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Covid-19: Juiz nega prioridade na vacinação para dentistas do DF

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Em suas considerações, o juiz entendeu que o conselho não tem legitimidade para entrar com o mandado de segurança coletivo

(crédito: Ana Rayssa)

Apesar de solicitarem a vacinação contra a covid-19 imediata dos profissionais da rede privada, o Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal (CRO-DF) teve pedido negado pela 3ª Vara Federal Cível do DF. O mandado de segurança foi executado no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e a negativa saiu nesta quinta-feira (11/2).

Em suas considerações, o juiz federal Bruno Anderson Santos da Silva entendeu que o conselho não tem legitimidade para entrar com o mandado de segurança coletivo. “O CRO-DF não é uma organização sindical ou entidade de classe e por isso não poderia representar os profissionais de Odontologia no presente caso. E por essa razão não analisou o mérito da ação”, ponderou.

Em nota, o CRO-DF defendeu que o órgão é parte legítima para propor a ação, uma vez que compete ao órgão promover por todos os meios ao seu alcance o perfeito desempenho técnico da odontologia. “É justamente o objeto do mandado de segurança, que visa garantir que a odontologia seja exercida de forma segura tanto para os profissionais, quanto para a sociedade”, frisou.

Para o órgão, os profissionais fazem parte da primeira fase de vacinação no DF, que incluiu servidores da rede pública em todos os níveis de atenção à saúde, trabalhadores dos hospitais privados, conveniados, filantrópicos, universitários e militares, entre outros.

O Presidente do CRO-DF, Marco Antônio dos Santos, informou ainda, que continuará empenhado em garantir aos profissionais da odontologia que atuam na rede privada tenham os mesmos direitos já garantidos aos da rede pública. “Entendemos que essa medida é essencial para garantir o pleno exercício técnico da odontologia”, afirmou em nota.

Previsão

De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, os dentistas serão contemplados com os profissionais remanescentes de trabalhadores da saúde, tão logo seja finalizado o grupo prioritário de idosos. Em nota, a pasta esclareceu que, em função do baixo número de doses de vacinas recebidas pelo Ministério da saúde até o momento, têm priorizado os grupos de risco com maiores chances de contrair a doença, como profissionais e servidores da saúde e óbito pela covid-19.

“Os grupos serão ampliados conforme a disponibilidade de mais vacinas, conforme o plano distrital de vacinação divulgado anteriormente. Contudo, podem haver alterações no cronograma de vacinação, a depender do número de doses recebidas”, explicou a secretaria em nota.

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Hidroxicloroquina não deve ser usada como prevenção contra a covid-19, indica OMS

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Estudos não mostraram efeitos significativos sobre mortes ou internações de covid-19 e apontaram riscos de efeitos adversos provocados pela substância

OMS: estudos mostram que a hidroxicloroquina não deve ser usada na prevenção da covid-19 (Brasil2/Getty Images)

Um painel de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira, 1º, uma recomendação contrária ao uso da hidroxicloroquina como método de prevenção para a covid-19. Eles dizem que os estudos não mostraram efeitos significativos sobre mortes ou internações e apontaram riscos de efeitos adversos provocados pela substância. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o uso do remédio ao longo da pandemia, embora várias pesquisas tenham mostrado que ele não tem eficácia contra o vírus.

A nova recomendação é de autoria do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes (GDG, na sigla em inglês) da OMS. Os especialistas dizem que a “forte recomendação” é baseada em evidências de alta certeza obtidas em seis estudos randomizados e controlados com 6 mil participantes.

“A evidência de alta certeza mostrou que a hidroxicloroquina não teve efeito significativo em mortes e admissões em hospitais, enquanto evidência de certeza moderada mostrou que a hidroxicloroquina não teve efeito significativo sobre infecções confirmadas em laboratório e provavelmente aumenta o risco de efeitos adversos”, declarou a OMS em nota à imprensa.

O grupo, diz a organização, considera que a droga não tem mais prioridade para pesquisa e que os recursos devem ser usados para avaliar outras drogas mais promissoras na prevenção contra o vírus. “Essa diretriz se aplica a todos que não têm covid-19, independentemente da exposição a uma pessoa com a infecção”, reforçou.

