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GDF oferece apoio à UnB para tentar reduzir deficit de R$ 92,3 milhões

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Objetivo é tratar de mudança legislativa que permita uso de recursos próprios da instituição

Luana Borges atua como estagiária na universidade: medo de cortes
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

 

Para tentar reverter uma das maiores crises financeiras da Universidade de Brasília (UnB), que ameaça o emprego de servidores terceirizados, o Executivo local prometeu ajuda à Reitoria. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ligou para a reitora, Márcia Abrahão, no domingo, e disse que pedirá uma audiência com o ministro da Educação, Mendonça Filho, para falar sobre o deficit da instituição, estimado em R$ 92,3 milhões. Os dois discutiram o apoio do governo a uma mudança legislativa que permita a utilização de recursos próprios da UnB.

O desafio de reduzir as despesas em cerca de R$ 40 milhões coloca em risco o emprego de parte dos 1.248 terceirizados . Um deles é Dayanne da Silva, 30 anos. Grávida de 7 meses, moradora de Ceilândia, ela tem dois filhos, e é o salário de auxiliar de limpeza que garante o sustento da família. “Trabalhamos sob pressão e com o psicológico abalado. Vou tirar licença-maternidade no fim de maio e será que meu emprego estará aqui quando eu voltar?”, questiona.

A mesma ansiedade vive a colega de trabalho, Patrícia Alves, 35, que trabalha na área de limpeza há quatro anos. Moradora da Cidade Ocidental e mãe de dois filhos, ela está abalada. “Meu marido faz alguns bicos, mas não tem carteira assinada e a gente fica nessa insegurança de amanhã não estar mais empregada”, conta.

Alguns motoristas cumprem aviso-prévio e as áreas de portaria, jardinagem, vigilância e copa também se preparam para demitir funcionários. Porteiro da Faculdade de Saúde há seis anos, Carlos José da Silva, 53, tirava uma renda extra com vendas. Mas, desde o fim do ano passado, a chefia o transferiu do horário noturno para o matutino. “Essas demissões nos deixam inseguros. Vivemos em meio a tanta incerteza que não dá para assumir nenhum compromisso”, lamenta.

 

Coordenadora financeira do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Maria do Socorro Oliveira afirma que a entidade representativa de classe discute com a Reitoria alternativas de contrato junto às empresas para que se possa manter o número de servidores e evitar a demissões. “Para isso, se tiver que discutir diminuição dos lucros das empresas, nós vamos fazer. Os trabalhadores têm, geralmente, contratos anuais. São pais e mães de família, a maioria mulheres, que recebem um salário muito baixo e só conseguem manter a casa com essa renda.”

 

Dayanne e Patrícia são auxiliares de limpeza e estão apreensivas (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

 

A reitora Márcia Abrahão destacou a necessidade de reduzir os contratos, mas frisou que, nem sempre, os cortes se referem a servidores terceirizados. “Estamos trabalhando, por exemplo, para diminuir a conta de luz. Precisamos reduzir os contratos em cerca de 16%. Aproveito para fazer um apelo às empresas, que façam como fizemos no RU: repactuamos o contrato e conseguimos uma redução de 15% sem nenhuma demissão.”

Alunos afetados

Os universitários que fazem estágio em algum departamento na instituição também convivem com a incerteza. Os contratos são mantidos pela Fundação Universidade de Brasília (FUB), mas, até o fim do mês, podem passar para a ser de responsabilidade de cada departamento. Assim, o quadro de 1,1 mil estagiários pode ser reduzido.

Estudante do 5º semestre de farmácia, Luana Borges, 19 anos, atua no Museu de Anatomia Humana da Faculdade de Medicina e está apreensiva com a possibilidade de corte. Ela estagia na UnB há 11 meses e ajustou a carga horária das disciplinas conforme o horário do trabalho. “As atividades nos fazem refletir sobre o que aprendemos em sala de aula. Além do mais, vamos sofrer um impacto, porque vai ser difícil cada departamento arcar com os estagiários”, observa.

 

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PSOL pede que STF investigue páginas bolsonaristas deletadas pelo Facebook

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Partido quer que as contas, usadas para enganar usuários do Facebook, sejam incluídas no inquérito das fake news

(Banco de Imagens/AP Images)

Parlamentares da bancada do PSOL na Câmara ingressaram com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro Alexandre de Moraes inclua nas investigações do inquérito que apura a disseminação de fake news, os fatos apurados pelo Facebook para deletar 88 páginas bolsonaristas da plataforma nessa quarta-feira. O partido solicita ainda que os administradores associados a elas sejam responsabilizados.

