FELIPE GUTIERREZ
FOLHAPRESS
O aumento no preço do petróleo devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã pode aumentar a inflação, mas também pode ajudar a melhorar as finanças públicas do Brasil, diminuindo o déficit em até 0,6% do PIB, de acordo com um relatório da IFI (Instituição Fiscal Independente), divulgado nesta quinta-feira (16).
A IFI aponta que o crescimento do preço do barril do petróleo do tipo Brent favorece o resultado financeiro do país, embora ainda haja expectativa de déficit em 2026 e 2027.
Sem variação nos preços, a previsão é de um déficit de 0,7% do PIB em 2026. Se o preço do barril se mantiver próximo a US$ 97 até o final do ano, o déficit pode cair para cerca de 0,1%.
Para 2027, a estimativa do déficit é de 1,2% do PIB sem variação, mas pode diminuir para 0,6% com o preço do barril em torno de US$ 108.
Esse efeito positivo ocorre porque a alta do petróleo aumenta a arrecadação através de impostos, royalties e participação do Estado em empresas do setor, além de reforçar a base tributária devido ao aumento geral dos preços.
Os benefícios fiscais poderiam ser ainda maiores se o governo não tivesse adotado medidas para conter os impactos da alta dos combustíveis, como subsídios ao diesel e ao gás de cozinha (GLP), além do adiamento de certas cobranças tarifárias para companhias aéreas.
Se os preços elevados persistirem, a inflação poderá pressionar os gastos públicos a partir de 2027, principalmente despesas ligadas ao salário mínimo, como benefícios previdenciários, o BPC, auxílio-desemprego e abono salarial.
Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, ressalta que as estimativas são iniciais e envolvem incertezas. “Não é possível afirmar com certeza como os preços do petróleo e seus derivados vão evoluir, nem seus efeitos na inflação global e nos diferentes países”, declara.
Nas contas da IFI são considerados todos os gastos do governo, incluindo precatórios, investimentos em Defesa e despesas extraordinárias para educação e saúde, que são excluídos em algumas contas oficiais conforme emenda constitucional.
Para o crescimento da dívida pública, o que importa é o gasto real, por isso a IFI inclui todos os custos em suas projeções.
O Ministério do Planejamento apresentou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 sem considerar os efeitos da guerra no resultado fiscal devido às incertezas do cenário.
A disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle do Estreito de Hormuz, passagem vital para cerca de 20% da produção mundial de petróleo, é o contexto para o aumento dos preços.
