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FBI intensifica repressão a milícias antes da posse de Biden

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Analistas alertam que a retórica divisiva de Trump alimenta essas facções. Capitólio é esvaziado após alarme falso

(crédito: AFP / Mathieu Lewis-Rolland)

A poucas horas da posse do democrata Joe Biden e do fim do governo do republicano Donald Trump, a capital, Washington, e as principais cidades dos Estados Unidos reforçaram a segurança, ante o temor de protestos violentos. O FBI (a polícia federal norte-americana) ampliou as investigações sobre a participação das milícias Oath Keepers (“Guardiões do Juramento”), Three Percenters (“Três Porcento”) e Proud Boys (“Garotos Orgulhosos”) na invasão ao Capitólio, no último dia 6, e alertaram que seguidores do magnata preparam manifestações armadas nos 50 estados. Na tarde de domingo, John Schaffer, 52 anos, entregou-se aos agentes depois de ser fotografado, no Congresso, usando um chapéu com a frase “Oath Keepers Lifetime Member” (“Membro vitalício do Oath Keepers”). No mesmo dia, Robert Gieswein, 24, integrante do Three Percenters, foi indiciado pelo ataque. Enquanto isso, membros do grupo Boogaloo Boys, ávidos por uma segunda Guerra Civil Americana, brandiram armas nas ruas de Salem (Oregon) e Richmond (Virgínia).

Apesar de contrária ao governo, a maioria das milícias de extrema-direita se alimentou do discurso de Trump. Os seus integrantes estampam a bandeira dos EUA com orgulho e disseminam teorias conspiratórias e fake news. Especialistas admitiram ao Correio que os grupos armados se impõem como ameaça à democracia. O medo de simpatizantes do republicano sabotarem a posse de Biden levou ao isolamento da Casa Branca e do Capitólio com arame e concreto. Mais de 20 mil membros da Guarda Nacional vigiam Washington. Um ensaio da cerimônia foi interrompido, ontem, por um “incidente de segurança”. Testemunhas relataram fumaça em área próxima ao Congresso. Após o prédio ser esvaziado, as autoridades anunciaram alarme falso.

Professor da Faculdade de Preparação para Emergências, Segurança Interna e Cibersegurança da Universidade de Albany (Nova York) e autor de Oath Keepers — Patriotism and the edge of violence in a right-wing antigovernment group (“Oath Keepers — Patriotismo e o limite da violência em um grupo antigoverno de direita”), Sam Jackson atribuiu a milícias de extrema-direita a principal ameaça contra a democracia. “São um risco aos valores da democracia deliberativa pacífica. Elas insistem que a política dos EUA está falida, que as eleições não funcionam e que o sistema é fraudado”, explica ao Correio.

De acordo com Jackson, as milícias operam dentro de salvaguardas da Primeira e da Segunda Emenda, que versam sobre a liberdade de expressão e o porte de armas. “A compreensão que elas têm em torno das garantias constitucionais não importa de uma perspectiva legal. É verdade que muitos estados nos EUA têm leis ou disposições constitucionais que proíbem organizações paramilitares desprovidas de vínculos com o governo”, afirma.

“As milícias promovem narrativas de conspiração que deslegitimam o processo democrático e o governo”, admite Arie Perliger — professor da Faculdade de Criminologia da University of Massachusetts Lowell e autor de American zealots: Inside right-wing domestic terrorism (“Zelotes americanos: Por dentro do terrorismo doméstico de direita”). Segundo ele, as facções usam as mídias sociais para ampliar a capacidade operacional a todo o território norte-americano. Em 2013, Stewart Rhodes, líder da Oath Keepers, externou a intenção de espalhar “tropas” pelo país para fornecer segurança “durante crises”. “A presença de policiais e de veteranos nas milícias lhes proporciona acesso à experiência militar e facilita a apresentação como se fossem patriotas”, acrescentou Perliger.