As contas, páginas e grupos na rede social eram ligados a funcionários dos gabinetes do presidente da República, Jair Bolsonaro, parlamentares da base de apoio, e aos filhos: o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos – RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O conteúdo publicado por essas contas era favorável ao presidente.

Na decisão de apagar as contas, a plataforma considerou que elas enganavam os usuários, já que os administradores usavam identidades falsas na rede e fingiam ser veículos de imprensa. Entre as publicações, havia conteúdos de ataque ao STF, além de ataques a adversários políticos de Bolsonaro e discurso de ódio. Por isso, os deputados querem que as informações apuradas pela rede social para determinar a exclusão das contas sejam parte da investigação na corte.

O grupo de deputados ainda solicitou ao ministro a busca e apreensão de provas e indícios que liguem as contas extintas ao objeto do inquérito, “diante da possibilidade de ocultamento e destruição de provas”.

No Supremo, a rede de blogueiros, empresários e deputados bolsonaristas, que seriam articulados por pelo vereador Carlos Bolsonaro, já foi alvo de buscas no âmbito do inquérito das fake news, que também apura ataques à corte. A investigação tramita sob sigilo e o relator é Alexandre de Moraes.

 

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Mourão pede recursos para Amazônia, mas investidores cobram resultados

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Após reunião com representantes de fundos estrangeiros, vice-presidente afirmou que investidores querem resultados antes de se comprometer

 “Vice-presidente Hamilton Mourão: “Eles querem ver resultados e os resultados que podemos apresentar é que haja redução do desmatamento” (Adnilton Farias/Flickr)

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta quinta-feira que os investidores internacionais querem “ver resultados” na área ambiental para destinarem recursos para o Brasil. Após reunião com representantes de fundos estrangeiros, Mourão disse que eles não se comprometeram com investimentos.

“Eles querem ver resultados e os resultados que podemos apresentar é que haja redução do desmatamento”, afirmou. “A ideia é que até 2022, dentro do governo do presidente Jair Bolsonaro, vamos pouco a pouco arrinconando esses que cometem ilegalidades para chegar a um número de desmatamento aceitável”, completou.

Mourão ressaltou que o Brasil tem 84% da Floresta Amazônica preservada e não precisa derrubar “nem uma árvore a mais”. De acordo com o vice-presidente, foram retomadas conversas com dois grandes doadores do Fundo Amazônia, Noruega e Alemanha, e o Brasil aguarda uma resposta em relação às ações apresentadas para combate ao desmatamento.

“Uma vez que consigamos apresentar dados consistentes, os recursos serão novamente abertos a projetos para a Amazônia. Não há prazo, mas nossa visão é que, conseguindo apresentar no segundo semestre um resultado positivo em relação às queimadas, podemos dizer que estamos cumprindo nossa parte, agora podem cumprir a de vocês”, acrescentou.

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Salles diz que proibição de queimadas entra em vigor na próxima semana

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Decreto proibirá queimadas em todo o país por 120 dias; governo tem tentado convencer investidores de que está trabalhando para redução do desmatamento

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Com covid, Bolsonaro tem rotina com cloroquina, videochamadas e isolamento

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“Estou me sentindo muito bem”, disse Bolsonaro ao comentar que está tomando hidroxicloroquina, remédio que não tem eficácia comprovada contra a covid-19

Bolsonaro: presidente passou meses minimizado a pandemia e contrariando recomendações médicas (Adriano Machado/Reuters)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira que teve resultado positivo em teste para covid-19, após passar meses minimizado a pandemia e contrariando recomendações de especialistas, mas afirmou estar se sentindo bem depois de sofrer os primeiros sintomas no fim de semana e de ter ficado mal na segunda-feira.

“Todo mundo sabia que ele (vírus) mais cedo ou mais tarde iria atingir uma parte considerável da população, como tem muita gente… eu, por exemplo, se eu não tivesse feito o exame não saberia do resultado, e ele acabou de dar positivo”, disse Bolsonaro em entrevista transmitida ao vivo por algumas emissoras convidadas para uma entrevista no Palácio da Alvorada.

Bolsonaro, de 65 anos, realizou o teste na segunda-feira, depois de começar a ter sintomas leves no domingo. Na segunda-feira, Bolsonaro teve dor no corpo e febre de 38 graus, e disse a apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, que tinha ido ao Hospital das Forças Armadas fazer uma radiografia de pulmão, que não revelou nenhum problema.

Bolsonaro também fez questão de informar, mesmo antes do resultado do exame, que já havia começado a tomar hidroxicloroquina, medicamente contra malária que não tem comprovação de eficácia contra a Covid-19, mas é defendido pelo presidente.

Nesta terça, Bolsonaro confirmou que tomou uma primeira dose do medicamento, associado ao antibiótico azitromicina, na noite de segunda, e uma nova dose às 5h desta terça. No fim da tarde, Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais tomando uma terceira dose do medicamento.

