Por Maria Clara Almeida, Vitória Secundo e Daniela Viegas
A 12ª edição do Festival Brasília de Cultura Popular homenageou o historiador Paulo Bertran, que documentou os conhecimentos sobre as civilizações do cerrado e os povos nativos da região.
Durante o evento, a coordenadora do festival, Danielle Freitas, organizou um encontro onde moradores do Lago Oeste e profissionais da saúde puderam aprender com especialistas em agroecologia.
Assista abaixo à entrevista
O festival reforçou o princípio central do projeto: integrar cultura popular, academia, gestores públicos e artistas em um mesmo espaço. Segundo Danielle, o objetivo é que todos contribuam juntos para construir políticas e melhorar o cotidiano das pessoas beneficiadas por essas ações.
A comunidade se reuniu para discutir um tema urgente: a conexão com a terra pode transformar o ambiente local.
“Quando o solo e a água são vistos só como recursos e não como seres vivos, nós também adoecemos,” destacou Danielle Freitas.
No centro do debate esteve a Farmácia Viva, que questiona se parte da crise de saúde mental atual pode ser também uma crise de falta de conexão com a natureza.
No Distrito Federal, a Farmácia Viva está presente em unidades de Planaltina, Riacho Fundo e na UBS do Lago Norte, e acessar seus serviços é simples: basta uma consulta em qualquer unidade básica de saúde. Pacientes particulares também podem obter medicamentos da lista oficial mediante apresentação de receita médica.
Preço da desconexão
“Separamos o cuidado com as pessoas do cuidado com o planeta, mas somos um só. Quando o solo e a água deixam de ser respeitados como partes vivas, nossa saúde também sofre,”
afirmou Danielle Freitas, coordenadora do festival.
Essa desconexão, chamada proposital, alimenta um estilo de consumo que nos distancia da natureza e de nós mesmos. A resposta pode estar em reconectar-se com a terra, literalmente, caminhando descalço sobre ela.
Da compostagem à aromaterapia: cuidar da terra no dia a dia
O encontro também incluiu atividades práticas. Bruno Peixoto, do Instituto Permafloresta, ensinou como transformar resíduos orgânicos em adubo rico por meio da compostagem e do uso de minhocários. Tratar o lixo em casa, mesmo em apartamentos, ajuda a reduzir a pressão sobre os serviços públicos e devolve vida ao solo.
Outro destaque foi o uso da homeopatia vegetal: preparações naturais que fortalecem as plantas e afastam pragas, como as formigas cortadeiras, sem uso de venenos.
No local, o alecrim do campo foi usado para energizar os participantes antes da caminhada de reconhecimento do espaço.
