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sábado, 18/04/2026

Estadão arrecada R$ 142 milhões com gestora investigada para administrar debêntures

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O jornal O Estado de S. Paulo levantou R$ 142,5 milhões no mercado para ajudar a equilibrar suas finanças, que acumulavam um prejuízo de R$ 159 milhões. Parte desses recursos foi administrada pela gestora Trustee DTVM, cujo controlador é o empresário Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e em outros negócios.

Antes da contratação, em março de 2024, Maurício Quadrado já enfrentava bloqueio de bens devido a investigações da Polícia Federal sobre pagamento de propina a funcionários da Caixa para liberação de empréstimos. Atualmente, ele e a Trustee são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Banco Master e um esquema de ocultação de dinheiro envolvendo adulteração de combustíveis e a facção criminosa PCC.

Prejuízo e captação

Em 2023, o Estadão enfrentava um prejuízo duas vezes maior que seu caixa. Para tentar restaurar as finanças do jornal, a direção optou por captar recursos junto a empresários em vez de buscar empréstimos com bancos. Para isso, emitiu papéis financeiros chamados debêntures, divididos em duas emissões: R$ 45 milhões em março e R$ 97,5 milhões em maio de 2024.

Função do agente fiduciário

A Trustee atuou como agente fiduciário, responsável por administrar a relação entre compradores e vendedores das debêntures. Ela monitorava pagamentos, a saúde financeira do Estadão e o uso correto dos recursos captados, além de garantir o cumprimento das regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Investidores e mudanças no conselho

Além da captação pela Trustee, o Estadão obteve outros R$ 97,5 milhões em operação privada, sem necessidade de agente fiduciário. O aporte foi feito por empresas como a Santalice Administração Ltda., ligada ao grupo Cutrale, e o Província Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, gerido pela Galápagos Capital, cujo sócio Marco Bologna passou a integrar o Conselho de Administração do jornal.

Os investidores também solicitaram a substituição do CEO do Estadão por um profissional externo à família Mesquita, que controla o jornal.

Investigações e posicionamento do Estadão

Maurício Quadrado e a Trustee são alvo de investigações por suspeitas de gestão irregular, lavagem de dinheiro e corrupção relacionadas à quebra do Banco Master e a um esquema de combustíveis fraudados operado por crime organizado.

Questionado, o CEO do Estadão, Erick Bretas, afirmou que o serviço de agente fiduciário oferecido pela Trustee é simples e comum no mercado, similar a um despachante, e que os problemas da gestora ocorreram em outras operações, não na prestação desse serviço básico. Ele destacou que a Trustee já prestou serviços para diversas empresas e que o Estadão é uma entre muitas empresas idôneas que utilizam esse tipo de serviço para emissão de debêntures.

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