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Importação de diesel bate recorde com EUA de maior fornecedor

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Volume de importação total no primeiro trimestre bateu recorde histórico e Estados Unidos dominam 80% do mercado, segundo estatísticas de 2017

Enquanto as refinarias brasileiras operam abaixo de sua capacidade máxima, a importação do diesel bate recordes históricos, assim como a participação dos Estados Unidos nesse mercado. E, na semana passada, às pressas, para debelar a greve dos caminhoneiros, o governo Temer editou um decreto criando subsídios que devem estimular ainda mais o setor.

Os três primeiros meses de 2018 registraram a maior importação de diesel no primeiro trimestre em toda a série histórica, segundo análise da Pública com base nas estatísticas do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Aliás, na comparação geral, o último trimestre só fica atrás do penúltimo, entre outubro e dezembro de 2017.

No ano passado, a importação de diesel chegou à marca inédita de 11 milhões de toneladas. Os Estados Unidos também viram aumentar sua fatia nesse mercado. As importações do óleo norte-americano ganham força desde o início da década, mas no início de 2016 houve um salto considerável e hoje os EUA se consolidaram como o principal exportador do combustível mais utilizado do Brasil. No ano passado, 80% do diesel importado veio de lá.

Mesmo autossuficiente na produção do petróleo bruto, o enfraquecimento das refinarias nacionais e o estímulo à importação tendem a tornar o Brasil mais dependente de outros países e de flutuações no preço internacional.

Em fins de maio, com a Medida Provisória (MP) 838, o Ministério da Fazenda direcionou R$ 9,5 bilhões para garantir a venda de diesel mais barato às distribuidoras, favorecendo não só produtores nacionais, como importadores que respondem hoje por 25% do mercado nacional. A MP, prevista para vigorar até o final do ano, foi regulamentada na sexta-feira passada por decreto.

A Fazenda estima que as importadoras tendem a receber cerca de R$ 2,3 bi em subvenções, caso a proporção de consumo se mantenha e todas as empresas se habilitem a receber o apoio. Mas o valor efetivo será determinado pelo volume de vendas futuro entre importação e produção nacional. Não foi definido um limite máximo de subvenção às importadoras.

“As importadoras estão tomando o mercado da Petrobras. A atual política de preços nos faz exportar petróleo cru pela própria empresa, enquanto os concorrentes importam derivados. A empresa está operando com apenas 72% da capacidade de refino”, critica Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras.

Com o crescimento nos últimos anos, os Estados Unidos deixaram para trás outros países que competiam na venda de diesel para o Brasil, como a Índia. Em 2005, por exemplo, 60% do diesel importado vinha de empresas indianas. Em 2017, o mesmo índice não chega a 0,7%.

A queda na troca bilateral não passou despercebida pelo governo indiano, que em um documento do Ministério de Relações Exteriores justifica-a pela baixa dos preços das commodities e a recessão econômica que atingiu toda economia brasileira, além da “abrupta turbulência econômica e política”. Mas não explicam o porquê de a importação do diesel norte-americano crescer, mesmo com a recessão.

Ex-diretora da Agência Nacional de Petróleo e consultora em energia na Fundação Getulio Vargas Magda Chambriard considera a possibilidade de que a consolidação dos Estados Unidos se dê por uma questão logística. Segundo ela, pela própria geografia, o diesel da Índia entra principalmente pelos portos do Sul e Sudeste, enquanto o dos EUA chegam mais pelo Nordeste.

“Hoje, o Sudeste está abastecido. São Paulo tem as melhores refinarias e produz mais do que consome, abastecendo inclusive o entorno. Então, uma possibilidade é que a importação esteja ocupando mercado principalmente onde as refinarias estão em pior estado, que são as do Nordeste. Tanto que são estas que a Petrobras busca parceiros para investir. Você não vende a joia da coroa”, analisa Chambriard.

Segundo Adilson de Oliveira, economista especializado em política energética, o aumento da participação dos Estados Unidos também pode se dar pelo fato do país ter hoje uma sobreprodução, que lhes permite vender o diesel excedente por preços abaixo da média do mercado. “Eles atendem o mercado americano e vendem o excedente a preços baixos, tornando-se competitivos, pois no Brasil os preços praticados são acima da média”, analisa.

