Cláudia Collucci
Brasília, DF (Folhapress) – Recuperar as taxas de vacinação no Brasil tem sido um desafio que vai além de apenas garantir vacinas disponíveis. Para aumentar a cobertura, é necessário superar distâncias geográficas, reorganizar serviços, combater informações erradas, levar a vacina até as pessoas e desenvolver novas formas de cooperação dentro do SUS.
No ano passado, o Brasil voltou a figurar entre os 20 países com maior número de crianças não vacinadas no mundo, segundo o Unicef e a OMS. É urgente reverter esse cenário.
Nos dias 16 e 17 de maio, 109 casos de sucesso foram apresentados em um evento do Conass, sediado na Opas em Brasília. As soluções mostram que não existe uma única maneira de melhorar a vacinação em um país com realidades tão diferentes.
No Tocantins, a força-tarefa que controlou um surto de sarampo em uma comunidade russa em Campos Lindos mobilizou estado, município e Ministério da Saúde. Foram realizadas ações de educação, bloqueio, busca ativa e vacinação. Gisele Carvalho Luz, diretora de vigilância da Secretaria de Saúde do Tocantins, destaca que agiram rapidamente para proteger a população. Cerca de 3.000 pessoas foram vacinadas, com apenas 14 recusas. O surto terminou após 12 semanas sem novos casos.
Na região amazônica, a difícil logística foi resolvida com cooperação entre estados e municípios. O projeto “Grande Wayuri da Imunização” garantiu o abastecimento regular das cidades do sul e sudeste do Amazonas, utilizando pontos estratégicos para distribuição e aumentando a frequência de retirada de vacinas, facilitando o acesso.
O Maranhão investiu em microplanejamento para encontrar áreas com baixa vacinação. A estratégia fortaleceu a vacinação em escolas, visitas domiciliares e ampliou horários de atendimento, tornando as ações mais eficientes, conforme a coordenadora estadual Alice Figueiredo.
Em Mato Grosso, o foco foi apoiar municípios com reconhecimento para aqueles que alcançaram melhores coberturas e incentivo financeiro para ações de imunização. Além disso, unidades móveis levaram vacina para comunidades rurais e indígenas, capacitando mais de 2.000 profissionais.
Na Bahia, foram distribuídas vans de vacinação para atender comunidades com dificuldade de acesso às unidades de saúde. O sanitarista Ramon Saavedra destaca a importância de facilitar o acesso à vacina.
No Distrito Federal, a introdução do anticorpo monoclonal nirsevimabe para proteger bebês contra o vírus sincicial respiratório veio acompanhada de treinamento e organização para garantir a vacinação correta de grupos prioritários.
Minas Gerais apostou no apoio da Opas, universidades e municípios, investindo em educação, pesquisa sobre hesitação vacinal e reconhecimento aos municípios com bons resultados na vacinação infantil, segundo a diretora de vigilância Marcela Ferraz.
Nereu Henrique Mansano, do Conass, afirma que o SUS está comprometido em recuperar a vacinação em todo o país, apesar das diferenças políticas e desafios. Ele ressalta que a queda na vacinação é causada por múltiplos fatores, incluindo desinformação, dificuldades de acesso e organização dos serviços.
Segundo o Ministério da Saúde, de 16 vacinas oferecidas até 1 ano de idade, 3 atingem cobertura acima de 90% e 10 ultrapassam 80%. A vacina BCG é exemplo, voltando a alcançar 97,9% em 2025 após queda recente.