Richard Fontaine, diretor do Center for a New American Security, em Washington, lembra ao Correio que grupos domésticos têm matado mais nos EUA do que facções terroristas, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. “A combinação de incitamento, violência e ilegalidade vista no ataque ao Capitólio pôs em xeque a democracia americana.” Ele diz que as milícias se valem de um ecossistema de comunicações, no qual atores-chave circulam teorias da conspiração, disseminam desinformação, expressam queixas e se organizam. Hoje, na véspera de deixar a Casa Branca antes da posse de Biden, Trump deve anunciar mais de 100 perdões.

FBI indicia filho de brasileiros

 (crédito: Facebook/Reprodução)

crédito: Facebook/Reprodução.

A mensagem foi deixada por Samuel Camargo, 26 anos, em seu perfil no Facebook, à 1h54 de 7 de janeiro, apenas algumas horas depois da invasão ao Capitólio. “A todos os meus amigos, familiares e às pessoas dos Estados Unidos. Peço desculpas por minhas ações, hoje, no Capitólio, em D.C. Estive envolvido nos eventos que ocorreram hoje cedo. Sairei de todas as mídias sociais em um futuro próximo e cooperarei com todas as investigações que possam surgir sobre meu envolvimento. Lamento a todas as pessoas que decepcionei, pois isso não é o que sou nem o que eu defendo”, escreveu Camargo, que é filho de brasileiros, nasceu em Boston e vive em Fort Myers (Flórida). Às 15h57 do dia seguinte, ele publicou na rede social: “Acabei de falar com um agente do FBI (polícia federal americana). Acho que fui inocentado)”. Centenas de pessoas o criticaram e o ofenderam ao responderem a publicação.

Camargo foi indiciado pelo FBI por obstruir o trabalho das forças de segurança; invadir área restrita sem permissão; cometer violência física contra pessoas ou propriedades em áreas restritas; e por adotar uma conduta desordenada ou perturbadora para interromper uma sessão do Congresso. Testemunhas contaram ter visto o homem em diferentes momentos da marcha que antecedeu a invasão e em meio aos distúrbios no Capitólio. Ele teria posado para foto, no Instagram, ao lado de um “pedaço de metal” do prédio do Congresso, o qual teria sido retirado como recordação. O Correio tentou entrevistar amigos e familiares de Camargo, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Pontos de vista

 (crédito: Arquivo pessoal)

crédito: Arquivo pessoal.

Por Sam Jackson

Contrários ao governo
“Existe amplo movimento de pessoas nos EUA que veem o governo como problemático; que têm compreensão absolutista dos direitos de usar armas de fogo. É importante ver o continuum na extrema-direita, que inclui grupos que planejam a violência proativa e a defensiva. As milícias Oath Keepers e Three Percenters são favoráveis a Trump, mas não ao establishment. A percepção é de que o governo significa uma ameaça aos americanos.”

Professor da Faculdade de Preparação para Emergências, Segurança Interna e Cibersegurança da Universidade de Albany (Nova York)

Por Arie Perliger

Supremacia branca e antissemitismo
“O ethos do movimento das milícias de extrema-direita foi dominado, em seus primeiros anos, pela crença na ‘Nova Ordem Mundial’, em que o governo é visto como entidade sequestrada por ‘forças’ estrangeiras que visam promover a fusão dos EUA em Nações Unidas ou outra versão de governança global. Essas teorias da conspiração foram fundidas em ideias nativistas e antiglobalistas. No início da década de 1990, líderes de milícias adotaram a supremacia branca e antissemitismo.”

Professor da Faculdade de Criminologia e de Estudos da Justiça da University of Massachusetts Lowell

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Como o Chile se tornou o 7º país com a maior taxa de vacinação contra covid-19 do mundo

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De acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde do país, 2.375.725 pessoas foram imunizadas no Chile contra a covid-19 até o dia 16 de fevereiro

Getty Images
O Chile começou sua campanha de vacinação em massa no dia 03 de fevereiro

Na primeira semana da campanha de vacinação em massa contra covid-19 em idosos, o Chile já havia ultrapassado o marco de um milhão de pessoas imunizadas.