Criticada, política de preços segue inalterada

As medidas anunciadas por Temer não alteraram a sua política de preços da Petrobras, que mantém os preços acima da média internacional. Pelo contrário, reforça-a, ao comprometer orçamento público para garantir lucro para Petrobras e importadores privados.

A política de preços do governo foi decisiva para detonar a greve dos caminhoneiros, ao trazer a instabilidade do mercado internacional para a economia brasileira. Na carta de demissão entregue na última sexta, o ex-presidente da Petrobras afirmou que sua permanência no comando da empresa “deixou de ser positiva” diante da crise instaurada. Todavia, seu legado permanece.

No governo Temer, os valores praticados pela Petrobras ficam definitivamente mais caros que os praticados no mercado internacional. Isso porque são acrescidas taxas aos preços apurados lá fora, como uma margem “para remunerar riscos inerentes à operação”.

Durante o governo Dilma, os preços da empresa foram usados como instrumento de combate à inflação. A convergência entre os preços praticados aqui e a cotação internacional se dava a médio e longo prazo, com vários meses de intervalo entre os reajustes, a fim de preservar o mercado interno de oscilações bruscas.

Em alguns momentos, os preços praticados eram acima da cotação internacional. No início de 2016, antes de Temer assumir, portanto, grandes consumidores como a Vale viram no diesel importado uma oportunidade de economia, por conta dos preços altos da Petrobras já naquela época. Em outros momentos, contudo, os preços ficavam abaixo do mercado internacional, gerando um lucro menor para a empresa e acusações de “intervencionismo” do governo na Petrobras.

No governo Temer, as coisas mudaram. Além de praticar permanentemente valores acima da média internacional, a Petrobras mudou a frequência dos reajustes. Assim que assumiu, o ex-presidente Pedro Parente passou inicialmente a fazer correções mensais no preço do diesel.

Desde julho do ano passado, porém, os reajustes se tornaram diários. Com a recente alta do dólar e a subida na cotação internacional do barril de petróleo por instabilidades geopolíticas internacionais, os preços do diesel dispararam dia após dia no Brasil.

Nos últimos quatro meses, foram ao todo 73 reajustes nas refinarias da Petrobras, em uma escalada crescente do litro do diesel. Na média de fevereiro, o diesel era vendido por R$ 1,76/litro nas refinarias. Em 22 de maio, antes de o governo reagir à greve, saltou para R$ 2,37/litro.

Com os preços disparando lá fora, os reajustes diários permitiam aos acionistas da empresa maximizar lucros em tempo real. Porém, em um país continental altamente dependente do transporte rodoviário, onde as viagens podem facilmente durar vários dias, essa alta volatilidade arruinou as previsões de custos dos caminhoneiros, que decidiram então cruzar os braços. O congelamento temporário e o retorno dos reajustes mensais no diesel foram uma de suas principais vitórias sobre a política econômica de Temer.

“Soluções” para a crise são criticadas por especialistas

Em edição especial do Diário Oficial publicada quinta (7/6), o Planalto divulgou o decreto que regulamenta o subsídio definitivo ao diesel, com um preço de referência para cada região do país. Os R$ 9,5 bilhões vão para a Petrobras e para importadoras privadas.

O valor equivale a R$ 0,30 dos R$ 0,46 centavos da redução prometida aos caminhoneiros. O restante se deve à redução de tributos federais.

“É uma invenção esdrúxula. Não conheço nada parecido em nenhum país do mundo. Qual a vantagem de termos petróleo brasileiro se não usamos isso como uma vantagem comparativa em relação aos outros países, em benefício da economia brasileira?”, critica Adilson de Oliveira, economista e professor de Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Já Paulo César Ribeiro Lima descreve as medidas como uma “insanidade”. “O povo brasileiro vai ter que cobrir a margem de lucro altíssima da Petrobras. O custo de produção do diesel era de 93 centavos e garantia 150% de lucro antes da crise. Agora, com a redução, diminuiu para 126%”, pondera o consultor legislativo da Câmara dos Deputados em Minas e Energia.

