Por DIEGO FELIX e MARCOS HERMANSON
Há um ano, empresas brasileiras enfrentam tarifas impostas pelos Estados Unidos que prejudicam setores importantes da indústria nacional, como aço, alumínio, calçados e móveis. Essas tarifas dificultam as exportações e causam perdas financeiras, mas o setor procura novas alternativas em outros países.
Em 2025, o governo dos EUA implementou uma tarifa mínima de 10% sobre diversos produtos brasileiros. Setores como aço e alumínio foram ainda mais afetados, pagando tarifas que chegam a 50% devido a medidas relacionadas à segurança nacional. Essas taxas persistem mesmo após decisões judiciais nos EUA que removeram algumas tarifas, mantendo os impostos para os metais.
Além disso, há a possibilidade de novas tarifas adicionais sobre outros produtos brasileiros, em investigação que analisa práticas comerciais do Brasil, como regras de pagamentos e combate ao desmatamento.
A indústria do aço sofreu queda nas exportações para os EUA, caindo de US$ 3,8 bilhões em 2023 para valores menores nos anos seguintes. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, especialmente de produtos básicos que são mais afetados pelas tarifas. O presidente do Sindifer, Fausto Cançado, espera uma isenção para o setor, pois muitas fábricas correm risco de paralisação.
O setor de máquinas e equipamentos também teve redução das vendas aos EUA, mas conseguiu aumentar exportações para países como Argentina, Singapura, Peru e Chile. Ainda assim, essas vendas não compensam totalmente as perdas causadas pelas tarifas americanas.
Outros setores, como couro, calçados e móveis, enfrentam tarifas que variam entre 10% e 25%, e também registram queda nas exportações para os EUA. A indústria tem buscado novos mercados na América Latina, Ásia e Oriente Médio para diversificar as vendas e reduzir a dependência dos Estados Unidos.
Por exemplo, a indústria calçadista, que sofre com a falta de possibilidade de redirecionar rapidamente seus produtos, vê crescimento nas exportações para países latino-americanos. A Abicalçados, sob a liderança do presidente executivo Haroldo Ferreira, destaca que o setor é impactado de formas diferentes, conforme a proximidade do mercado americano.
O setor moveleiro também sentiu os efeitos das tarifas, com queda nas exportações para os EUA, mas crescimento em mercados alternativos como Uruguai, Argentina, Peru, Paraguai e Colômbia. A Abimóvel ressalta que o mercado americano continua estratégico e recomenda ampliar esforços em novos mercados enquanto mantém diálogo com os EUA.
O setor têxtil viu redução nas vendas para os EUA, mas aumento nas exportações para Paraguai, Uruguai e Equador, conforme dados da Abit, associação do setor.
Em outros segmentos, como o de molduras de madeira, as tarifas ainda causam incerteza. A Abimci destaca que não há plano B para redirecionamento da produção, que é bem distribuída globalmente.
O impacto das tarifas americanas tem gerado redução na produção, perda de empregos e queda nos investimentos em vários setores industriais brasileiros. No entanto, a indústria tem buscado alternativas para continuar crescendo e superar os desafios impostos pelas tarifas dos EUA.