A meta do governo chileno é vacinar os maiores de 65 anos antes de 19 de fevereiro para que toda a população que faz parte do grupo de risco — incluindo pacientes crônicos e profissionais de saúde — seja imunizada no primeiro trimestre de 2021, de modo a vacinar 15 milhões dos 19 milhões de habitantes do país até julho.

Em meados de 2020, o governo chileno enfrentou fortes questionamentos em relação à gestão da pandemia, à medida que o país registrava as maiores taxas de infecção por covid-19. Mas agora está sendo aplaudido por seu plano de vacinação. A campanha é gratuita e voluntária.

De acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde do país, 2.375.725 pessoas foram imunizadas no Chile contra a covid-19 até o dia 16 de fevereiro.

Até a última sexta-feira (19), o país havia administrado 15,03 doses da vacina para cada 100 habitantes — segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Número muito superior às 3,07 doses no Brasil, 1,48 na Argentina e 1,22 no México.

O desempenho até agora coloca o país como líder latino-americano e 7º no ranking mundial de taxa de vacinação contra a doença, liderado por Israel (82,40).

Mas como o Chile alcançou esse resultado?

De acordo com Luis F. López-Calva, diretor regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da América Latina e Caribe, para que uma campanha de vacinação seja bem-sucedida, três fatores importantes devem ser levados em consideração: primeiramente, dispor de recursos financeiros para adquirir as vacinas; segundo, ter uma boa estratégia para distribuir as doses e, finalmente, ter capacidade institucional e estrutura governamental para implementá-la.

“Essas três características foram bem atendidas no caso do Chile”, afirmou López-Calva à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Campanha de vacinação em massa no Chile

Getty Images A campanha de imunização no Chile é gratuita e voluntária

Compra antecipada de vacinas e diversificação

O Chile agiu rapidamente e logo assinou acordos com diferentes desenvolvedores de vacinas contra covid-19.

Até agora, o país já garantiu mais de 35 milhões de doses de vacinas, das quais 10 milhões são da empresa americana Pfizer-BioNTech, outras 10 milhões da chinesa Sinovac e o restante da AstraZeneca, da Johnson & Johnson e do consórcio Covax, iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir o acesso universal à vacina.

Além disso, está em meio a negociações para comprar doses da vacina russa Sputnik V, que em breve poderá garantir as duas doses necessárias da vacina para toda a população.

O país também foi o primeiro da América do Sul a iniciar a vacinação contra o covid-19.

As autoridades começaram a imunizar os profissionais de saúde da linha de frente em 24 de dezembro com as doses fornecidas pela Pfizer/BioNTech, às quais se somaram as do laboratório chinês Sinovac na campanha de vacinação em massa que começou no dia 03 de fevereiro.

Para isso, é preciso levar em conta que o Chile dispõe de recursos para obter a vacina. Membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), possui um dos maiores PIB per capita da região, embora também deva ser levado em consideração que apresenta uma taxa de desigualdade superior à média da OCDE.

Segundo López-Calva, “a compra das vacinas foi prevista com bastante tempo, houve um bom planejamento”.

“E a ideia era priorizar: primeiro os profissionais de saúde, depois os idosos — para os quais o Chile adquiriu um número significativo de doses da Pfizer — e depois ter vacinas de outras empresas farmacêuticas para o resto da população”.

Broches para pessoas já vacinadas

Getty Images O Chile optou por uma estratégia de diversificação na compra de vacinas

Nesse sentido, López-Calva acredita que foi importante apostar na diversificação na hora da compra, diferentemente de alguns países de alta renda, por exemplo, que apostam apenas nas vacinas ocidentais.