“Ou seja, o problema não são os impostos. Na gestão de Pedro Parente, mesmo excluindo os tributos, o brasileiro chegou a pagar 40% a mais que consumidores de países ricos, como Estados Unidos, [países da] Europa e Japão”, conclui Paulo.

Ex-diretora da ANP, Magda Chambriard defende inclusive as mudanças tributárias como uma saída para a crise, através do aperfeiçoamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, conhecida como Cide. Entretanto, o tributo foi zerado no recente pacote de medidas do governo Temer.

“Sou a favor de se usar os instrumentos que temos, bem utilizados, e só a partir daí, se constatada sua inadequação, mudar radicalmente. A Cide foi feita para enfrentar crises e desviada de finalidade. Era justamente para atenuar grandes impactos do preço dos combustíveis. Já tínhamos um mecanismo, para que criar outro?”, questiona.

O subsídio bilionário será dado desde que a Petrobras ou importadoras vendam o combustível às distribuidoras abaixo de um preço de referência calculado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que também será responsável por aprovar o cadastro das empresas interessadas no benefício.

Hoje, 193 empresas estão autorizadas pela ANP a importar diesel. A julgar pelo capital social declarado pelas empresas à Receita Federal, a maior delas é a YPF, a empresa petroleira do governo argentino.

A ANP é comandada por Décio Oddone, indicado por Temer em 2016. Ex-gerente da Petrobras para o Cone Sul, ele atuou sob supervisão de Nestor Cerveró, então diretor da área internacional. Antes de assumir a ANP, passou também pela vice-presidência da Braskem (Odebrecht) e a direção de óleo e gás da Prumo Logística, empresa que já pertenceu ao grupo de Eike Batista.

Para Ildo Sauer, professor da USP e ex-diretor da Petrobras, a crise atual tem raízes históricas nos anos 1990. Segundo ele, trata-se de um “barril de pólvora gestado no neoliberalismo e não desmontado no governo do PT”.

“O ex-presidente FHC fez uma reforma mudando o papel da Petrobras. Era um sistema de concessão sui generis: o petróleo pertence ao povo no subsolo, mas quando aflora é da concessionária. Apesar das diferenças de discursos, nenhum governo mudou isto depois. Os neoliberais de maneira mais aguda e outros de modo mais dissimulado têm usado esses recursos para atender interesses de patrocinadores que raramente ou quase nunca se confundem com o da população. Temos capacidade de refino que poderiam atender a demanda interna. Algo com valor tão grande como o petróleo deveria cumprir um papel de construir um futuro melhor para a população. ”, critica Sauer.

Texto cedido pela Agência Pública

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Economia

Em meio ao coronavírus, bancos já renegociaram R$ 130 bilhões em dívidas

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Os cincos maiores bancos do país, que abriram possibilidades de renegociação devido ao coronavírus, já receberam 2 milhões de pedidos

 

Dinheiro: com a crise, bancos estrangeiros cortaram as linhas para o país, estreitando ainda mais a liquidez no mercado (DircinhaSW/Getty Images)

Os cinco maiores bancos do País – Itaú Unibanco, Banco do Brasil Bradesco, Caixa e Santander – renegociaram até o momento R$ 130 bilhões de um total de R$ 200 bilhões em pedidos feitos com a crise da pandemia da covid-19.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney Ferreira, diz que a crise levou a uma “explosão” de demanda por crédito. Com a queda brusca da atividade, do consumo e do faturamento, as empresas em geral estão precisando de caixa e buscando também crédito novo.

Segundo Ferreira, ainda faltam analisar entre 500 mil e 700 mil de pedidos. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, levantamento divulgado na segunda-feira, pela Febraban, indicou que os cincos maiores bancos receberam 2 milhões de pedidos de renegociação, o equivalente a uma carteira de R$ 200 bilhões (saldos devedores dos pedidos). A Febraban, no entanto, não tinha informado quanto dos pedidos foram aceitos pelos bancos.