“Estou tomando aqui a terceira dose da hidroxicloroquina. Estou me sentindo muito bem, estava mais ou menos no domingo, mal na segunda-feira, hoje, terça, estou muito melhor do que sábado, então, com toda certeza, está dando certo”, disse Bolsonaro no vídeo.

“Sabemos que hoje em dia existem outros remédios que podem ajudar a combater o coronavírus, sabemos que nenhum tem sua eficácia cientificamente comprovada, mas mais uma pessoa que está dando certo, então eu confio na hidroxicloroquina”, acrescentou.

Durante a entrevista no Palácio da Alvorada, Bolsonaro chegou a se afastar um pouco dos repórteres para tirar a máscara que usava para mostrar que estava bem.

A agenda presencial do presidente foi cancelada esta semana, inclusive duas viagens previstas para sexta e sábado. Segundo ele, vai seguir o protocolo de distanciamento e manter as agendas por videoconferência.

Bolsonaro afirmou ainda que o resultado não o surpreendeu. “Eu confesso que de fato achava que já tinha pego lá atrás, devido à minha atividade muito dinâmica frente à população”, disse. “Achava que tivesse contraído e não tivesse percebido.”

O presidente foi frequentemente criticado por se expor e incentivar aglomerações, além de andar sem máscaras. Desde o início da epidemia, Bolsonaro frequentou várias vezes manifestações a favor de seu governo, foi a farmácias, visitou cidades-satélites e, recentemente, esteve em um posto da Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais. Na maior parte das vezes, sem usar máscaras.

Por mais de uma vez, o presidente menosprezou os riscos da epidemia, que chegou a chamar de “gripezinha”.

Na entrevista em que revelou estar também contaminado, voltou a afirmar que houve um “superdimensionamento” e mais uma vez defendeu que é preciso colocar a economia do país para rodar.

“No meu entender houve superdimensionamento. Sabemos da fatalidade do vírus para aqueles que tem uma certa idade, como eu acima de 65 anos, bem como aqueles que tem comorbidade, tem doenças, outros problemas. Nisso o vírus poderia ser decisivo e levar a óbito. Todo mundo sabia disso”, disse.

“O isolamento foi horizontal, todo mundo ficou em casa, uma obrigação. Medidas outras, no meu entender, exageradas ou não, levou um certo pânico à sociedade no tocante ao vírus”, acrescentou.

Apesar das medidas adotadas por governadores e prefeitos para tentar frear a disseminação do coronavírus no país, o Brasil chegou nesta terça-feira a 1.668.589 casos confirmados de Covid-19, com 66.741 mortos.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) alertou que o caso de Bolsonaro demonstra necessidade de fortalecer as medidas de combate à doença no Brasil.

“A mensagem é que o vírus é imprevisível e não respeita raça, classe ou pessoas no poder, apesar da segurança ao redor de qualquer presidente”, disse o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, em entrevista coletiva por videoconferência.

Segundo ele, a confirmação do caso de Covid-19 do presidente mostra que o Brasil precisa reforçar a implementação das recomendações de distanciamento social e do uso de máscara para mitigar a disseminação do coronavírus.

Contatos

Desde a sexta-feira, dois dias antes de apresentar os primeiros sintomas da Covid-19, o presidente teve oficialmente contato com pelo menos duas dezenas de pessoas, de acordo com suas agendas, além de um número não calculado de assessores e assistentes.

Na lista de pessoas que estiveram com Bolsonaro recentemente estão, por exemplo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que almoçou com ele no Palácio da Alvorada. Estavam também no encontro organizado por Skaf, entre outros, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Francisco Gomes, da Embraer, Rubens Ometto, da Cosan, e Lorival Nogueira, da BRF.

No sábado pela manhã, Bolsonaro sobrevoou rapidamente áreas atingidas pelo ciclone em Santa Catarina. Ao chegar a Florianópolis, foi recebido pela vice-governadora Daniela Reinehr, além dos senadores Dário Berger (MDB), Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PL).

O presidente também participou no mesmo dia de almoço na residência oficial do embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Todd Chapman, para comemorar a independência dos EUA. No encontro, além de vários servidores da embaixada, estavam os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), além do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Em uma foto divulgada pelas redes sociais, ninguém no encontro usava máscaras. A embaixada informou nesta terça-feira via Twitter que o embaixador e sua esposa “testaram negativo e permanecerão em casa em quarentena”. Segundo o tuíte, a embaixada está avaliando toda a equipe que pode ter sido exposta à Covid-19.

Na segunda, mesmo depois dos sintomas, Bolsonaro se reuniu novamente por várias vezes com Braga Netto e Ramos, e também com o ministro da Economia, Paulo Guedes, além de outros membros do governo.

