O Banco Central monitorou de perto as operações do Banco Master durante 2024, aguardando que a instituição, controlada por Daniel Vorcaro, apresentasse uma solução para evitar a liquidação, que foi decretada em novembro de 2025.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou que sempre foi esperada uma solução de mercado, como a venda do banco ou um plano para reduzir suas operações.
Documentos do Banco Central, enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, mostram que o banco enfrentava várias irregularidades desde 2024, entre elas o atraso na entrega de documentos obrigatórios, o esgotamento de carteiras de crédito que geravam fluxo de caixa e o recolhimento abaixo do mínimo exigido dos depósitos compulsórios, problema que se agravou a partir de fevereiro de 2025.
Em abril de 2025, após alerta para a necessidade de ajustes, o banco pediu dispensa do recolhimento dos compulsórios, mas o pedido foi negado por ausência de previsão regulamentar.
Ailton de Aquino Santos destacou que, após o prazo para cumprimento do compromisso assumido pelo banco terminar, a crise de liquidez se agravou e não houve perspectiva de melhora.
A Procuradoria-Geral do Banco Central concordou com esta avaliação, ressaltando que a autoridade monetária buscou desde o início soluções com menor custo para a sociedade, por meio de soluções negociadas, reorganização ou redução gradual das atividades para evitar prejuízos aos credores.
Resumo da Crise do Banco Master
- 2018 a 2023: O banco, sob controle de Daniel Vorcaro, buscou expansão e aumentou captações.
- 1º semestre de 2024: O Master adquiriu outras instituições e o Banco Central exigiu plano de contingência para manter a liquidez.
- Julho de 2024: Plano de negócios não foi cumprido, agravando a crise.
- Setembro de 2024: Identificação de falta de capital e falhas na gestão.
- Novembro de 2024: Suspensão do crédito corporativo e mudanças de controle planejadas.
- Janeiro de 2025: Daniel Vorcaro iniciou negociação para vender o banco ao BRB.
- Fevereiro de 2025: Descumprimento das exigências de recolhimento compulsório.
- Março a setembro de 2025: Busca de apoio e venda de ativos pessoais para reforço financeiro.
- Setembro de 2025: Venda ao BRB foi barrada, crise se agravou.
- Novembro de 2025: Liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central.
Possíveis crimes e irregularidades
A Procuradoria e a direção de Fiscalização apontaram possíveis crimes cometidos pela gestão do banco durante a crise. Entre os problemas, estão a venda de ativos cujo valor e existência não puderam ser comprovados, envolvendo cerca de R$ 10 bilhões em carteiras de crédito, fatos comunicados ao Ministério Público Federal.
Ailton de Aquino Santos ressaltou que práticas ilegais agravaram a crise de liquidez do banco e que a gravidade das irregularidades exige medidas corretivas da autoridade responsável pela resolução do caso.