A recomendação desta segunda é a primeira versão de uma diretriz voltada a medicamentos capazes de prevenir a doença. O objetivo da OMS é promover orientação confiável sobre a gestão da covid e ajudar médicos a tomarem melhores decisões para seus pacientes. A diretriz poderá ser atualizada diante de evidências. Novas recomendações serão acrescentadas no momento em que estudos de relevância se tornarem disponíveis.

A cloroquina e a hidroxicloroquina integram orientação oficial emitida pelo Ministério da Saúde no ano passado, com recomendação voltada a casos leves, moderados e graves. Neste ano, um aplicativo da pasta chegou a sugerir os remédios até a bebês, e foi retirado do ar. O Estadão mostrou que as prefeituras que receberam a doação do ministério agora querem devolver os medicamentos sem eficácia.

 

 

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Vacina da Pfizer pode ser menos eficaz em pessoas obesas, sugere estudo

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Outras pesquisas sugerem que a obesidade aumenta o risco de morrer de covid-19 em quase 50% e o risco de ir para o hospital em 113%

Obesidade: pessoas com IMC acima de 30 correm maior risco de contaminação e até reinfecção (South_agency/Getty Images)

Pesquisadores do Instituto de Fisioterapeutas Ocupacionais, na Itália, desenvolveram um estudo, ainda não revisado por pares, que indica que pessoas obesas podem precisar de mais de duas doses da vacina contra o coronavírus da Pfizer com a BioNTech para conseguir todos os anticorpos.

Eles analisaram 248 profissionais que tomaram a vacina da Pfizer e viram que, sete dias após a segunda dose, 99,5% desenvolveram anticorpos. O número foi, inclusive, mais alto do que é visto em pessoas que se recuperaram da covid-19 e não tomaram vacina.

Para pessoas obesas, porém, a resposta foi outra: a equipe descobriu que profissionais de saúde com obesidade produziram por volta de metade dos anticorpos previstos na segunda dose em comparação com pessoas consideradas magras, de acordo com o índice de massa corporal (IMC).

Outras pesquisas feitas previamente sugerem que a obesidade (IMC acima de 30) aumenta o risco de morrer de covid-19 em quase 50% e o risco de ir para o hospital em 113%. Tais números se dão por conta das outras condições médicas que pessoas obesas tendem a ter, como doenças cardíacas ou diabete tipo 2, que as tornam vulneráveis ao coronavírus.

O excesso de gordura corporal também leva a resistência à insulina e inflamações, o que dificulta o combate do corpo contra infecções. A inflamação constante enfraquece respostas imunológicas como as lançadas pelas células B e T, responsáveis pela ação protetora após a vacinação.

Um segundo artigo foi realizado pelos pesquisadores italianos, desta vez com foco em profissionais de saúde brasileiros, e mostrou que a reinfecção também é mais comum entre pessoas com IMC alto. Já em análises sobre a vacina contra a gripe, não realizados pela equipe, o resultado é semelhante ao novo estudo: apenas metade da eficácia em pessoas obesas em comparação com magros.

“Visto que a obesidade é um importante fator de risco para morbidade e mortalidade para pacientes com covid-19, é obrigatório planejar um programa de vacinação eficiente neste subgrupo”, escreveram os autores do estudo. “Embora mais estudos sejam necessários, esses dados podem ter implicações importantes para o desenvolvimento de estratégias de vacinação particularmente em pessoas obesas. Se nossos dados fossem confirmados por estudos maiores, dar aos obesos uma dose extra da vacina ou uma dose mais alta poderia ser uma opção a ser avaliada nessa população”.

Para Danny Altmann, professor de imunologia do Imperial College London, o artigo é interessante, mas utiliza um conjunto de dados preliminares bastante pequeno. “Isso confirma que ter uma população vacinada não é sinônimo de ter uma população imune, especialmente em um país com alta obesidade, e enfatiza a necessidade vital de programas de monitoramento imunológico de longo prazo”, comenta.

