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quinta-feira, 06/08/2026

Grupo Pão de Açúcar tem queda na receita e enfrenta falta de produtos

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DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Grupo Pão de Açúcar registrou uma redução de 9,6% na sua receita líquida no segundo trimestre deste ano, alcançando R$ 4,2 bilhões, e apresentou um prejuízo líquido consolidado de R$ 252 milhões, um aumento de 16,2% se comparado ao mesmo período de 2025. A recuperação judicial que o grupo está enfrentando impactou a disponibilidade de alguns produtos nas lojas.

A empresa também relatou uma queda de 7% nas vendas totais frente ao ano anterior, influenciada pela interrupção do modelo de venda direta para pequenos comércios e pelo ajuste nas vendas do e-commerce, que agora foca em canais próprios, visando maior rentabilidade.

Sem considerar alterações no portfólio de lojas e efeitos do calendário, as vendas caíram apenas 0,8%.

Os efeitos da recuperação judicial, anunciada em março, foram sentidos no abastecimento das lojas, causando um aumento temporário na falta de alguns produtos, especialmente em maio. A partir de junho, houve uma melhora gradual no fornecimento e aumento nas vendas.

A companhia destacou que o cenário permanece de demanda mais moderada e consumo pressionado, com as famílias dividindo seu orçamento entre produtos essenciais e não essenciais.

As vendas em lojas do Pão de Açúcar diminuíram 1,2%, afetadas pela falta de produtos e pela queda de preços em itens básicos. Em contrapartida, os produtos perecíveis tiveram um desempenho positivo, mostrando sua importância para os clientes mesmo em tempos difíceis.

No Extra Mercado, as vendas em mesmas lojas subiram 0,4%, resultado impulsionado por promoções no período do aniversário da marca.

As pequenas lojas de bairro, como Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, tiveram queda de 2,3% nas vendas, sendo esse segmento o mais impactado pela recuperação judicial, apresentando mais falta de produtos e consumo mais difícil.

O e-commerce registrou queda de 16,2% nas vendas, somando R$ 504 milhões, mas a empresa reporta avanços na rentabilidade focando em seus próprios canais.

O Ebitda ajustado, indicador de lucro operacional, cresceu 7,3%, alcançando R$ 450 milhões.

Com a aprovação do plano de recuperação judicial, a dívida líquida do grupo poderia diminuir de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, uma queda de 68%.

A alavancagem, que mostra quantos anos seriam necessários para quitar as dívidas com o caixa gerado, caiu de 3,9x para 1,3x nesse cenário.

Alexandre Santoro, CEO do grupo, afirmou que a homologação judicial deve ampliar o prazo médio das dívidas de pouco mais de 2 anos para mais de 6 anos, reduzindo os pagamentos até 2028 de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões.

Santoro ressaltou que a estratégia da empresa segue focada em responsabilidade e em gerar valor para clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros e acionistas.

A companhia apresentou uma nova versão do plano de recuperação judicial, com o apoio de 57,5% dos créditos envolvidos. Até o prazo final para impugnações, 97% dos credores escolheram uma das propostas do GPA, e a expectativa é que a Justiça aprove o plano ainda neste trimestre.

Nas notas do balanço, a auditoria Ernst & Young indicou que o grupo teve prejuízo de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre, com um déficit de R$ 4,1 bilhões em capital circulante líquido, que é o valor disponível para as operações do dia a dia.

O grupo possui R$ 4,39 bilhões em recursos para giro, como caixa e estoques, enquanto suas obrigações de curto prazo somam R$ 8,5 bilhões.

Essa situação decorre da reclassificação de empréstimos e financiamentos para passivo circulante após o pedido de recuperação judicial.

A auditoria destacou que isso gera incertezas sobre a continuidade das operações do grupo.

Contudo, a expectativa é que, com a homologação da recuperação, a liquidez de curto prazo e a saúde financeira a longo prazo melhorem significativamente.

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