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‘Discriminação contra a Rússia na OMC’: por que o Brasil não aderiu e qual o futuro da organização?

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Apesar do apoio do Brasil, Índia, China e África do Sul, membros do legislativo russo consideram retirar Moscou da Organização Mundial do Comércio (OMC). A Sputnik Brasil conversou com um especialista para saber se o futuro da OMC está em jogo.

© Sputnik / Aleksandr Sherbak

Nesta terça-feira (22), o Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia declarou em nota que é do interesse de Moscou se manter na Organização Mundial do Comércio (OMC), apesar das sanções unilaterais impostas pelo Ocidente.
“A OMC é a única plataforma na qual podemos defender os nossos interesses. Além disso, a saída da Rússia da organização seria recebida negativamente pelos participantes sensatos do comércio internacional, que não aderiram às sanções”, declarou o ministério russo.
O debate foi gerado pela decisão da União Europeia, EUA, Canadá e demais países de suspenderem os direitos comerciais da Rússia no âmbito da organização, ao retirar de Moscou o status de “nação mais favorecida”.

“O status de nação mais favorecida é um princípio segundo o qual os privilégios e vantagens atribuídos a qualquer membro da OMC deve ser estendido aos demais membros. No fundo é um princípio de não descriminação”, explicou à Sputnik Brasil o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Bruno Martarello de Conti.

A OMC informou em meados de março que 14 Estados-membros solicitaram a retirada do status de nação mais favorecida da Rússia. Anteriormente, EUA e Japão já haviam privado Moscou deste regime.
A organização prevê algumas exceções à essa regra, por exemplo, quando um país assina acordos comerciais bilaterais ou multilaterais, ou para promover o desenvolvimento econômico de países de relativamente baixo desenvolvimento.
Entrada para a sede da OMC em Genebra, Suiça (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 22.03.2022

© AP Photo / Fabrice Coffrini

Além disso, o artigo 21 do acordo GATT 1994, que estabelece a OMC, prevê a retirada do status em caso de “necessidade de proteger interesses de segurança essenciais”, especialmente “em casos de guerra ou outras emergências nas relações internacionais”.

“A Rússia não sendo mais considerada nesse status significa que pode haver discriminação contra ela do ponto de vista tarifário”, disse de Conti. “Os países podem elevar tarifas contra a Rússia para diminuir a importação dos seus produtos. É uma tentativa de uma guerra comercial.”

A retirada total ou temporária do status de nação mais favorecida já foi utilizada pelos EUA para empreender guerra comercial. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, invocou a segurança nacional para justificar a guerra comercial empreendida contra a China, que também é membro da OMC.

Posição brasileira

O governo brasileiro optou por não aderir à aliança liderada pelos EUA para retirar o status de nação mais favorecida da Rússia.
Fontes do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores ouvidas pelo portal UOL disseram que, por enquanto, o Brasil deve se manter alinhado com Índia, China, África do Sul e outros países emergentes e não isolar a Rússia na OMC.

“O impacto mais imediato é uma tensão entre o Brasil e o grupo de países ocidentais que decidiram retirar o status de nação mais favorecida. Nesse sentido o Brasil não se alinhou aos países ocidentais mais poderosos, o que não vai significar nenhuma retaliação imediata, só cria uma tensão”, considerou de Conti.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, chegou inclusive a criticar, no dia 14 de março, o rebaixamento do status comercial da Rússia na OMC, dizendo que decisões como essas devem ser tomadas após debate coletivo na entidade.
“Isso me preocupa, porque essa era uma decisão que, penso eu, ficava melhor tomada se fosse dentro do sistema multilateral de comércio”, afirmou o chanceler durante palestra no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília.
O chanceler afirmou que medidas como essas vão contra o espírito multilateral de órgãos internacionais e, logo, não condizem com a posição tradicional do Brasil.
“Isso [uma decisão multilateral] não ocorre, e eu não acho que isso faça bem para o sistema multilateral de comércio nem para os interesses de um país como Brasil, que tem justamente no multilateralismo a sua força”, destacou França.
Segundo de Conti, a decisão do governo brasileiro não deve gerar retaliações por parte dos países ocidentais, como a retirada do status de nação mais favorecida do Brasil.
“Não acho que a situação vá se replicar com facilidade. Por trás disso tem um ranço histórico do Ocidente em relação a Rússia”, considera de Conti. “Aquela velha história, os países ocidentais fazem guerra pelo mundo e não recebem esse mesmo tratamento.”
O especialista ainda considera que a interdependência entre Brasil e Rússia em áreas-chave para a economia brasileira, como o agronegócio, pode ter pesado na decisão do Itamaraty.
“O que parece mais evidente, na minha opinião, é a questão da dependência que temos sobretudo em fertilizantes. O agribusiness é uma das bases de sustentação desse governo, e esse setor se prejudica com a ausência desse produto”, notou de Conti.
Para evitar uma escassez de fertilizantes essenciais para a produtividade da safra brasileira 2022-2023, o Brasil se uniu a seus parceiros latino-americanos na Organização das Nações Unidas para solicitar que alimentos e fertilizantes sejam excluídos das listas de sanções internacionais.

