O Ibovespa continua subindo, impulsionado principalmente pelo investimento estrangeiro, mesmo com investidores nacionais cautelosos devido à taxa de juros atrativa.
Bruno Takeo, especialista da Potenza, destaca que investidores internacionais ainda vêem o Brasil de forma positiva, o que pode elevar ainda mais o índice. “O estrangeiro enxerga o Brasil bem, mesmo perto da eleição”, afirma.
Segundo Bruno, o mercado internacional foca mais na política econômica do que no candidato vencedor em 2026. “Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, será a continuidade. Se houver mudança, pode melhorar.”
Gabriel Mollo, analista da Daycoval, acredita que o Ibovespa está próximo dos 200 mil pontos e pode chegar entre 220 mil e 225 mil pontos, especialmente se os atuais fatores favoráveis se mantiverem.
De acordo com Gabriel, estamos vivendo um mercado em alta desde maio de 2025, apesar da volatilidade crescente. Ele explica que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos atrai capital estrangeiro: parte vai para renda fixa e outra para a bolsa.
O aumento do preço do petróleo também ajuda, já que o mercado brasileiro tem grandes empresas petrolíferas, como a Petrobras, que valorizam o índice. Além disso, o dólar futuro mais fraco no Brasil influencia o posicionamento dos investidores.
No âmbito interno, o Brasil se destaca entre os países emergentes por apresentar crescimento econômico, baixo desemprego e inflação controlada, o que o torna um investimento mais seguro enquanto persistem incertezas globais.
Selic
Para política monetária, Gabriel prevê um corte pequeno na taxa Selic, mas acredita que o Banco Central pode pausar para avaliar os efeitos do petróleo na inflação. Se o diferencial de juros continuar alto, o investimento estrangeiro deve continuar favorecendo a bolsa.
Apesar das eleições serem um tema importante, a principal preocupação no curto prazo é o cenário fiscal. O vencedor precisará apresentar uma solução clara para a dívida pública.
Gabriel aponta uma possível mudança na indústria da bolsa caso o cenário político mude: ações da Petrobras podem cair, e investimentos podem se deslocar para setores como construção, varejo e bancos. Contudo, ele não vê uma saída total dos investidores, mas sim uma realocação interna.
O setor bancário pode sofrer com juros altos, mas isso pode ser compensado pelo aumento do spread. Já o varejo ainda deve reagir mais fortemente quando os juros começarem a cair, o que depende de menor instabilidade global.
Finalmente, mudanças no cenário internacional, como mudanças políticas nos EUA, podem aumentar a volatilidade e o risco, dificultando previsões. Mesmo assim, Gabriel resume que, apesar dos desafios, a tendência do Ibovespa é de alta e o mercado em alta permanece firme.
Estadão Conteúdo