“A diversificação de desenvolvedores tem sido muito importante porque o mercado está muito distorcido e a oferta muito limitada. Alguns países optaram por um ou outro e só recentemente estão tentando diversificar”, afirmou o diretor regional do PNUD.

Colaboração científico-clínica

Para Alexis Kalergis, acadêmico da Universidad Católica de Chile e diretor do Instituto Millennium de Imunologia e Imunoterapia, a colaboração científico-clínica foi fundamental para alcançar alguns dos acordos.

“Foi estabelecido um acordo de colaboração acadêmica-científica entre a Universidade Católica e a Sinovac, que visa o desenvolvimento recíproco e colaborativo de vacinas contra a SARS-CoV-2, por meio de estudos científicos e clínicos”, explica Kalergis à BBC News Mundo.

“Este acordo deu origem a algo muito importante, que foi a possibilidade de acesso prioritário e preferencial a um fornecimento de doses para uso no Chile, uma vez aprovado pelos respectivos órgãos reguladores”.

“Este direito obtido pela Universidade Católica foi transferido 100% para o Estado do Chile por meio de um convênio entre a Universidade Católica e o Ministério da Saúde. O que permitiu ao nosso país poder garantir um fornecimento antecipado e prioritário de doses para os próximos meses”, acrescenta.

Capacidade institucional e coordenação

O Chile também possui uma sólida rede de atendimento primária, por meio da qual já são realizadas outras campanhas anuais de vacinação, afirma a jornalista Paula Molina.

Segundo ela, tanto essa rede robusta quanto a experiência em campanhas de vacinação têm facilitado a logística. E em relação a isso, o Chile tem uma vantagem.

“Temos uma população pequena e ela está muito concentrada na região metropolitana (Santiago)”, diz Molina.

Além da capacidade institucional em termos de centros de saúde, López-Calva também destaca a utilização de recursos materiais e humanos existentes para acelerar o ritmo da vacinação.

Assim, estádios, centros educacionais e esportivos foram transformados em postos de vacinação, e todo profissional de saúde capacitado — como dentistas e parteiras — foi chamado para realizar a vacinação.

“É uma estratégia que tem funcionado bem e acho que outros países podem aprender com ela”, avalia o diretor regional do PNUD.

Nesse sentido, a colaboração entre os diferentes níveis de governo tem sido fundamental.

“Tem havido uma coordenação do governo central mas com muita intervenção dos governos regionais, dos governos locais, viabilizando espaços ao ar livre, ginásios, estádios, para poder haver mais postos de vacinação.”

Segundo López-Calva, em estruturas mais descentralizadas, onde os governos locais têm mais autonomia, como no Brasil ou no México, esse tipo de estratégia e planejamento leva mais tempo.

Contra o ‘turismo das vacinas’.

As autoridades chilenas retificaram o plano inicial de vacinação divulgado pelo Ministério da Saúde e anunciaram na semana passada que não vão vacinar estrangeiros não residentes no país contra a covid-19, com o objetivo de evitar o chamado “turismo das vacinas”.

“Os estrangeiros que estão no país com visto de turista (…), ou aqueles que se encontram de forma irregular, não terão direito de se vacinar no Chile”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Andrés Allamand.

Para ter acesso à imunização, é necessário ter nacionalidade chilena, permanência ou residência no país, ou, na ausência disso, uma solicitação de visto em andamento, esclareceu o chanceler.

“O que se tenta evitar é o turismo da vacina, não se trata de não vacinar estrangeiros, mas de não vacinar pessoas com visto de turista”, diz López-Calva a respeito do anúncio chileno.

Pelo novo decreto, todos os migrantes em situação irregular também são excluídos da campanha de vacinação, o que deixa sem vacina os milhares de estrangeiros que entraram no país nas últimas semanas pela fronteira ao norte com a Bolívia — e que estão em quarentena preventiva.

