O governo brasileiro começou, na segunda-feira, 2 de março, a capacitação de 14 Agentes Indígenas de Saneamento (Aisan) que trabalham na Terra Yanomami. O curso é organizado pelo Ministério da Saúde, através da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), com o objetivo de preparar esses agentes para atuarem de forma técnica e respeitando a cultura local, promovendo o saneamento nas comunidades indígenas.
A qualificação tem uma carga de 80 horas, divididas em 40 horas teóricas e práticas e 40 horas de prática supervisionada nas aldeias. Os agentes trabalham em 22 aldeias no Polo Base Missão Marauiá, onde vivem cerca de 3.241 indígenas. O treinamento foca em áreas importantes como monitorar a qualidade da água, operar e manter sistemas de abastecimento e gerenciar resíduos sólidos.
O curso está acontecendo no Polo Administrativo de Santa Isabel do Rio Negro, Amazonas, dentro do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, e é ministrado pela equipe da Divisão de Edificações e Saneamento Ambiental Indígena (DISANI) do distrito.
Maicon Velasco de Melo, biólogo e coordenador do curso, destaca que “mais do que uma simples capacitação técnica, esta ação é um investimento na autonomia das comunidades, valorizando o papel dos indígenas na promoção da saúde e proteção do território. O trabalho diário dos AISAN ajuda a reduzir riscos epidemiológicos, fortalece a vigilância em saúde e incentiva a responsabilidade da comunidade pelo cuidado do território”.
Os Agentes Indígenas de Saneamento ajudam a evitar doenças causadas pela água contaminada, controlam vetores e incentivam práticas sustentáveis nas aldeias. Eles combinam conhecimentos tradicionais com técnicas modernas para garantir que as soluções de saneamento sejam apropriadas e eficazes para as comunidades.
Suas atividades incluem monitorar o cloro residual e a qualidade da água, coletando amostras para análise, garantindo que a água seja potável e segura. Além disso, os AISAN orientam os moradores sobre higiene e formas seguras de armazenar água, acompanham a manutenção dos sistemas de água e mobilizam a comunidade para mutirões de limpeza nas aldeias.