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Flávio Bolsonaro depõe pela 1ª vez ao MP do Rio sobre caso das rachadinhas

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Por videoconferência, o senador Flávio Bolsonaro prestou seu primeiro depoimento mais de um ano e meio depois que o caso das rachadinhas veio à tona

Flávio: o ex-assessor Fabrício Queiroz movimentou cerca de 1,2 milhão de reais em suas contas (Pedro França/Agência Senado/Flickr)

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) prestou depoimento nesta terça-feira no âmbito das investigações sobre a rachadinha da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mais de um ano e meio depois que o caso veio à tona.

A defesa do senador disse que “o depoimento atende a pedido feito pela defesa, que quer restabelecer a verdade” e reafirma que Flávio Bolsonaro “não praticou qualquer irregularidade e que confia na Justiça”.

Os detalhes da oitiva por videoconferência não foram revelados. “As investigações seguem sob sigilo”, informou o Ministério Público do Rio.

A defesa do senador revelou ainda que após o depoimento desta terça-feira, a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, não será mais ouvida pelo MP.

O caso da rachadinha da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro surgiu no fim de 2018, durante a operação Furna da Onça, da Lava Jato. Relatórios do antigo Coaf identificaram movimentações financeiras atípicas em mais de 20 gabinetes da Alerj. Pelas contas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, passaram cerca de 1,2 milhão de reais. Queiroz foi preso mês passado em Atibaia (SP) e segue preso no complexo de Bangu, na zona oeste do Rio.

Um pedido de habeas corpus já foi negado pelo Tribunal de Justiça do Rio que encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a solicitação da defesa do ex-assessor. A mulher de Queiroz está com prisão decretada e segue foragida.

 

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Com críticas, Celso de Mello arquiva notícia-crime contra general Heleno

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O ministro do STF afirmou que as declarações do general Heleno foram “surpreendentes e inaceitáveis” e que demonstram descaso pelas instituições

Heleno: ministro se manifestou contra a apreensão do celular de Bolsonaro (Adriano Machado/Reuters)

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a notícia-crime contra o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, mas classificou as declarações de Heleno como uma ameaça, chamou-as de “surpreendentes e inaceitáveis” e disse que o ministro mostrou descaso pelas instituições.

Há cerca de dois meses, Heleno publicou uma nota crítica à possibilidade de apreensão dos celulares do presidente Jair Bolsonaro dentro do inquérito que investiga a suposta interferência na Polícia Federal. No texto, Heleno afirmava que o pedido era uma “afronta” e poderia haver “consequências imprevisíveis” no caso de uma apreensão se confirmar.

“A resposta do Sr. ministro Heleno transborda as balizas do ordenamento jurídico, na medida em que há verdadeira ameaça ao adequado funcionamento do órgão máximo de um Poder constituído. Afinal, ninguém sabe o que esconde o termo ‘consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional’”, escreveu o ministro.

A nota foi feita depois que o ministro do STF encaminhou à Procuradoria-Geral da República, para que fosse feito um parecer, um pedido de parlamentares para apreensão do celular do presidente. A medida é praxe e foi negada pela PGR e pelo próprio ministro.

Celso de Mello disse ainda que a declaração de Heleno parece “prenunciar ensaios de retomada de práticas estranhas (e lesivas) à ordem constitucional” e que a história mostra que esse tipo de “insurgências” “culminam por afetar e minimizar a legitimidade do poder civil e fragilizar as instituições democráticas, ao mesmo tempo em que desrespeitam a autoridade suprema da Constituição e das leis da República e agridem o regime das liberdades fundamentais”.

A queixa-crime contra Heleno foi apresentada à PGR por um grupo de parlamentares de oposição, que considerou infrações à Lei de Segurança Nacional e a existência de crime de responsabilidade.

Ao arquivar o pedido, Celso de Mello acatou o parecer da PGR, considerando que apenas a Procuradoria pode abrir ações penais contra ministros de Estado. Segundo o ministro, não cabe ao STF determinar a instauração de inquérito por iniciativa de terceiros, sem a iniciativa do Ministério Público.

O ministro ressaltou, no entanto, que a notícia-crime serviu ao propósito e que foi informado pelo procurador-geral, Augusto Aras, que a PGR já determinou uma apuração preliminar sobre a conduta de Heleno.

“Desse modo, ciente dos fatos comunicados pelos senhores congressistas noticiantes, cabe ao Ministério Público Federal adotar, com exclusividade, as providências que entender pertinentes, seja no que se refere à suposta prática de crimes comuns, seja no que concerne ao alegado cometimento de crime de responsabilidade por parte do ora noticiado”, escreveu o ministro.

 

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