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Serviços recuam de janeiro para fevereiro, mas crescem na comparação anual

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Acumulado nos últimos doze meses avançou 0,7% em fevereiro de 2020

Salão de beleza: setor de serviços é um dos mais importantes da economia brasileira (Chris McGrath / Equipe/Getty Images)

O volume de serviços prestados caiu 1,0% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o mês anterior, o IBGE revisou a alta ante dezembro de 2019 de 0 6% para 0,4%. A queda de dezembro ante novembro de 2019 foi revista para baixo, de 0,5% para 0,8%.

Na comparação com fevereiro do ano anterior, houve alta de 0,7% em fevereiro, já descontado o efeito da inflação. Nessa comparação, as previsões iam de expansão de 1,0% a aumento de 3,40%, com mediana positiva de 1,90%. A taxa acumulada no ano registrou alta de 1,2%, enquanto o avanço acumulado em 12 meses ficou em 0,7%.

Desde outubro de 2015, o IBGE divulga índices de volume no âmbito da PMS. Antes disso, o órgão anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado.

Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal caiu 0,1% em fevereiro ante janeiro. Na comparação com fevereiro de 2019, houve aumento de 3,8% na receita nominal. Em 12 meses, a receita nominal subiu 4,1%, enquanto o acumulado de janeiro e fevereiro ficou em 4,0%.

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Economia

Produção industrial cresce em 11 dos 15 locais pesquisados em fevereiro

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De acordo com o IBGE, São Paulo ficou na contramão da média nacional (0,5%), com uma queda de 0,4%

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Inadimplência sobe 1,2% em março e deve crescer ainda mais por coronavírus

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Indicador de inadimplência da Boa Vista é elaborado com base na quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas

Pessoas no comércio no Rio de Janeiro: coronavírus deve fazer inadimpência aumentar (Pilar Olivares/Reuters)

O indicador de inadimplência do consumidor da Boa Vista subiu 1 2% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou nesta quarta-feira, 8, a empresa. Com o dado, o índice acumula queda de 0,5% em 12 meses e de 0,2% no acumulado do ano.

A região Sul do País teve o maior aumento de inadimplência no terceiro mês de 2020, de 4,9%, seguida pelo Sudeste (1,9%). Em contrapartida, houve queda na inadimplência no Nordeste (-1,8%), Centro-Oeste (-1,6%) e Norte (-0,9%).

No acumulado de 12 meses, apenas o Sudeste (0,1%) registrou alta na taxa. Entre as outras regiões, o Sul tem a maior queda (-2 2%), seguido de Centro-Oeste (-1,5%), Nordeste (-0,7%) e Norte (-0,1%).

Nesta base, a Boa Vista lembra que o ritmo de queda da inadimplência vem arrefecendo e deve manter essa tendência nos próximos meses, com os impactos da pandemia do coronavírus.

“No cenário atual, apesar das medidas de contenção aos efeitos do novo coronavírus, a tendência é de que haja uma piora no nível de desocupação e recuperação da renda nos próximos meses, fatores que devem refletir na redução da capacidade dos consumidores em pagarem suas dívidas em dia e resultar em aumento da inadimplência”, disse, em nota, a empresa.

O indicador de inadimplência da Boa Vista é elaborado com base na quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas informados pelas empresas credoras.

 

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Dólar cai pela 2ª vez seguida com melhor perspectiva sobre coronavírus

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Com o fim da pressão do coronavírus sobre os mercados, especialista vê dólar cair para abaixo de 5 reais

Dólar: moeda americana vai abaixo de R$5,20 nesta terça (7) (Adam Drobiec/EyeEm/Getty Images)

O dólar voltou a fechar em queda frente ao real nesta terça-feira, 7, com a percepção de que o avanço do coronavírus no mundo tenha perdido força nos últimos dias. Com a mudança do humor no mercado, ativos considerados de maior risco, como moedas de países emergentes, valorizaram-se. Por aqui, o dólar comercial caiu 1,2% e encerrou cotado a 5,228 reais. O dólar turismo recuou 1,6%, a 5,50 reais.

