O Índice de Custo do Crédito (ICC), calculado pelo Banco Central, atingiu em 2026 o valor mais alto da série histórica, chegando a 24,19% em fevereiro, superior aos 23,87% registrados em janeiro.
Esse aumento no custo do crédito complicou os planos do governo federal, que pretende lançar medidas para ajudar as famílias brasileiras a reduzir o endividamento.
A elevação do índice está principalmente ligada à política monetária que elevou os juros, além da maior percepção de risco no sistema financeiro. Isso tem encarecido o crédito, apertando o orçamento das famílias e dificultando o acesso ao financiamento pelas empresas, num momento em que a inadimplência cresce.
O Banco Central esclarece que o ICC representa uma média das taxas de juros de todas as operações de crédito vigentes, tanto antigas quanto recentes. Já as concessões de crédito mensuram apenas os contratos firmados no mês, portanto os dois indicadores possuem dinâmicas distintas.
Um dos principais fatores para a alta é a taxa Selic, que atualmente está em 14,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
O aumento dos juros pressiona ainda mais o orçamento das famílias e empresas, principalmente aquelas que dependem de linhas de crédito com taxas variáveis ou prazos curtos.
O crescimento do ICC ocorre junto com o aumento da inadimplência, especialmente entre famílias e pequenas empresas.
Modalidades como crédito pessoal sem consignação, cheque especial e o rotativo do cartão de crédito foram as que mais contribuíram para a alta do índice, por serem mais afetadas pela alta da Selic e pelo aumento do risco.
Créditos com subsídios, como o imobiliário, também ficaram mais caros, mas com aumento mais moderado.
Contexto dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento para controlar a inflação;
- O Copom decide se a taxa deve ser cortada, mantida ou elevada para conter o avanço dos preços;
- O aumento dos juros tende a reduzir o consumo e os investimentos;
- Com isso, o crédito fica mais caro e a economia desacelera, o que pode levar a queda de preços para consumidores e produtores.
Ações do Governo para reduzir o endividamento
O governo federal está estudando um pacote de medidas para enfrentar o alto endividamento das famílias. O cenário de juros elevados tem pressionado o orçamento e dificultado o pagamento das dívidas, aumentando a inadimplência.
Uma das propostas em análise é permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam usar parte dos recursos para quitar ou renegociar dívidas, aliviando o comprometimento da renda.
Também estão sendo discutidas mudanças no mercado de crédito para ampliar o acesso a linhas mais baratas e reorganizar dívidas existentes. Medidas para coibir o endividamento por apostas digitais (bets) também estão em consideração.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo avalia diversas alternativas para ajudar famílias, trabalhadores informais e microempreendedores individuais, buscando condições melhores e limitando o endividamento futuro, especialmente relacionado às apostas digitais.
Essas medidas ainda estão em desenvolvimento e não foram oficialmente detalhadas. O objetivo é conter a inadimplência e estimular o consumo em um momento de custo de crédito elevado que limita a recuperação econômica.