 

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Um ano de coronavírus no Brasil: os bastidores da descoberta do primeiro caso oficial

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Por mais que o primeiro caso tenha sido detectado no Brasil no dia 26 de fevereiro de 2020, hoje sabe-se que o coronavírus já circulava por aqui muito antes disso

 

O infectologista Fernando Gatti estava descansando em casa quando seu celular tocou por volta das 20h do dia 24 de fevereiro de 2020, uma Segunda-Feira de Carnaval.

Do outro lado da linha, um médico que trabalhava no plantão do pronto-socorro do Hospital Israelita Albert Einsten, na zona sul de São Paulo, tinha uma pergunta importante: ele deveria ou não pedir um teste de covid-19 para um paciente que apresentava sintomas de gripe e tinha acabado de voltar de uma viagem à Itália?

Gatti, que é coordenador médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein, não teve dúvidas, e orientou seu colega a realizar o exame.

Em poucas horas, já no dia 25, o laudo deu a notícia que todo o Brasil sabia que viria, mais cedo ou mais tarde: o primeiro caso de covid-19 havia sido oficialmente detectado no país.

Mas antes de entrar nos detalhes desta história, é preciso retroceder algumas semanas para entender qual era o clima e o contexto no Brasil e no mundo.

Casa arrumada para o caos

As primeiras notícias sobre uma “pneumonia misteriosa” que estava afetando algumas partes da China começaram a surgir na mídia internacional no final de dezembro de 2019.

A informação de que a doença era causada por um novo tipo de coronavírus foi transmitida por cientistas chineses e divulgada a partir do dia 8 de janeiro de 2020.

Rapidamente, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, foi identificada como epicentro da crise sanitária e teve seus aeroportos, portos, ferrovias e rodovias bloqueadas, numa tentativa de conter a disseminação do agente infeccioso.

Mas já era tarde demais: logo apareceram casos em outras partes da China e o agente infeccioso foi identificado em países próximos, como Japão e Tailândia.

Wuhan

Getty Images Primeiro caso de uma ‘pneumonia por causa desconhecida’ foi registrado em Wuhan no início de dezembro de 2019

Os episódios de covid-19 se espalharam rapidamente para outros continentes e foram detectados na Europa e na América do Norte.

Portanto, havia a certeza quase absoluta que o vírus chegaria em algum momento ao Brasil ainda no primeiro trimestre de 2020.

“E nós sabemos que o público que utiliza os serviços do Einstein e de outros hospitais particulares costuma fazer muitas viagens internacionais, então já imaginávamos que o primeiro caso poderia ser diagnosticado aqui”, aponta Gatti.

Foi justamente pensando nessa possibilidade que o infectologista liderou uma verdadeira força-tarefa para organizar a instituição para o que viria pela frente.

“Desde o início de janeiro de 2020 nós fizemos treinamentos para deixar toda a equipe preparada e reforçamos os estoques de equipamentos de proteção, como as máscaras, os aventais, as luvas, os óculos e o face shield”, lembra.

Segundo Gatti, outra decisão importante foi a de ampliar a suspeita de covid-19 para todos aqueles que tivessem feito viagens internacionais e apresentassem sinais sugestivos de uma infecção respiratória.

“Naquele momento, a Organização Mundial da Saúde só preconizava a realização de exames para aqueles indivíduos com sintomas que tinham retornado da Ásia”, diz.

A orientação para todos os médicos que faziam plantões no Einstein era uma só: ligar para o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar caso tivessem qualquer dúvida sobre a necessidade de fazer o teste para detectar o novo coronavírus nos pacientes que ingressavam pelo pronto-socorro da instituição.

O primeiro de 10 milhões

E esse protocolo foi seguido à risca naquela noite de 24 de fevereiro.

Poucas horas depois, já na madrugada do dia 25/02, Gatti recebeu uma nova ligação em seu telefone: o Laboratório de Biologia Molecular do Einstein havia concluído a análise da amostra de material colhida do paciente e tinha encontrado o novo coronavírus ali.

Entre janeiro e fevereiro, os cientistas da instituição haviam examinado cerca de 20 a 30 casos suspeitos por semana, mas todos voltavam com resultados negativos.

