Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, pretende usar o valor a receber de R$ 9 bilhões das carteiras de crédito do Credcesta, adquiridas do banco Master, para garantir um empréstimo que vai reforçar o capital do BRB (Banco de Brasília).
Após o Banco Central liquidar o banco Master, o pagamento desses empréstimos está sendo direcionado para o liquidante do banco de Daniel Vorcaro. Celina afirmou que esse fluxo pertence ao BRB e deve ser revertido para o banco, não para o liquidante.
Ela explicou que estão discutindo no Supremo Tribunal Federal (STF) para que esse valor seja devolvido ao BRB, já que o governo do DF solicitou ao ministro André Mendonça que tome providências para reaver esse montante.
Desafios financeiros e apoio federal
O governo do Distrito Federal enfrenta uma crise decorrente das perdas com a compra de carteiras de crédito e ativos sem lastro do Master. Para solucionar, depende de um empréstimo de R$ 8,8 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e de um grupo de grandes bancos, com o prazo para aumentar o capital até 29 de maio. Esse aporte é exigido pelo Banco Central para evitar intervenção ou liquidação do BRB.
Celina reconheceu que não há expectativa de apoio do governo federal para garantir esse empréstimo, já que o presidente Lula recusou-se a recebê-la, apesar de tentativas de diálogo feitas por lideranças do Congresso.
Por isso, a governadora afirmou que estão buscando alternativas sem depender da ajuda federal.
Medidas e expectativas
A governadora assegurou que estão cumprindo as metas estabelecidas com o Banco Central e que o aumento de capital será realizado dentro do prazo previsto, apesar do banco ter atrasado a publicação do balanço e estar pagando multas diárias.
Sobre a crise de liquidez do BRB, Celina informou que já foi solucionada. O banco firmou acordo para transferir ativos originados do Master, no valor de R$ 15 bilhões, para um fundo de investimentos gerido pela Quadra Capital. A primeira parcela de cerca de R$ 1 bilhão já foi recebida, e outros R$ 3 bilhões são esperados até o final de maio.
Responsabilidades e críticas
Celina rebateu acusações de que estaria empurrando o problema do BRB para após as eleições, afirmando que está focada em resolver a situação. Ela explicou que, por ter um rombo nas finanças do DF previsto para 2025, o governo não pode dar garantia do Tesouro sem abrir uma exceção, o que não é permitido pelas normas legais.
Acusou a gestão anterior, sob o comando de Ibaneis Rocha, de gastar além do orçamento e causar descontrole financeiro. Desde que assumiu, Celina promoveu cortes e ajustes para adequar os gastos ao orçamento disponível.
Futuro do BRB
Com o problema de capital resolvido, a governadora afirmou que o BRB tem condições de se recuperar e continuar sendo um banco regional focado no atendimento à população de Brasília, sem risco de privatização.
Delações e rumores
Celina também comentou que não tem preocupação com rumores sobre uma possível delação premiada do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, dizendo que não mantinha relação com ele e que essas notícias seriam falsas e fruto de fofocas políticas.
Posição do BRB
Por sua vez, o BRB afirmou que as carteiras do Credcesta adquiridas do Master foram cedidas regularmente ao banco, incluindo o direito ao fluxo de pagamentos. Com a liquidação do Master, a administração desses pagamentos ficou a cargo de um liquidante, que deve repassar os valores devidos ao BRB conforme previsto nas operações.