 

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EUA distribuirão 25 milhões de máscaras contra a covid-19

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As máscaras serão de tecido lavável de alta qualidade e serão distribuídas gratuitamente, informou a Casa Branca em um comunicado

(crédito: Michael loccisano / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

O governo do presidente Joe Biden planeja distribuir 25 milhões de máscaras contra a covid-19 a partir do próximo mês como parte dos esforços para derrotar a pandemia, afirmou um alto funcionário americano nesta quarta-feira (24).

Em março começaremos a entregar milhões de máscaras aos bancos de alimentos e centros comunitários de saúde de todo o país”, disse o coordenador de resposta ao coronavírus da Casa Branca, Jieff Zients.

“Entregaremos mais de 25 milhões de máscaras em todo o país, essas máscaras estarão disponíveis em mais de 1.300 centros de saúde comunitários e 60.000 bancos de alimentos em nível nacional”, explicou.

As máscaras serão de tecido lavável de alta qualidade e serão distribuídas gratuitamente, informou a Casa Branca em um comunicado.

“Realmente acreditamos que esta política tem muito sentido porque permite a distribuição de máscaras para pessoas que em algumas situações não conseguem encontrá-las ou pagar por elas”, explicou Zients.

Os centros de saúde comunitários são clínicas para pacientes ambulatórios que prestam serviços em áreas de recursos escassos.

Dois terços das pessoas atendidas por esses centros vivem na pobreza, 60% são minorias raciais e quase 1,4 milhão não têm casa, de acordo com o comunicado.

Os beneficiários do programa, que custa 86 milhões de dólares, poderão receber duas máscaras por pessoa em sua residência.

De acordo com a última diretiva do Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC), a agência federal de vigilância da saúde pública, usar uma máscara de tecido por cima de uma máscara cirúrgica é uma boa combinação, já que melhora tanto o ajuste quanto os níveles de filtração.

O uso de máscaras nos Estados Unidos foi muito politizado durante o recente governo de Donald Trump e o presidente republicano raramente aparecia em público usando uma.

Quando assumiu o cargo, o democrata Biden pediu aos americanos que as usassem durante 100 dias. “Não é uma declaração política, é um dever patriótico”, disse.

Ele também impôs seu uso em estabelecimentos federais e meios de transporte interestaduais.

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Chinês é condenado a indenizar ex-mulher por trabalhos domésticos

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A mulher receberá 50 mil yuans (cerca de R$ 41,8 mil) por cinco anos de trabalho não remunerado

Em uma decisão histórica na China, um tribunal de Pequim ordenou que um homem indenize sua agora ex-mulher pelo trabalho doméstico que ela realizou durante o casamento.

A mulher receberá 50 mil yuans (cerca de R$ 41,8 mil) por cinco anos de trabalho não remunerado.

A decisão, que tem despertado amplas discussões em redes sociais, ocorre após a entrada em vigor de um novo código civil na China.

De acordo com os autos do tribunal, o homem identificado pelo sobrenome Chen pediu o divórcio no ano passado. Ele e a esposa, de sobrenome Wang, haviam se casado em 2015.

Ela relutou em se divorciar no início, mas depois pediu uma compensação financeira, argumentando que Chen não tinha assumido nenhuma responsabilidade doméstica, como cuidar do filho do casal.

O Tribunal Distrital de Fangshan, em Pequim, decidiu a favor da mulher, ordenando que o homem pagasse sua pensão alimentícia mensal de 2 mil yuans (cerca de R$ 1.680), bem como o pagamento único de 50 mil yuans pelas tarefas domésticas que ela realizou durante o casamento.

O juiz afirmou à imprensa, na segunda-feira (22/2), que a divisão da propriedade conjunta de um casal após o casamento geralmente envolve a divisão de bens tangíveis. “Mas o trabalho doméstico constitui um valor patrimonial intangível”, disse o magistrado.