A virologista Rúbia Anita Santana, coordenadora do Setor de Biologia Molecular do Einstein, se recorda da dificuldade em encontrar materiais e insumos num momento em que as informações sobre o novo coronavírus estavam absolutamente desencontradas.

“Não existia no mercado nenhum kit de detecção pronto. Nós tivemos que desenvolver um novo produto do zero, para estarmos preparados quando a doença chegasse no Brasil”, conta.

Santana mal sabia que, passados alguns meses dessas primeiras experiências, ela e sua equipe precisariam fazer até 80 mil testes de covid-19 ao mês. “Reestruturamos completamente nosso espaço e nosso fluxo de trabalho. Foi muito desafiador”, destaca.

Ao receber a informação do laudo positivo, Santana, Gatti e a equipe do laboratório repetiram o exame novamente, para ter certeza de que não havia acontecido algum percalço no procedimento ou algum problema nos equipamentos do laboratório.

“Esse segundo teste foi processado durante a madrugada e, na manhã do dia 25, eu já estava no hospital quando ficamos sabendo que o resultado era mesmo positivo”, diz o infectologista.

Após a confirmação, o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, ficou responsável por levar a notícia ao alto comando do hospital.

“O protocolo já estava pronto e, quando o resultado saiu, as lideranças foram notificadas para seguir com o plano de divulgação”, descreve.

Antes de comunicar a imprensa e a sociedade, porém, as amostras do paciente foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, que é o laboratório referência para a análise de doenças infecciosas no Estado de São Paulo.

Uma terceira rodada de testes, que se alongou pela tarde e pela noite da terça-feira (25/02), confirmou mais uma vez que se tratava mesmo do primeiro caso de covid-19 no Brasil.

O anúncio oficial foi feito no dia seguinte, na manhã da quarta-feira de cinzas, 26 de fevereiro, por Luiz Henrique Mandetta, o então ministro da Saúde.

“Agora, com o primeiro caso confirmado no Brasil, vamos ver como o vírus vai se comportar em um país tropical em pleno verão. É um vírus novo, que pode ou não manter o mesmo padrão de comportamento de transmissão que tem no hemisfério norte, com o frio”, discursou Mandetta naquele dia.

No mesmo evento, o então ministro da Saúde também descartou a possibilidade de fechar as fronteiras ou fazer testagem em aeroportos. “[Isso] não tem eficácia nenhuma, porque os pacientes podem ter o vírus sem apresentar sintomas. Essa é mais uma doença que a humanidade vai ter que enfrentar.”

Vale dizer, no entanto, que o caso identificado no Einstein, como descrito acima, foi o primeiro detectado de forma oficial.

Estudos posteriores divulgados a partir de maio de 2020 mostraram que o vírus já circulava pelo país muito antes dessa data — e se aproveitou das aglomerações e da falta de medidas de restrição para criar cadeias de transmissão Brasil adentro.

Evoluções e recaídas

À época, o primeiro diagnosticado com covid-19 no Brasil estava com 61 anos, morava em São Paulo e havia retornado de uma viagem pela Itália, onde permanecera entre os dias 9 e 21 de fevereiro.

A situação da Itália, mais especificamente na região da Lombardia, foi bastante dramática nos primeiros meses da pandemia. Cenas de caminhões militares transportando caixões pelas ruas da comuna de Bergamo foram um dos símbolos mais fortes da crise de saúde pública que abateu a Europa naquele momento.

Com incômodos como tosse, febre, dor de garganta e coriza, o paciente foi avaliado pelos médicos do Einstein e, como não apresentava sinais de complicação, acabou liberado para seguir o tratamento em casa, com orientações de quarentena bastante restritas.

Seu estado clínico era checado várias vezes ao dia por meio de conversas telefônicas e mensagens de WhatsApp.

“Uma semana depois, ele precisou ser internado porque a febre persistia. Durante a hospitalização, nós encontramos uma pneumonia bacteriana, que costuma ser um quadro associado a covid-19 em cerca de um terço dos casos”, estima Gatti.

