A defesa do empresário Francisco Emerson Maximiano entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular as quebras de sigilo bancário e fiscal determinadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Essas medidas fazem parte de uma investigação que relaciona o empresário à Reag Investimentos e ao Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro.
Os advogados argumentam que a decisão da CPI foi tomada de forma genérica e sem fundamentação detalhada para cada caso, o que consideram ilegal. O pedido feito à Justiça pede a suspensão imediata dessas medidas.
O caso está sob a relatoria do ministro Luiz Fux, que solicitou informações ao Senado antes de tomar uma decisão. Segundo a defesa, a decisão da CPI foi baseada em elementos considerados frágeis e em informações de outras investigações que não têm ligação direta com o tema da comissão.
A investigação aponta conexões financeiras entre empresas ligadas a Maximiano e instituições como a Reag Investimentos e o Banco Master. Parlamentares da CPI veem essas relações como possíveis indícios de movimentação de recursos suspeitos.
Apurações da CPI do Crime Organizado
- Entre fevereiro e março de 2026, a CPI aprovou requerimentos para investigar o Banco Master, incluindo quebras de sigilo que citam a Reag Investimentos;
- No final de fevereiro, foi aprovada a quebra de sigilo da Maridt Participações, ligada a fundos associados ao banco, para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro;
- Em março, a CPI ampliou as investigações com 27 novos requerimentos, incluindo a quebra de sigilo de investigados como Fabiano Zettel, parente de Vorcaro, e convocação de novas testemunhas;
- A CPI também buscou conexões entre o banco, agentes públicos e estruturas associadas a lavagem de dinheiro, mencionando grupos como o PCC;
- Em 18 de março, os pedidos incluíram foco nos beneficiários finais de fundos vinculados ao Banco Master e à Reag.
A defesa ressalta que as conexões apontadas são indiretas e não comprovam envolvimento do empresário com organizações criminosas. Também criticam o uso de informações de outras apurações, que consideram inadequado para esta investigação.
Outro ponto destacado é que as quebras de sigilo foram aprovadas sem individualização das condutas investigadas, o que, segundo os advogados, fere regras constitucionais para esse tipo de medida.