De acordo com o novo código civil, o cônjuge tem o direito de buscar indenização em um divórcio se tiver mais responsabilidade na criação dos filhos, no cuidado de parentes idosos e na ajuda no trabalho do parceiro.

Anteriormente, os cônjuges divorciados só podiam solicitar essa compensação se um acordo pré-nupcial tivesse sido assinado — uma prática incomum na China.

Nas redes sociais, o caso gerou um debate acalorado, com uma hashtag na plataforma de microblog Weibo visualizada mais de 570 milhões de vezes.

Alguns usuários de mídia social opinaram que uma indenização de 50 mil yuans por cinco anos de trabalho doméstico era muito pouco. “Estou um pouco sem palavras, o trabalho de uma dona de casa em tempo integral está sendo subestimado. Em Pequim, contratar uma babá por um ano custa mais de 50 mil yuans”, disse um usuário.

Outros apontaram que os homens, em primeiro lugar, deveriam assumir mais tarefas domésticas.

Alguns também apelaram às mulheres para continuarem cultivando suas profissões ao casar. “Senhoras, lembrem-se de sempre ser independentes. Não desistam do trabalho depois do casamento, deem a si mesmas sua própria saída”, escreveu um usuário de mídia social.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as mulheres chinesas gastam quase quatro horas por dia em trabalho não remunerado — cerca de 2,5 vezes mais que o tempo que os homens passam realizando as mesmas tarefas.

Esse índice é mais alto do que a média nos países da OCDE, onde as mulheres passam o dobro do tempo em trabalho não remunerado em comparação com os homens.

No Brasil, uma pesquisa do IBGE divulgada em junho de 2020 apontou que as mulheres dedicam 10,4 horas por semana a mais do que os homens para trabalhos domésticos ou cuidados com pessoas (crianças ou idosos). A dedicação delas a esses serviços era de 21,4 horas semanais, contra 11 horas para os homens.

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Máscara, distanciamento social e ‘passaporte verde’: Israel inicia reabertura pós-pandemia

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Autoridades começaram a diminuir as restrições depois que a vacina da Pfizer foi considerada 95,8% eficaz

Israel começou a flexibilizar a partir deste domingo (21) o confinamento depois que estudos mostraram que a vacina contra o coronavírus da Pfizer é 95,8% eficaz na prevenção de hospitalizações e morte por covid-19.

Lojas, bibliotecas e museus podem abrir suas portas, mas será necessário o uso de máscaras e a manutenção do distanciamento social.

O Ministério da Saúde do país afirma que este é o primeiro passo para voltar à vida normal.

Israel tem a maior taxa de vacinação do mundo. Mais de 49% da população já recebeu pelo menos uma dose.

O país havia iniciado seu terceiro confinamento em 27 de dezembro, após o aumento do número de infecções.

Sob as novas regras, as pessoas agora podem ir a shoppings e visitar atrações turísticas como zoológicos.

Passaporte verde

Outros tipos de instalações, incluindo academias, hotéis e sinagogas , também podem ser reabertas.

Porém, para frequentá-los é necessário um “passaporte verde” : um atestado que só pode ser obtido após a pessoa ser vacinada.

Centro comercial

Reuters Shopping centers podem abrir suas portas ao público a partir deste domingo

 

Um pequeno número de pessoas que se recuperou do vírus e, portanto, não é elegível para a vacina, pode ter acesso ao certificado.

O passaporte é emitido pelo ministério da saúde e tem validade de seis meses , a partir de uma semana após a segunda dose.

Não são permitidos shows com grande número de pessoas e eventos esportivos foram perdidos com lotação máxima de 75%, sendo o limite máximo de 300 pessoas no ambiente interno e 500 no externo.

Apesar da flexibilização das restrições, o aeroporto de Israel ficará fechado por mais duas semanas.

