O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defende que deve acabar a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem cortar salários. Ele acredita que o Brasil já está pronto para essa mudança, que atende a um desejo dos trabalhadores de terem mais tempo para a família, estudos, cultura e lazer.
Pela manhã, Marinho participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo chamada “6×1 Não! Uma nova jornada pela vida e trabalho”. O evento teve a presença de representantes sindicais, especialistas e líderes sociais. O ministro ressaltou que trabalhar muitas horas causa desgaste físico e mental, acidentes e faltas ao trabalho. Ele lembrou que o Brasil tem 48 milhões de trabalhadores com carteira assinada e que a maioria já trabalha na escala 5×2.
Marinho afirmou que as pessoas querem mais tempo para si mesmas, para a família, para estudar, para a cultura e para o lazer. Ele destacou que a aprovação do projeto de lei no Congresso é importante e que acabar com a escala 6×1 é não só uma escolha cultural, mas também uma necessidade financeira.
Sindicalistas também apoiaram a ideia. A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, disse que reduzir a jornada é uma luta antiga, principalmente para quem ganha menos e para as mulheres. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges Júnior, afirmou que é um direito dos trabalhadores que fazem a riqueza do país. Elisabete dos Santos Cordeiro, presidente do Sinthoresp, falou sobre o impacto das horas extras e a necessidade de mais dias de descanso. Raimundo Suzart, presidente da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo, defendeu a redução da jornada junto com o fim da escala 6×1.
À tarde, o ministro conversou com empresários do setor de asseio e conservação, representados pelo sindicato da categoria. O presidente do sindicato, Rui Monteiro, valorizou o diálogo. Marinho reconheceu os impactos para as empresas, mas disse que o equilíbrio pode ser alcançado com mais produtividade. Segundo ele, a juventude rejeita trabalhar seis dias por semana e os prós e contras se equilibram.
Na reunião, também foram discutidas mudanças em uma norma regulamentadora que trata dos riscos psicossociais e o cumprimento da Lei de Cotas, que exige que empresas com 100 ou mais funcionários reservem de 2% a 5% dos cargos para pessoas reabilitadas ou com deficiência. O ministro mostrou apoio ao setor nesses temas.
