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Doze capitais já podem receber novas redes 5G; veja lista

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Quinta geração de internet móvel oferece alta velocidade

O Ministério das Comunicações informou nesta quarta-feira, 26, que 12 capitais brasileiras já estão totalmente prontas – tanto em infraestrutura quanto em legislação – para receber a quinta geração de internet móvel, o 5G.

Leiloado em novembro do ano passado, o padrão 5G oferecerá internet de alta velocidade em todas as capitais brasileiras até 31 de julho deste ano. Eis as prontas até então:

  • Brasília (DF);
  • Curitiba (PR);
  • Florianópolis (SC);
  • Fortaleza (CE);
  • Natal (RN);
  • Palmas (TO);
  • Porto Alegre (RS);
  • Rio de Janeiro (RJ);
  • São Paulo (SP);
  • Vitória (ES);
  • Aracaju (SE);
  • Boa Vista (RR)

Para as demais localidades, é importante que haja adequação de leis municipais e da instalação de infraestrutura adequada para o funcionamento da tecnologia. De acordo com os termos do leilão do 5G, empresas que arremataram as concessões de uso das bandas também firmaram o compromisso de ampliar para 100% do território nacional a cobertura do padrão atual, o 4G.

“Nossa missão é garantir a tecnologia 5G conectando o Brasil e levando a internet para todos os brasileiros”, afirmou em nota o ministro das Comunicações, Fábio Faria. “Ao longo dos anos, faremos com o que o país tenha assegurado a cada um o direito de acesso à internet; todos nós sabemos a importância que isso tem”, complementou.

Para que a tecnologia chegue a todas as cidades, é ideal a adequação da Lei Geral das Antenas. O prazo para o processo vai até 2029.

Na parte de infraestrutura, o Decreto nº. 10.480 de 2020 detalha a expedição de licenças para que as operadoras possam realizar a instalação da rede. A instalação das novas antenas do 5G difere das tecnologias anteriores, já que necessitam de densidade maior de replicadores de sinal.

Os grandes centros urbanos terão uma antena para cada 100 mil habitantes – número 10 vezes maior do que o que se usa atualmente no padrão 4G. “Este é mais um dispositivo que contribui para a expansão das redes 5G, que, em comparação às tecnologias anteriores, requerem maior densidade de antenas (mas de menor tamanho)”, explica o secretário de Telecomunicações Arthur Coimbra.

A responsabilidade de fiscalização e regulamentação das antenas que serão instaladas em todo o Brasil é da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que participará de todo o processo de transição da atual rede de antenas para o novo padrão.

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Cresce suspeita de elo entre vírus de hepatite e covid-19

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A doença, que atinge crianças e já é investigada até no Brasil, não é ocasionada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite

(AFP/Francois Nascimbeni/AFP)

Um tipo misterioso de hepatite aguda tem despertado a atenção de autoridades de saúde de diferentes países do mundo ao longo das últimas semanas. A doença, que atinge crianças e já é investigada até no Brasil, não é ocasionada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite (A, B, C, D e E) e pode ter entre as suas causas uma relação ainda não esclarecida entre a covid-19 e um tipo de adenovírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou até esta semana 348 casos da doença. A maioria das crianças apresentou sintomas gastrointestinais, icterícia e, em alguns casos, falência aguda do fígado e um quadro que acabou levando à morte.

O Ministério da Saúde criou uma sala de situação para monitorar 41 eventos suspeitos de hepatite aguda de origem desconhecida registrados até agora em território nacional. Entre eles está o de uma adolescente de 14 anos, de Ibimirim, sertão de Pernambuco que foi hospitalizada em coma e precisou passar por transplante de fígado de emergência na sexta. Com esse, são seis os casos suspeitos da doença apenas em Pernambuco.

A primeira hipótese foi levantada por autoridades de saúde do Reino Unido. Lá, os primeiros casos foram registrados e tratava-se de uma hepatite causada por um adenovírus. Estudos mostraram que até 70% dos doentes testaram positivo para o adenovírus 41F. Ele afeta mais crianças, jovens e pessoas imunossuprimidas. Provoca resfriado ou problemas intestinais.

“Inicialmente achou-se que o adenovírus seria a causa das hepatites agudas, mas o fato é que ele não aparecia em todos os casos”, explicou o infectologista Marcelo Simão, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas. “Em muitas crianças que apresentaram quadros graves não foi possível isolar o vírus; e em algumas na qual foi feito um transplante não se achou o vírus no fígado retirado.”