No sábado (20), o Ministério da Saúde disse que estudos revelaram que o risco de doenças causadas pelo vírus caiu 95,8% entre as pessoas que receberam as duas doses da vacina Pfizer.

A pasta também informou que a vacina foi 98% eficaz na prevenção de febre ou problemas respiratórios.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse esperar que 95% dos israelenses com mais de 50 anos sejam vacinados nas próximas duas semanas.

No início da semana passada, o território palestino da Faixa de Gaza, ocupado por Israel, recebeu suas primeiras doses de vacinas depois que Israel aprovou a transferência através de sua fronteira.

Envio de vacinas a Faixa de Gaza

Getty Images Israel começou a enviar vacinas para a Faixa de Gaza. Estima-se que 5 milhões de palestinos aguardem a vacina

A remessa inclui 2 mil doses da vacina russa Sputnik V, que será usada em pacientes que receberam transplante de órgão e aqueles com insuficiência renal, disse um oficial israelense à agência de notícias Reuters.

Isso ocorre depois que o ministro da Saúde palestino chegou a um acordo com o Ministério da Saúde de Israel para vacinar 100 mil palestinos que trabalham no país.

Estima-se que 5 milhões de palestinos aguardem a vacina.

 

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Príncipe Philip responde bem ao tratamento por infecção

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Até então, nenhuma informação havia sido divulgada sobre as causas de sua internação há uma semana

(crédito: Ben STANSALL / AFP)

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, está “respondendo ao tratamento” por uma “infecção” – informou o Palácio de Buckingham nesta terça-feira (23).

Até então, nenhuma informação havia sido divulgada sobre as causas de sua internação há uma semana.

“O duque de Edimburgo permanece no hospital King Edward VII”, acrescentou o Palácio em um comunicado, informando ainda que o príncipe, de 99 anos, está “respondendo ao tratamento, mas não deve sair do hospital por vários dias”.

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Espanha volta a prorrogar limitações a chegadas do Brasil, Reino Unido e África do Sul

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A intenção é “conter na medida do possível os contágios associados” às variantes, disse a porta-voz do governo, María Jesús Montero, em coletiva de imprensa

(crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O governo espanhol anunciou nesta terça-feira (23) uma nova prorrogação, até 16 de março, das restrições impostas aos voos do Reino Unido, Brasil e África do Sul, para prevenir a propagação das variantes do coronavírus.

A intenção é “conter na medida do possível os contágios associados” às variantes, disse a porta-voz do governo, María Jesús Montero, em coletiva de imprensa.

Desse modo, a Espanha volta a prorrogar a suspensão que impôs no final de dezembro das chegadas de passageiros do Reino Unido, exceto espanhóis e residentes, pela expansão da variante britânica, mais contagiosa.

Prolonga também a estrita limitação às chegadas do Brasil e África do Sul, de onde só podem entrar passageiros com nacionalidade ou residência na Espanha e Andorra. A exceção são os passageiros em trânsito, que não podem sair do aeroporto ou permanecer mais de 24 horas.

Pelo medo das variantes detectadas na África do Sul e Brasil, o governo impôs também uma quarentena obrigatória de dez dias, ou de sete dias em caso de ter um teste negativo de covid-19, para qualquer viajante que chegar desses países.

As cepas detectadas no Reino Unido, África do Sul e Brasil preocupam a comunidade internacional que se questiona sobre sua contagiosidade e a eficácia das vacinas contra elas.

A variante britânica se espalhou na Espanha, segundo o Ministério da Saúde, com cerca de 900 casos confirmados. Um número subestimado, uma vez que as autoridades de saúde estimam que essa variante pode ser majoritária na Espanha em março.

Além disso, foram detectados seis casos da variante sul-africana e um da brasileira.

A Espanha, um dos países europeus mais afetados pela pandemia do coronavírus, contabiliza cerca de 68.000 mortes e mais de 3,1 milhões de casos notificados.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

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