Na tentativa de garantir a aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, no ano passado, a diretoria do Banco de Brasília (BRB) apresentou ao Banco Central uma projeção de lucro significativa. Em março de 2025, a previsão indicava um ganho líquido de R$ 838 milhões, com crescimento esperado para R$ 3,8 bilhões em 2029.
Documentos obtidos pelo Metrópoles revelam que, apesar das projeções otimistas, falhas e riscos foram apontados pelas autoridades responsáveis. O Banco Central identificou inconsistências nos dados enviados pelo BRB, incluindo informações conflitantes e ausência de detalhes essenciais. Mesmo após solicitações de correção, os erros persistiram.
A instituição reguladora realizou inspeção no Banco Master e encontrou dados incorretos, tais como ativos já vendidos e valores bilionários sem detalhamento adequado. O diretor responsável afirmou que não havia garantias suficientes sobre os ativos envolvidos na operação, tornando impossível comprovar a viabilidade financeira da compra.
O Banco Central também criticou pontos internos do BRB, destacando falhas na governança, nos controles internos e na gestão de riscos, além de uma queda nos indicadores de liquidez. O Master foi descrito como enfrentando sérias dificuldades econômico-financeiras e baixa liquidez.
No voto que fundamentou a rejeição da aquisição, Renato Gomes alertou que, caso a operação avançasse e gerasse prejuízos, o BRB poderia não estar preparado para absorver o impacto financeiro, o que colocaria em risco a estabilidade do banco.
Negócios e negociações pós-rejeição
Após a recusa do negócio, o Master continuou as negociações com o BRB. Em 22 de setembro de 2025, Daniel Vorcaro encaminhou ao Banco Central uma minuta de acordo para a venda mensal de até R$ 400 milhões em operações de crédito originadas pelo Banco Master.
Esse acordo integrava um plano de recuperação que incluía venda de ativos e entrada de investidores estrangeiros. Conforme exposto por Vorcaro, o acordo operacional garantiria recursos suficientes para cobrir as despesas ordinárias do banco.
A defesa argumentou que, por se tratar de uma operação envolvendo dois bancos autorizados, o processo deveria ter recebido uma análise simplificada, focando apenas na capacidade econômica dos controladores, na origem lícita dos recursos e na reputação dos envolvidos.