Expulsão da Rússia da OMC?

A retirada do status de nação mais favorecida da Rússia poderia ser um interlúdio para uma expulsão da Rússia da OMC ou para um isolamento mais amplo de Moscou do sistema de comércio internacional.

“Eu não descarto a possibilidade”, considerou de Conti. “Há uma tentativa de impedir o avanço do poder geopolítico russo, após um período em que esse poder estava dormente […] Então medidas mais drásticas no sentido de isolar a Rússia podem acontecer, sim.”

O especialista é cauteloso em relação a essa possibilidade, uma vez que, para expulsar um país da OMC, são necessários três quartos dos votos afirmativos dos 164 membros.
No entanto, a própria Rússia pode considerar que a sua manutenção na organização já não atende aos seus interesses. Nesta segunda-feira (21), o deputado russo Sergei Mironov apresentou um projeto no parlamento nacional, a Duma, para retirar Moscou da OMC.
“Nas últimas semanas, a aliança ocidental impôs diversas sanções contra o nosso país. Acredito que, nessa situação, a Rússia deveria se retirar imediatamente da OMC, pondo fim de uma vez por todas a essa organização internacional que, com suas restrições, tanto prejudicou a nossa economia”, disse o deputado.
O projeto será debatido entre os membros do parlamento e com os demais órgãos do Executivo local, como o Ministério do Desenvolvimento Econômico.
Crise sistêmica
Com ou sem a Rússia, a retirada de status de nação mais favorecida de países da OMC é por si só uma ferida ao princípio de não discriminação da organização. A interferência de temas geopolíticos na pauta comercial pode agravar a situação do sistema de comércio internacional, que já estava em crise.
“Há uma transformação grande, com uma tentativa das potências ocidentais de se reindustrializar e depender menos do comércio internacional, por entender que ele gera vulnerabilidades”, acredita de Conti.
Segundo o especialista, existem limites para a capacidade dos países de retomar a produção industrial interna.
“O capitalismo funciona de forma globalizada, as empresas privadas se beneficiam dela. Eu sou reticente a esse processo de ‘desglobalização’. Acredito que o comércio internacional vai continuar relevante, e a OMC também”, concluiu o especialista.
A Rússia é membro da Organização Mundial do Comércio desde 2012. No dia 16 de março, a organização informou ter recebido solicitações de 14 membros para retirar o status de nação mais favorecida da Rússia, dentre eles o Reino Unido, União Europeia, Canadá, Noruega, Coreia do Sul, Austrália e Macedônia do Norte, entre outros. No mesmo dia, o Japão seguiu o exemplo dos EUA e privou a Rússia deste status.

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Ocidente pede paz, mas ‘joga lenha na fogueira’ enviando armas à Ucrânia, diz diplomata russo

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O embaixador russo na Argentina, Dmitry Feoktistov, afirmou que o Ocidente busca a paz apenas em suas declarações, mas, na prática, tenta prolongar sua guerra por procuração contra a Rússia através dos ucranianos.