Especialistas notaram também que muitas crianças tinham tido covid-19 antes da hepatite aguda. Um estudo publicado na Lancet na semana passada propôs, então, nova hipótese. Segundo o trabalho, uma combinação entre as duas infecções estaria provocando a doença hepática aguda.

Partículas remanescentes do Sars-CoV-2 no trato intestinal das crianças estariam servindo de gatilho para uma reação exagerada no sistema imunológico a uma infecção posterior pelo adenovírus 41F. A proteína spike do coronavírus é considerada um superantígeno. Ela torna o sistema imunológico mais sensível. Assim, potencializaria o efeito do adenovírus 41F. Normalmente, esse vírus não provoca problemas mais graves.

A reação seria similar à provocada na Síndrome Inflamatória Multissistêmica. Essa condição foi identificada em crianças com covid longa. Nesses casos, há uma ativação anormal do sistema imunológico por causa do superantígeno. Ele desencadeia uma reação autoimune extremamente inflamatória. Uma eventual exposição posterior a um adenovírus poderia provocar uma reação ainda mais forte do organismo. É o que pode estar acontecendo nos casos de hepatite aguda.

“A hipótese mais aceita atualmente é de que essa hepatite está sendo provocada por uma reação imunológica exagerada causada pela combinação desses dois vírus que acaba por agredir o fígado”, disse Simão, cujo nome integra a lista da Universidade de Stanford, nos EUA, dos cientistas mais influentes do mundo. “Por que o fígado? Ainda não sabemos.”

Impacto das variantes

Outra questão ainda não esclarecida, segundo Simão, é por que os casos de hepatite aguda só começaram a ser notados agora, dois anos depois do início da pandemia. Uma explicação possível estaria relacionada à variante do Sars-CoV-2 atualmente em circulação.

Para o presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaez Brito, a hipótese da combinação dos dois vírus é, atualmente, a mais provável para explicar os casos de hepatite aguda em crianças, embora ainda não esteja fechada.

“O que acontece de diferente neste momento atual da nossa vida é que estamos sofrendo a modulação contínua de uma pandemia”, disse Brito. “Somos bombardeados minuto a minuto por um agente infeccioso circulando em uma magnitude gigantesca; qualquer coisa nova que apareça pode ter relação com isso.”

Dados da OMS e de estudos feitos em Israel, Estados Unidos e Índia reforçam a hipótese. O trabalho israelense, coordenado por Yael Mozer Glassberg, do Centro Médico Infantil Schneider, mostrou que 11 de 12 crianças que tiveram a hepatite tinham tido covid-19. Nenhuma delas, porém, testou positivo para o adenovírus.

A OMS Europa apontou em um relatório divulgado neste mês que até 70% das crianças com menos de 16 anos que desenvolveram a hepatite aguda tiveram diagnóstico de covid-19 anteriormente. Além disso, explicaram especialistas, outras crianças podem ter tido a doença de forma branda ou mesmo assintomática; ou seja, sem um diagnóstico oficial.

Um trabalho feito nos Estados Unidos e publicado em Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition analisou o caso de uma menina de 3 anos. A garota apresentou falência hepática alguns dias depois de se recuperar de uma covid branda.

“As descobertas da biópsia do fígado e de exames de sangue da paciente são compatíveis com um tipo de hepatite autoimune que pode ter sido deflagrada pela covid”, explicou a pediatra Anna Peters, gastroenterologista do Centro Médico do Hospital de Crianças de Cincinnati, nos EUA, responsável pelo estudo, ao comentar o trabalho.

Segundo a especialista, é impossível provar a existência de um vínculo direto entre a covid e a doença hepática. Mas o vírus pode ter deflagrado uma resposta imune anormal. Ela seria geradora do ataque ao fígado.

Um levantamento feito na Índia no ano passado acompanhou 475 crianças que tiveram covid no país. Delas, 47 apresentaram hepatite aguda. Recentemente, com os novos casos surgidos na Europa e nos EUA, pesquisadores se voltaram a esse estudo indiano de 2021.