O otimismo tem como pano de fundo a diminuição dos novos casos apresentados na Europa, continente em que a doença deixou a maior quantidade de vítimas fatais. Nos Estados Unidos, país onde há o maior número de infectados, a percepção sobre os possíveis estragos da doença também melhorou, após os governadores dos estados de Nova York e Nova Jersey falarem em “achatamento da curva” de contágio.

Com o maior apetite a risco, o dólar perdia forças no mundo. O índice Dxy, que mede o desempenho da moeda americana contra divisas dos principais parceiros comerciais dos EUA, caiu 0,8%. A queda foi puxada pelo euro, que se apreciou mais de 1% contra o dólar, pondo fim a uma sequência de seis quedas consecutivas.

Para João Manuel Freitas, diretor de operações da Travelex Bank, o dólar deve se enfraquecer no mundo conforme o coronavírus deixe de ditar os rumos dos mercados. No Brasil, ele espera que a moeda volte a ser negociada entre 4,50 reais e 5 reais, já projetando um cenário com corte de juros de 25 pontos bases , para uma taxa Selic de 3,5% ao ano.

“[O dólar acima de 5 reais] está ligado ao movimento de instabilidade no mundo. Voltando a economia, a produção, não tem como o dólar conseguir se sustentar nesse nível”, disse Freitas.

Apesar de vislumbrar um dólar abaixo de 5 reais quando a economia voltar ao normal, ele vê alguns obstáculos no caminho. “O auxílio do governo ainda não chegou nas empresas. Isso deixa elas com um ponto de  interrogação muito forte. Quanto mais tempo demorar, mais vai ser o sofrimento.”

A instabilidade da política interna também o preocupa. Segundo ele, se os ruídos sobre a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta tivessem sido confirmados, o cenário no mercado interno seria “completamente diferente”.

“Tendo em vista que foi apaziguado ontem, voltou a andar [positivamente] parecido mercado internacional”, disse.

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Grupos pedem alívio de dívida de países pobres atingidos por vírus

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Campanha pede cancelamento dos pagamentos da dívida de 69 países neste ano, estimando liberação de mais de 25 bilhões de dólares

Pessoas com máscara em Joannesburgo, na África do Sul: China é o maior credor bilateral da África (Siphiwe Sibeko/Reuters)

Quase 140 grupos e instituições de caridade pediram ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Grupo das 20 principais economias (G20) e credores privados nesta terça-feira para ajudarem os países mais pobres do mundo na crise do novo coronavírus, cancelando pagamentos de dívida.

A reunião, encabeçada pela Jubilee Debt Campaign, sediada no Reino Unido, ocorre um dia antes da reunião do G20 encarregada de definir a resposta de coronavírus aos países em desenvolvimento.

Separadamente, o ministro das Finanças do Gana, Ken Ofori-Atta, que preside o Comitê de Desenvolvimento que assessora o FMI e o Banco Mundial, pediu à China – o maior credor bilateral da África – a fazer mais para aliviar seu peso da dívida.

A campanha da Jubilee Debt pede o cancelamento imediato dos pagamentos da dívida de 69 países pobres pelo resto do ano, inclusive para credores privados, estimando uma liberação de mais de 25 bilhões de dólares para os países ou 50 bilhões de dólares se estendido até 2021.

Também pede para que o cancelamento de dívidas ou o financiamento adicional fique livre de condições de política econômica, como austeridade, e que o G20 apoie regras de emergência que impediriam que países mais pobres fossem processados por credores privados.

“Os países em desenvolvimento estão sendo atingidos por um choque econômico sem precedentes e, ao mesmo tempo, enfrentam uma emergência de saúde urgente”, disse Sarah-Jayne Clifton, diretora da Jubilee Debt Campaign.

Os principais governos e instituições já estão pressionando por algumas das medidas que os grupos estão pedindo.

O FMI está disponibilizando 50 bilhões de dólares de seu instrumento de financiamento de emergência e cerca de 80 países já pediram ajuda. O Banco Mundial também aprovou um pacote de resposta ao Covid-19 de 14 bilhões de dólares.

As instituições também estão fazendo um esforço conjunto para que os credores bilaterais oficiais permitam que os países de baixa renda suspendam seus pagamentos de dívida por 14 meses a partir do início de maio.

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