© AFP 2022 / Genya Savilov

 

Em comunicado divulgado no site da Embaixada russa, o diplomata observou que a mídia internacional está muito focada na Ucrânia, contudo não refere em momento algum o fornecimento sem precedentes de armas dos EUA e seus aliados ao país do leste Europeu durante anos.
“Depois que a Rússia iniciou a operação especial para proteger Donbass, em fevereiro de 2022, Kiev começou a receber armas, munições e equipamentos militares ocidentais quase diariamente”, observou.
Dentre estes armamentos, estão sistemas antitanque e antiaéreos, munições, coletes à prova de bala, blindados de transporte de pessoal M113, helicópteros Mi-8, drones kamikaze Switchblade, radares de rastreamento de artilharia AN/TPQ-36 e obuseiros M777, além de lança-foguetes múltiplos HIMARS e M270.
Além dos armamentos, os EUA e a União Europeia já enviaram milhões e milhões de dólares e euros para sustentar e prolongar o conflito na Ucrânia.
No dia 21 de maio, Biden ativou a Lei Lend-Lease, usada durante a Segunda Guerra Mundial para ajudar os aliados da coalizão anti-Hitler, incluindo a União Soviética. Contudo, desta vez, esta lei está sendo usada para apoiar os “herdeiros ideológicos de Hitler”, os nazistas ucranianos.
O diplomata acusou ainda o Ocidente de “promover a paz e uma solução política na Ucrânia apenas nas palavras”, enquanto na realidade, “segue jogando lenha na fogueira”.
“É evidente a falta de escrúpulos, a hipocrisia e a imoralidade destes políticos, cujo verdadeiro objetivo é prolongar a guerra por procuração contra nosso país às custas dos ucranianos”, concluiu.
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Conselho de Segurança da Rússia: OTAN vê como cenário ideal conflito na Ucrânia ardendo eternamente

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Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, teceu duras críticas à OTAN, que acredita usar a Ucrânia e prolongar o conflito no país.

Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, teceu duras críticas à OTAN, que acredita usar a Ucrânia e prolongar o conflito no país.

 

A OTAN vê como ideal o prolongamento indefinido do conflito na Ucrânia, disse Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, em entrevista ao jornal Argumenty i Fakty.
“Se a Ucrânia fosse autônoma, e não fosse administrada pelo atual regime de marionetes, obcecado pela ideia de entrada na OTAN e na UE, ela há muito teria expulsado toda a escória nazista de sua terra”, afirmou ele em artigo publicado nesta terça-feira (24).
“Ao mesmo tempo, o cenário ideal visto por toda a Aliança do Atlântico Norte, com os EUA à frente, é um conflito ardendo infinitamente nesse país. A Ucrânia é necessária ao Ocidente como contrapeso à Rússia, e também como polígono para a utilização de armamento antigo”, acrescentou Patrushev.
Para o secretário do Conselho de Segurança russo, “os ocidentais não tirarão seus óculos cor-de-rosa até que os jovens ucranianos enlouquecidos não comecem um alvoroço nas suas ruas”.
“A propósito, não é só na Europa. Lembrem-se do recente tiroteio em Buffalo, nos EUA. Gostaria de perguntar aos americanos qual é a diferença entre um neonazista atirando contra pessoas em um supermercado e os combatentes de Azov [contra vários militantes dos quais foram abertos casos criminais na Rússia], que humilhavam e destruíam diariamente de ano a ano a população civil de Donbass”, lembrou o alto responsável russo.
Segundo Nikolai Patrushev, são a Rússia, a República Popular de Donetsk (RPD) e a República Popular de Lugansk (RPL) que devem pedir reparações ao Ocidente, e não a Ucrânia a Moscou.
“É a Rússia que tem direito de exigir reparações dos países que patrocinaram os nazistas na Ucrânia e o criminoso regime de Kiev. A RPD e a RPL devem exigir deles reparações por todos os danos materiais durante oito anos de agressão. E o próprio povo ucraniano merece reparações dos principais instigadores do conflito, ou seja, os EUA e o Reino Unido, que estão forçando os ucranianos a lutar, apoiando os neonazistas, fornecendo-lhes armas e enviando seus conselheiros militares e mercenários.”
Ele lamentou que muitos ucranianos ainda acreditem no que o Ocidente e Kiev lhes dizem.