“O único fator em comum que achamos entre essas crianças foi que todas tinham sido infectadas pela covid”, disse o principal autor do estudo, Sumit Rawat, professor associado da Escola de Medicina de Bundelkhand, em Madhya Pradesh, na Índia, em entrevista para agências internacionais. “Provar que a covid está de fato provocando essa hepatite vai demandar ainda muito estudo, mas uma pista importante é que os casos da hepatite caíram quando o Sars-CoV-2 deixou de circular na região e voltaram a subir quando a covid estava em alta.”

Sem relação com vacina

A ligação entre os casos de hepatite aguda e a vacina contra a covid, no entanto, foi totalmente descartada. Não há relação direta entre a vacinação e a hepatite. Além disso, a maioria das crianças que apresentaram o quadro agudo de hepatite tinha menos de 5 anos. Ou seja, elas não haviam sido imunizadas contra a covid.

Especialistas acreditam que novas pandemias de vírus emergentes – e seus eventuais desdobramentos — devem se tornar cada vez mais comuns, por causa do impacto do homem no meio ambiente e no clima. “Estamos vivendo em um mundo complicado, com muitas doenças novas, muitos vírus novos; bactérias às quais não dávamos importância estão agora causando enfermidades graves”, disse Simões. “Apesar dos avanços tecnológicos, os desafios são cada vez maiores.”

José David Urbaez Brito lembrou que, não por acaso, vivemos no chamado período antropoceno. É a primeira vez que um ser vivo, no caso o homem, alterou de maneira tão profunda e muitas vezes irreversível o seu meio ambiente até que passou a dar nome a uma era geológica. “O homem alterou cadeias geológicas e ecológicas, aumentou a temperatura global de forma perceptível, provocando um impacto profundo na dinâmica dos agentes infecciosos, notadamente dos vírus, que são formas muito simples”, disse Brito. “As narrativas têm o poder de racionalizar o que acontece nos deixando alienados; mas, a verdade é que vivemos um momento apocalíptico de dimensões gigantescas, e a atual pandemia é um sintoma disso.”

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Rio de Janeiro vacina grupos prioritários de 30 a 39 anos contra gripe

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Campanha de vacinação termina em 3 de junho

Tomaz Silva/Agência Brasil

O município do Rio de Janeiro vacina esta semana contra a gripe pessoas de 30 a 39 anos de idade que pertençam a grupos prioritários. Esta é a penúltima semana da campanha de vacinação, que se encerra no dia 3 de junho.

Além do público-alvo da semana de 23 a 28 de maio, os postos de saúde estão vacinando também os alvos das semanas anteriores, ou seja, os grupos prioritários com 40 anos de idade ou mais, os idosos a partir de 60 anos, gestantes, puérperas e crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias.

Na última semana da campanha, de 30 de maio a 3 de junho, serão imunizados grupos prioritários de 5 a 29 anos de idade, além de todos os outros públicos-alvos.

São considerados grupos prioritários trabalhadores da saúde, comunidades indígenas, pessoas com deficiência permanente (PcD), pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, trabalhadores da educação, funcionários do sistema prisional, população privada de liberdade, forças de segurança e salvamento, forças armadas, trabalhadores portuários, trabalhadores de transporte rodoviário de passageiros urbano e de longo curso e caminhoneiros.

(Agência Brasil)

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Três doses da vacina da Pfizer geram forte resposta em menores de 5 anos

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A eficácia da vacina foi de 80,3%, segundo uma estimativa preliminar

(Reuters/Dado Ruvic)

A vacina da Pfizer-BioNTech contra a covid-19 é segura e eficaz para as crianças de entre seis meses e cinco anos quando administrada em três doses, anunciou o laboratório farmacêutico em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (23).

O anúncio acontece no momento em que a Agência de Medicamentos e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos tem várias reuniões programadas para analisar a autorização da vacina contra a covid para a faixa etária de 6 meses a 5 anos, que ainda não pode tomar o imunizante na maioria dos países.

A Pfizer-BioNTech fez um ensaio clínico no qual administrou três doses de três microgramas e registrou que a vacina provoca uma forte resposta imune.

Os efeitos colaterais, segundo a empresa, foram similares entre os que receberam a vacina e o placebo. A eficácia da vacina foi de 80,3%, segundo uma estimativa preliminar.

“Estamos satisfeitos que nossa formulação para as crianças mais novas, que selecionamos cuidadosamente para ser um décimo da dose para adultos, foi bem tolerada e produziu uma forte resposta imunológica”, afirmou o CEO da Pfizer, Albert Bourla, em um comunicado.

