescimento acima de 3% entre 2022 e 2024 e 2,3% em 2025, deve fechar 2026 com crescimento menor, perto ou abaixo de 2%, mesmo com os estímulos em ano eleitoral.
Esse cenário rompe com o padrão recente, onde o crescimento em anos de eleição costuma ser maior do que na média dos três anos anteriores, pois normalmente o governo tenta aquecer a economia para ganhar popularidade.
Rodolfo Margato, da XP Investimentos, afirma que os estímulos ajudaram a manter o consumo e os investimentos, principalmente no primeiro trimestre, mas que o impacto poderia ser maior se não fosse o cenário difícil com incertezas econômicas, juros altos e endividamento.
Henrique Danyi completa que os novos créditos ajudam, mas têm efeito limitado e gradual. Com juros altos, parte do benefício dos créditos direcionados é compensada pelo aumento do custo de outras formas de financiamento. As famílias sentem mais os juros altos por causa das dívidas.
Matheus Pizzani, do PicPay, concorda e ressalta que, mesmo os programas focados em quem gasta mais, têm seu efeito limitado por fatores econômicos.
Ele destaca que, embora o estímulo fiscal seja maior que no ano passado, o aumento das dívidas e a inflação, especialmente nos itens essenciais como combustível e alimentação, prejudicam a renda das famílias.
Rodolfo Margato também aponta que a inflação recente é outro motivo para o desempenho mais fraco da economia doméstica, principalmente nas vendas do comércio, que caíram por três meses seguidos entre março e maio.
Ele explica que a inflação causada pela alta global da energia reduziu o poder de compra das pessoas.
No mercado de trabalho, Margato observa que depois de um período de crescimento dos rendimentos reais, houve uma estabilização e queda em maio, causada pela alta inflação ligada à guerra.
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, concorda que a perda de força da economia chegou ao mercado de trabalho recentemente, diferente do passado.
Ele destaca que o aumento da isenção do IR parece ter perdido efeito e que outros programas ainda não mostraram impacto claro na atividade econômica, dificultando medir os resultados dessas ações.