Papel do Ocidente

“A sobriedade virá mais cedo ou mais tarde. Eles ainda terão que abrir os olhos e ver que o país realmente não existe, que o patrimônio genético do povo e sua memória cultural estão sendo destruídos pelos ocidentais e substituídos por conceitos de gênero fanáticos e valores liberais vazios”, continuou Patrushev.
O destino da Ucrânia será decidido pelo povo, de acordo com o membro do governo russo.
“Gostaria de lembrar que nosso país nunca esteve à frente dos destinos dos poderes soberanos. Pelo contrário, nós os ajudamos na defesa de seu Estado”, sublinhou.
O secretário do Conselho de Segurança da Rússia não vê a necessidade de “perseguir prazos” para acabar com a operação militar especial na Ucrânia, mas defendeu que “o nazismo deve ser erradicado 100%, ou levantará sua cabeça dentro de poucos anos, e de uma forma ainda mais feia”.
O alto responsável qualificou a OTAN como ameaça, apesar de sua autodenominação, citando as ações que tomou.
“A OTAN não é nenhum bloco militar defensivo, mas um bloco militar agressivo na sua forma mais pura, e aderir a ele significa entregar automaticamente uma parte significativa de sua soberania a Washington. Se a aliança expandir sua infraestrutura militar para a Finlândia e Suécia, a Rússia entenderá isso como uma ameaça direta à sua própria segurança, e será obrigada a responder”, explicou ao Argumenty i Fakty.
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Rússia prosseguirá com operação apesar da pressão do Ocidente e seu apoio à Ucrânia, diz Shoigu

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O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, declarou que a Rússia prosseguirá com a operação na Ucrânia apesar da pressão do Ocidente.

© Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia

“Apesar da assistência em grande escala do Ocidente ao regime de Kiev e da pressão das sanções sobre a Rússia, prosseguiremos a operação militar especial até que todas as tarefas sejam concluídas”, declarou.
O ministro russo afirmou que a situação de segurança no Leste Europeu foi comprometida devido ao Ocidente.
O Ocidente ignorou as propostas de Moscou sobre a não expansão da OTAN na região e a não implantação de armas de ataque próximo do território russo, fazendo tudo ao contrário do que foi proposto.
“A situação piorou significativamente na região do Leste Europeu com relação às questões de segurança coletiva. Apesar dos esforços da Rússia, o Ocidente ignorou as propostas sobre a resolução das nossas questões de segurança principais – a não expansão da OTAN para leste e a não implantação de armas de ataque próximo ao território russo. Fizeram tudo exatamente ao contrário”, declarou.
Além disso, Shoigu afirmou que os EUA tomaram um rumo pelo desmantelamento da estrutura de segurança internacional, acompanhado pela implantação global de sistemas de defesa antimísseis e desenvolvimento de sistemas de mísseis de curto e médio alcance.

De acordo com Shoigu, surgiu uma ameaça real de criação de armas nucleares e sistemas de entrega na Ucrânia.
“Surgiu uma ameaça real de criação de armas nucleares e recursos para entregá-las”, afirmou.
Shoigu destacou que a OTAN converteu a Ucrânia em instrumento de pressão contra a Rússia.
“A Aliança do Atlântico Norte se aproximou diretamente das nossas fronteiras e elevou em várias vezes seu potencial de combate. Foram intensificados os esforços para que a Ucrânia aderisse à OTAN, que fossem implantadas infraestruturas militares da coalizão em seu território, enquanto o próprio país era transformado em um Estado hostil para nós, usado como instrumento de pressão sobre a Rússia”, comunicou.
A autoridade russa lembrou que no território ucraniano “foi formada uma rede de mais de 30 laboratórios biológicos utilizados no programa de armas biológicas dos EUA”.
“Há provas documentais que os estudos eram realizados em segredo, violando os compromissos internacionais assumidos. Eram criados componentes de armas biológicas na proximidade direta de nossas fronteiras eram elaboradas técnicas de desestabilização epidemiológica da situação”, comunicou.
O Ocidente não apenas nega o neonazismo na Ucrânia, como também recebe com honras seus representantes, aqueles que estão envolvidos em atrocidades sangrentas.
A russofobia surgiu na Ucrânia com o patrocínio do Ocidente. A língua, cultura e história russas foram perseguidas.