“Esperamos concluir em breve nossas apresentações aos reguladores em todo o mundo, com a esperança de disponibilizar esta vacina para crianças mais novas o mais rápido possível, submetida às autorizações regulatórias”, acrescentou.

Os especialistas da FDA programaram três reuniões em junho para decidir se autorizam as vacinas contra a covid da Pfizer para menores de cinco anos e da Moderna para menores de seis anos – esta última administrada em duas doses de 25 microgramas.

A princípio, a agência pretendia avaliar a vacina da Pfizer administrada em duas doses em fevereiro, mas os dados mostraram que não provocava uma resposta imunológica suficientemente forte nas crianças de dois a quatro anos.

O FDA solicitou então os dados de uma terceira dose.

Efeitos colaterais leves

De acordo com os novos dados, 1.678 crianças receberam a terceira dose pelo menos dois meses depois da segunda, no momento em que a variante ômicron era predominante.

Uma análise de um subconjunto de participantes revelou que os níveis de anticorpos eram semelhantes aos observados em jovens de 16 a 25 anos que receberam duas doses. Não foram identificados novos eventos adversos e a maioria dos efeitos colaterais foi leve ou moderado.

“De acordo com o comunicado para a imprensa da Pfizer, as três doses de sua vacina contra a covid parecem ser muito seguras e altamente eficazes para prevenir não apenas casos graves da doença, a hospitalização e a morte por covid, mas também a covid sintomática em uma época na qual a ômicron era a variante dominante”, declarou à AFP Celine Gounder, editora chefe de saúde pública da Kaiser Health News.

“Porém, sabemos que a proteção contra a infecção por SARS-CoV-2 e a doença sintomática mais leve diminuem com o tempo”, acrescentou Gounder, especialista em doenças infecciosas e epidemiologista.

“A Pfizer informa os dados de acompanhamento apenas até sete dias depois da terceira dcose da vacina. É muio cedo para dizer como funcionariam as três doses após vários meses ou um ano”.

“Gostaria que a vacina de duas doses tivesse funcionado para a Pfizer-BioNTech. Não funcionou. Mas a série de três doses parece ter dado a estas crianças tão pequenas a proteção que queremos que tenham”, declarou à AFP Jeremy Faust, do Departamento de Medicina de Emergência do Hospital Brigham and Women’s, em Boston.

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Dinheiro público banca centenas de caminhões de lixo com preços inflados

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A compra e a distribuição de caminhões de lixo para pequenas cidades saltaram de 85 para 488 veículos de 2019 para 2021

Coleta de lixo: A distribuição de caminhões compactadores de lixo é usada por senadores, deputados e prefeitos para ganhar a simpatia e o voto dos eleitores de cidadezinhas pobres (Getty Images/PeopleImages)

O investimento público federal com coleta de lixo, um serviço essencial para o bem-estar da população, virou foco de despesas milionárias crescentes e fora do padrão nos últimos anos. Nas mãos do Congresso e do governo, a compra e a distribuição de caminhões de lixo para pequenas cidades saltaram de 85 para 488 veículos de 2019 para 2021.

Avaliados com cuidado, esses gastos revelam transações difíceis de entender, como a da cidade do interior de Alagoas que tem menos lixo do que caminhões para recolhê-lo ou a diferença de R$ 114 mil no preço de veículos iguais, comprados no espaço de apenas um mês – sem falar da presença de empresas fantasmas no meio das operações (mais informações na página ao lado).

Durante dois meses, a equipe do Estadão analisou cerca de 1,2 mil documentos referentes à aquisição desses veículos com verbas do orçamento federal, incluindo relatórios, planilhas e vídeos, num total de 7,7 gigabytes.

A distribuição de caminhões compactadores de lixo é usada por senadores, deputados e prefeitos para ganhar a simpatia e o voto dos eleitores de cidadezinhas pobres, onde a chegada desse tipo de auxílio é visível e faz enorme diferença. Até agora, o governo já destinou R$ 381 milhões para essa finalidade. A reportagem identificou indícios de pagamentos inflados de R$ 109 milhões.

A diferença dos preços de compra de modelos idênticos, em alguns casos, chegou a 30%. Em outubro passado, por exemplo, o governo adquiriu um modelo de caminhão por R$ 391 mil.

