DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo Lula não está usando estímulos fiscais em excesso e defendeu o programa Desenrola junto com outros benefícios para ajudar setores econômicos em dificuldades.
Dario Durigan explicou no programa Roda Viva, na segunda-feira (4), que o aumento dos juros no país não é causado por políticas fiscais do governo. Ele lembrou que mesmo com um gasto maior, os juros caíram em 2023 e que os déficits foram pequenos em 2024 e 2025, com uma melhora gradual nas contas públicas.
O ministro destacou que a alta dos juros está mais ligada à pressão inflacionária devido ao conflito no Irã. Ele explicou que o Brasil não deve influenciar ou ser afetado diretamente pela guerra, usando políticas fiscais baseadas nesse conflito.
Para Dario Durigan, medidas como o Desenrola e ajuda para setores que enfrentaram crises, como as chuvas no Rio Grande do Sul e a guerra comercial com os EUA, são importantes para evitar problemas econômicos maiores.
Ele ressaltou que o governo tem dedicado esforços equivalentes a 2% do PIB para evitar que a economia congele e que, embora os desafios sejam muitos, seguir com essas políticas é necessário para tirar pessoas da fome e melhorar a vida da população.
Dario Durigan também explicou que o aumento da dívida pública está relacionado principalmente aos juros altos. Ele espera que o novo Desenrola ajude a população assim como a primeira edição em 2023, especialmente com a queda da taxa de juros.
O ministro comentou que o governo ajustou o programa para facilitar o acesso dos devedores e permitir que bancos entrem em contato diretamente com eles, além de bloquear gastos com apostas após o uso do programa.
Ele também demonstrou preocupação para que questões políticas, como a rejeição de Jorge Messias ao STF, não atrapalhem as decisões econômicas importantes para o país, evitando medidas que prejudiquem a economia.
Dario Durigan classificou como grave o caso envolvendo o Banco Master e disse que a responsabilidade maior é da gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Sobre o Banco de Brasília (BRB), ele afirmou que o governo federal não deve usar dinheiro público para salvar a instituição, que é responsabilidade do governo local. O banco enfrenta um rombo de cerca de R$ 12 bilhões. O ministro disse que o governo só intervirá caso haja risco sistêmico identificado pelo Banco Central.
Por fim, Dario Durigan falou dos problemas financeiros dos Correios, que devem fechar 2024 com um déficit de R$ 10 bilhões. Ele defende buscar soluções para impedir a crise, incluindo possíveis parcerias com o setor privado ou flexibilizações dentro da empresa.