Em oito anos, o regime de Kiev bombardeou metodicamente as cidades e vilas de Donbass. Durante este período, mais de 14 mil pessoas morreram e aproximadamente 33 mil ficaram feridas.
Em 24 de fevereiro de 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o início de uma operação militar especial para “desmilitarização e desnazificação da Ucrânia”.
Durante a operação, as Forças Armadas da Rússia eliminam instalações da infraestrutura militar ucraniana sem realizar ataques contra alvos civis em cidades. Os militares russos também organizam corredores humanitários para população civil que foge da violência dos neonazistas e nacionalistas.
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Primeiro soldado russo é condenado à prisão perpétua na Ucrânia

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Vadim Shishimarin, de 21 anos, admitiu ter matado um civil de 62 anos que empurrava sua bicicleta enquanto falava ao telefone

(AFP/Sergei SUPINSKY)

Um tribunal de Kiev condenou nesta segunda-feira (23) um soldado russo considerado culpado de crimes de guerra à prisão perpétua, no primeiro veredicto do tipo desde o início da invasão russa daUcrânia, cujo presidente pediu em Davos o fim de todo o comércio com a Rússia.

Enquanto os bombardeios russos se concentravam no leste da Ucrânia, todos os olhos estavam voltados para Kiev nesta segunda, onde foi realizado o primeiro julgamento de um soldado russo por crimes de guerra na Ucrânia.

Vadim Shishimarin, de 21 anos, admitiu ter matado um civil de 62 anos que empurrava sua bicicleta enquanto falava ao telefone.

“O tribunal considerou (Vadim) Shishimarin culpado e o sentenciou à prisão perpétua”, declarou o juiz Sergiy Agafonov.

Em audiência na semana passada, Shishimarin declarou que lamentava o ocorrido e pediu “perdão” à viúva da vítima, justificando suas ações pelas “ordens” recebidas.

Mas os promotores disseram que ele disparou entre três e quatro balas com a intenção de matar o civil.

O tribunal também o considerou culpado de assassinato premeditado. “O assassinato foi cometido com intenção direta”, disse o juiz.

O advogado de Shishimarin, Viktor Ovsyannikov, afirmou que vai recorrer do veredicto. Espera-se que esta sentença histórica seja seguida por outras, já que a Ucrânia abriu milhares de casos de crimes de guerra desde a invasão por Moscou.

Cessar o comércio com a Rússia

Enquanto o veredicto era lido, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu no primeiro dia do Fórum Econômico Mundial em Davos o fim de qualquer tipo de comércio com a Rússia e as sanções “máximas” possíveis.

“As sanções deveriam ser assim, deveriam ser máximas (…) E acho que ainda não existem tais sanções contra a Rússia”, afirmou Zelensky em um discurso por videoconferência diante de uma sala cheia que se levantou para aplaudi-lo.

Os países ocidentais impõem sanções econômicas à Rússia. Mas enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido pararam de importar petróleo, a União Europeia ainda não chegou a um acordo sobre o assunto devido à dependência de alguns de seus membros do petróleo e gás russos.

“Deveria haver um embargo ao petróleo russo, todos os bancos russos deveriam ser bloqueados, sem exceção, o setor de tecnologia russo deveria ser abandonado. Não deveria haver comércio com a Rússia”, assegurou o presidente.

Zelensky também pediu mais armas para seu país. “A Ucrânia precisa de todas as armas que pedimos, não apenas das que foram fornecidas”, declarou, considerando que, se as tivesse obtido em fevereiro, “o resultado teria sido dezenas de milhares de vidas salvas”.

Vários líderes ucranianos estão presentes em Davos, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Dmitro Kuleba, e o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.

Táticas de terra arrasada

Após fracassar em seu objetivo inicial de capturar Kiev, as forças de Moscou estão agora focadas em garantir e expandir seus ganhos militares na região do Donbass e na costa sul da Ucrânia.

Na cidade de Severodonetsk, foco de confrontos recentes, o governador regional Sergei Gaidai acusou as forças russas de “usar táticas de terra arrasada, destruindo deliberadamente” a cidade.

Gaidai denunciou que a Rússia está reposicionando tropas da região de Kharkiv (norte), tropas que participaram do cerco de Mariupol (sudeste), milícias separatistas pró-Rússia e até tropas recém-mobilizadas da Sibéria para se concentrar nas regiões de Donetsk e Lugansk.

O mesmo acontece em termos de armas. “Tudo está concentrado aqui”, acrescentou o governador, incluindo os sistemas antiaéreos e antimísseis S-300 e S-400, semelhantes aos americanos Patriot.