Menos de um mês depois, aceitou pagar R$ 505 mil pelo mesmo veículo. Há casos também em que o governo recebeu veículos menores do que o comprado sem reaver a diferença de preço. Um município de 8 mil habitantes ganhou três caminhões compactadores num período de um ano e três meses, enquanto cidades próximas não têm nenhum. Até um beneficiário do auxílio emergencial ganhou licitações para fornecer caminhões de lixo para o governo.

Do jeito que está montada, a compra dos caminhões pelo governo para atender sua base no Congresso não segue nenhuma política pública de saneamento básico e não garante todas as fases da coleta de lixo. Caminhões são destinados a pequenas cidades sem qualquer plano para construção de aterros sanitários, como determinado em lei. No Piauí, por exemplo, o lixo coletado é jogado em terrenos a céu aberto em 89% das cidades. Mesmo assim, a prioridade dos políticos do Estado foi a aquisição dos veículos.

‘LIXOCIATA’. A chegada dos caminhões de lixo vira uma atração nesses lugarejos. Em Brasileira (PI), a prefeita Carmen Gean (Progressistas) entregou o mesmo caminhão duas vezes. Em Mairipotaba (GO), houve uma espécie de “lixociata” – uma carreata para aplaudir o caminhão de lixo. Até políticos tradicionais participam.

Em agosto, o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) divulgou foto ao lado do caminhão de lixo na cidade de Minador do Negrão (AL). Comprado com recursos de emenda parlamentar do senador, o caminhão é um dos maiores disponíveis no mercado, com 15 metros cúbicos. Para encher o veículo, que custou R$ 361,9 mil, a cidade leva dois dias.

Especialistas em gestão de resíduos não recomendam a utilização desses equipamentos mais potentes em municípios com menos de 17 mil habitantes. Os caminhões são caros, demandam funcionários preparados para operá-los e têm alto custo de manutenção – reparos no compactador precisam ser feitos em oficinas especializadas.

Um estudo de auditores do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro considera o uso de caminhões compactadores em cidades com menos de 17 mil habitantes “desaconselhado sob a ótica financeira”. A cidade que recebeu o caminhão compactador de Collor tem 5.315 habitantes. O adequado para essas cidades seria o uso de caminhões caçamba.

PAI DE LIRA. Barra de São Miguel (AL), cidade governada por Benedito de Lira (Progressistas), pai do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas), ganhou três caminhões compactadores do modelo grande, em 2020 (duas unidades) e 2021 (uma unidade) que ficam, na maior parte do tempo, parados. O município tem 8.434 mil habitantes.

Enquanto isso, a 80 km dali, a cidade de Marimbondo, com 13.193 moradores, não recebeu nenhum veículo apesar de insistentes pedidos da prefeita Leopoldina Amorim (PSD).

“Já pedi a Fernando Collor, já pedi ao governador, já pedi ao Arthur Lira. Pedi a todo mundo. Até agora nenhum filho de Deus lembrou. Estou quase maluca, esperando que chegue esse caminhão” disse a prefeita.

Porto Alegre do Tocantins, com 3.200 habitantes, recebeu num período de cinco meses dois caminhões. Seriam necessários quatro dias e meio para encher os dois veículos, considerando a quantidade de lixo produzida na cidade. O prefeito Rennan Cerqueira (PL) disse ao Estadão que pediu apenas um, mas recebeu dois. “Um (parlamentar) me ofereceu e o outro fui eu que pedi. O meu lixo aqui é muito”, disse, desligando o telefone quando perguntado a quem se referia.

Dimensionar corretamente a quantidade de lixo produzido por habitante é o principal parâmetro para calcular a necessidade do município e evitar sobrepreço ou superfaturamento na compra de caminhões, segundo o Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas. Ao não seguir esse parâmetro, o governo abre caminho para fraudes.

‘SOU CENTRÃO’. A compra de caminhão compactador de lixo disparou em 2020, logo depois que o Centrão tomou conta do governo Bolsonaro. Foi no mandato do atual presidente que órgãos como a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e, principalmente, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) intensificaram a aquisição dos veículos.

Ao longo do governo, foram licitados 1.048 caminhões compactadores de lixo pelas empresas controladas por apadrinhados do Centrão. O número saiu de 85 em 2019 para 510 em 2020 – um aumento de 500%.

