Eduarda Esteves, Luana Takahashi e Luis Adorno
São Paulo, SP (UOL/FOLHAPRESS)
Os advogados de defesa dos três policiais militares acusados pelo assassinato de Vinicius Gritzbach, um delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), afirmam que seus clientes não participaram do crime e que as acusações contra eles são falsas.
Os policiais acusados são o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Dênis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva. Eles estão presos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, respondendo por homicídio doloso e organização criminosa. Além disso, eles também são acusados pelos homicídios de Celso Araújo Sampaio Novaes e pelas tentativas de homicídio de Willian Souza Santos e Samara de Oliveira, que estavam no aeroporto durante o assassinato e foram atingidos pelos disparos.
A defesa responsabiliza uma “banda podre da Polícia Civil” pela morte do empresário. De acordo com o advogado Claudio Dalledone, um grupo de agentes civis em São Paulo extorquia a vítima e tinha motivos para querer sua morte. Ele afirmou que as provas materiais e documentais dessa acusação serão apresentadas no julgamento.
Defensores alegam que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) fabricou provas contra os policiais militares. Apesar das investigações terem encontrado a localização dos réus e vestígios de material genético nos objetos usados no crime, a defesa considera essas provas falsas e afirma que os policiais não estavam no local do assassinato.
Os advogados comparam o caso à manipulação de informações na investigação da morte da vereadora Marielle Franco, criticando a Polícia Civil por colocar inocentes no banco dos réus e tirando a culpa dos verdadeiros culpados.
O cabo Dênis e o soldado Ruan são apontados como atiradores no crime, e o tenente Genauro teria dirigido o carro de fuga. Os três trabalhavam em batalhões diferentes, mas estavam ligados e tinham relação com o delator.
Um total de 21 testemunhas foram convocadas para o julgamento, que será presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, já conhecido por julgar casos de grande repercussão. Os dois homens suspeitos de serem mandantes do crime, o narcotraficante Emílio Carlos Gongorra Castilho (conhecido como Bill ou Cigarreiro) e Diego dos Santos Amaral (Didi), estão foragidos.
Também está foragido o olheiro do PCC, Kauê do Amaral Coelho, acusado de avisar os atiradores do momento exato do assassinato. Eles não serão julgados neste processo por ainda não terem sido formalmente acusados.
Segundo o Ministério Público, o processo contra os foragidos ficará suspenso até que sejam presos ou constituam advogado. Diego dos Santos Amaral já tem advogado e aguarda análises jurídicas para ir a júri.
Os três policiais nunca foram encontrados pela polícia e respondem aos crimes de homicídio e organização criminosa. Didi é tio de Kauê e participou, junto com Cigarreiro, do sequestro de Gritzbach em 2022, pouco antes do assassinato. Na ocasião, a vítima foi levada a um ‘tribunal do crime’ por suspeitas dentro do mundo do crime organizado.
Cigarreiro tem ligações com o Comando Vermelho do Rio de Janeiro e com o PCC em São Paulo, tendo buscado refúgio na Vila Cruzeiro, no Rio, após o crime.
Vinicius Gritzbach foi morto a tiros em 8 de novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao desembarcar. Ele era um dos principais delatores do PCC, e as investigações revelaram envolvimento tanto de policiais civis quanto militares ligados ao crime organizado.
De acordo com o DHPP, o motivo do assassinato foi a desvio de R$ 100 milhões em criptomoedas do criminoso conhecido como Cara Preta, que Gritzbach teria cometido, além de ter ocultado R$ 4 milhões de Cigarreiro e delatado integrantes do PCC.
As investigações indicam que o crime foi cometido por um consórcio formado por criminosos do PCC e do CV, incluindo os três policiais militares. Além dos mencionados, Gritzbach também havia denunciado corruptos dentro da Polícia Civil e outros envolvidos, que não respondem pela morte.
Segundo o Ministério Público, os policiais militares teriam aceitado uma recompensa para executar o crime, agindo como mercenários e assassinos de aluguel.