Severodonetsk, um ponto crucial na batalha pelo Donbass, está sob fogo de Moscou “24 horas por dia”, denunciou Gaidai.

O exército ucraniano anunciou no Facebook no domingo um balanço de pelo menos sete civis mortos e oito feridos no bombardeio de 45 comunidades na região de Donetsk.

O destino de Severodonetsk se assemelha ao de Mariupol, com uma paisagem apocalíptica após várias semanas de cerco.

De acordo com o MP ucraniano, o país abriu mais de 12 mil investigações por crimes de guerra desde 24 de fevereiro, quando começou a invasão russa.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em viagem pela Ásia, disse em Tóquio nesta segunda-feira que a Rússia “tem que pagar um preço de longo prazo” por sua “barbárie na Ucrânia” em termos de sanções impostas a Moscou.

“Não se trata apenas da Ucrânia”, afirmou Biden. “Se as sanções não forem mantidas em muitos aspectos, que sinal enviaríamos à China sobre o custo de uma tentativa de tomar Taiwan à força?”, perguntou.

A Rússia anunciou nesta segunda-feira que recebeu o plano de paz proposto pela Itália e o está estudando.

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Japão detecta grupo de navios chineses perto da ilha de Okinawa em meio a tensões no Pacífico

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Ministério da Defesa do Japão informou que neste sábado (21) que um grupo de navios chineses, incluindo um porta-aviões, navegou do oceano Pacífico para o mar da China Oriental através das águas entre duas ilhas da prefeitura de Okinawa.

© AFP 2022 / STR

Representantes do ministério japonês supõem que os navios estiveram conduzindo treinamento no Pacífico. Detalha-se que o porta-aviões Liaoning, acompanhado por outros seis navios, passou entre a ilha principal de Okinawa e a ilha de Miyakojima, no sudoeste do Japão.
Autoridades japonesas acreditam que o treinamento era parte dos esforços da Marinha da China com o objetivo de aumentar sua capacidade de executar operações em águas distantes.
O ministério continua a monitorar e a efetuar uma análise detalhada das ações do porta-aviões.

 

A Força Marítima de Autodefesa do Japão monitorou hoje a passagem de sete navios da Marinha do Exército de Libertação Popular no mar da China Oriental entre Miyakojima e Okinawa.
O portal japonês NHK escreve que esta é a quarta vez que o Liaoning foi detectado navegando pelo trajeto de ida e volta nas águas entre as ilhas.
De acordo com o ministério, desde 3 de maio foram vistos caças e helicópteros pousando e decolando no porta-aviões chinês por mais de 300 vezes.
Na semana passada foi informado que Pequim estava realizando exercícios militares no disputado mar do Sul da China, coincidindo com a visita do presidente dos EUA, Joe Biden, à Coreia do Sul e ao Japão.
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Biden promete resposta militar caso China invada Taiwan

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O presidente dos EUA, Joe Biden, declarou que os EUA estão prontos para responder militarmente e defender Taiwan em caso de invasão chinesa.

© AP Photo / Susan Walsh

 

Desta forma, Biden confirmou que pretende garantir a segurança do estreito de Taiwan, não permitindo “mudanças no estado de coisas”.
“Continuamos comprometidos em manter a paz e a segurança no estreito de Taiwan, e estamos determinados a garantir que seu status quo não seja unilateralmente alterado”, afirmou Biden.
Além disso, ao ser questionado sobre se os EUA poderão se envolver em um plano de defesa da área, Biden afirmou que o país está pronto para defender Taiwan “em caso de invasão” chinesa.
“Escutem, estas são as obrigações que nós assumimos”, enfatizou.
Anteriormente, o diretor do Escritório da Comissão Central para Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, disse ao assessor de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, durante conversa telefônica que Pequim tomará medidas duras se Washington interferir nos assuntos internos do país.
Ele especificou que a questão de Taiwan é a mais importante e sensível nas relações sino-americanas e que, se os EUA continuarem jogando a chamada carta taiwanesa e seguindo o “caminho errado”, isso inevitavelmente resultará no surgimento de uma “situação perigosa”.
Pequim considera Taiwan parte inalienável de seu território soberano e se opõe a quaisquer contatos oficiais entre a ilha e outros países. Enquanto isso, os EUA apoiam as forças pró-independentistas em Taiwan e vendem armas à ilha.
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