Procurada, a Sudeco disse que agiu conforme um “alinhamento de todo o Executivo”. A Funasa alegou que é o município quem define o tamanho do caminhão. E a Codevasf negou irregularidades. O Palácio do Planalto não respondeu aos questionamentos da reportagem. Os políticos citados não ligaram de volta.

 

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Prazo de convocação de candidatos do Fies termina nesta quinta-feira

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Há 66,5 mil vagas no primeiro processo seletivo do ano

Valter Campanato/Agência Brasil

O prazo para a convocação dos candidatos inscritos na lista de espera para o primeiro processo seletivo de 2022 do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) termina às 23h59 (horário de Brasília) da próxima quinta-feira (26).

No total, foram ofertadas 66,5 mil vagas no primeiro processo seletivo de 2022 do Fies e, segundo o Ministério da Educação (MEC), para todo o ano de 2022 serão 110 mil vagas. Inicialmente, a convocação seria feira até o dia 4 de maio.

De acordo com o MEC, a decisão de ampliar o prazo final de convocação da lista de espera do Fies 2022/1 tem como objetivo promover maior ocupação das vagas ofertadas pelo programa. Além disso, nesta edição não será realizado o processo de preenchimento de vagas remanescentes, o que também contribuiu para a prorrogação da data.

O que é o Fies

O Fies é um programa do MEC que concede financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos ofertados em instituições de ensino que aderiram ao programa. Para concorrer a uma das oportunidades do Fies, é preciso ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2010.

(Agência Brasil)

 

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Milhas aéreas perdem valor com inflação e juntar pontos fica mais difícil

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Em um ano, a média de milhas exigidas por passagem aumentou 17% . Câmbio também atrapalha viajantes

(Exame/Germano Lüders)

A alta dos preços das passagens aéreas provocou também uma desvalorização das milhas. O consumidor vem perdendo em dois lados: precisa de muitos pontos para viajar e leva mais tempo para acumular o crédito.

Segundo levantamento da plataforma MaxMilhas, a média de milhas exigidas por passagem aumentou 17% neste ano em todos os trechos comprados, na comparação com o ano passado. Em maio de 2021, eram necessárias, em média, quase 6 mil milhas para viajar entre as maiores capitais do país. Neste mês, são necessárias mais de 10 mil.

A ponte aérea Rio-São Paulo teve uma inflação de milhas ainda mais expressiva, de cerca de 70% em 12 meses. Pesquisa feita pelo GLOBO considerando um mês de antecedência para apenas uma perna de trechos, encontrou bilhetes valendo entre 7.300 a 40.500 pontos.

Excluídos: Para não perder iates, bilionários russos ficam de fora de festas no ‘esquenta’ do verão europeu

Além dos preços das passagens, o volume de milhas necessário para viajar leva em consideração a disponibilidade de assentos, a quantidade de voos abertos para um destino, a antecedência e se é alta ou baixa estação.

Câmbio atrapalha

José Ronaldo Souza Júnior, economista e professor do Ibmec, explica que muitos cartões de crédito convertem os gastos em milhas usando como paridade o dólar. Ou seja, a cada dólar gasto, o cliente recebe um ponto de recompensa. Com o real desvalorizado, fica mais difícil juntar o necessário para emitir bilhetes.

— A mesma compra em real no cartão de crédito vai gerar um acúmulo de milhas em torno de 20% menor na comparação entre janeiro de 2020 e agora, considerando o patamar do dólar — calcula o economista.

Despacho gratuito de bagagem: No mundo, só Cuba e Coreia do Norte liberam mala de graça

O acúmulo de milhas ainda se mantém vantajoso apenas em decorrência de um voo, já que a proporção do benefício acompanha os valores das passagens. Após a flexibilização das restrições sanitárias, alguns programas de fidelidade mudaram a política de arrecadação de pontos para incentivar os passageiros.

A Smiles liberou a participação daqueles que adquirem passagens nas tarifas Promo e Light, o que não era possível antes da pandemia. Para ambas, cada real no valor da passagem equivale a uma milha Smiles. Para a Plus, R$ 1 se converte em 2 milhas, e na tarifa Max, R$ 1 dá 3 milhas.

Essa forma de repasse, no entanto, ainda é minoria. Dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf) mostram que, dos 97,1 bilhões de pontos e milhas emitidos no quarto trimestre de 2021, só 4,8% foram adquiridos por companhias aéreas. O restante, 95,2%, foram usados por bancos e pelo varejo para repasse em seus programas de fidelidade.

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