Caminhões do exército italiano em comboio pelas ruas de Bergamo, na Itália

Getty Images Em Bergamo, na Itália, caminhões do exército foram recrutados para recolher os caixões dos mortos pela covid-19 e levá-los até os cemitérios e crematórios de cidades próximas

Após o tratamento adequado, a infecção nos pulmões acabou controlada e logo a alta hospitalar foi dada.

Gatti lembra que o paciente se mostrou bastante incomodado com a cobertura jornalística de sua condição de saúde. Ele sentia que as reportagens o apontavam como culpado por trazer a covid-19 ao Brasil — e hoje em dia não há dúvidas que o coronavírus já circulava por aqui antes de 26/02 e teve múltiplas entradas no país, com vários passageiros que retornaram já infectados de viagens internacionais.

O outro lado do consultório

Mas as complicações após o primeiro diagnóstico não se limitaram ao paciente. O médico também acabou sentindo abalos na própria saúde.

“Em março, eu tive um episódio de burnout e precisei tirar uma licença do trabalho durante dez dias”, revela Gatti.

Burnout é uma enfermidade psiquiátrica marcada pelo completo esgotamento físico e emocional que impede a pessoa de trabalhar ou fazer qualquer atividade.

O infectologista diz que parte de sua condição se deveu à frustração de lidar com uma doença nova, em que não havia conhecimento suficiente para oferecer o melhor tratamento a quem precisa de ajuda.

“Nós perdemos muitas vidas e é muito difícil comunicar a família. Depois de cada dia, sempre ficava pensando o que podia ter feito de diferente, de melhor, e não encontrava respostas”, comenta.

A crise só foi superada graças ao apoio psiquiátrico. “Nós precisamos falar mais sobre o esgotamento e a sobrecarga de trabalho que afetam todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia”, alerta Gatti.

Um ano depois, as lições

Passados 12 meses do primeiro diagnóstico oficial, o Brasil contabiliza mais de 10,2 milhões de casos e quase 250 mil mortes pela covid-19.

Até o momento, o Brasil é o país com o segundo número mais alto de óbitos de todo o mundo e o terceiro na quantidade de infectados em números absolutos.

Mas o que será que um ano de pandemia nos deixou de ensinamento? A BBC News Brasil fez essa pergunta para os três profissionais que estiveram envolvidos com o episódio dos dias 24, 25 e 26 de fevereiro de 2020.

Para Rizzo, a covid-19 escancarou a necessidade de investimentos na ciência colaborativa dentro do Brasil e no mundo.

“Enquanto cientistas, precisamos estar mais abertos para trabalhar em conjunto e entender que é impossível viver sem pesquisa. Se nós tivéssemos mantido os estudos sobre o Sars-CoV, o vírus causador da Síndrome Aguda Respiratória Grave (Sars) de 2003, talvez hoje entendêssemos um pouco melhor o coronavírus atual e já tivéssemos tratamentos para ele”, analisa.

O especialista destaca a façanha do desenvolvimento de uma vacina em menos de um ano e do esforço para estudar e conhecer os possíveis efeitos de diversos medicamentos contra a covid-19.

Santana sublinha a necessidade de lidar com o imprevisível e, de certa maneira, estar preparado para isso.

“O coronavírus fez a gente voltar ao jardim de infância da virologia e reaprender muito do que sabíamos sobre doenças infecciosas. Ele tem características únicas, muito diferentes daquilo que já tínhamos visto”, raciocina.

Por fim, Gatti entende que a comunicação e o trabalho em equipe foram decisivos para salvar muitas vidas.

“A pandemia deixou ainda mais nítida a noção de que a saúde não depende só do médico. A equipe multidisciplinar composta de enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas e os demais profissionais é decisiva para a melhora do paciente”, defende o infectologista.

No cenário em que a vacinação contra a covid-19 está disponível e sinaliza que a pandemia acabará (num futuro ainda distante), os exemplos do passado recente nos permitem lembrar o início de um ano que mudou o Brasil e o mundo para sempre.

 

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Com decisão do STF, estados começam movimentação para comprar vacinas

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Os governos de São Paulo, do Pará e de Goiás confirmam que iniciaram negociações para adquirir imunizantes, além dos incorporados ao Programa Nacional de Imunização (PNI)

(crédito: THOMAS KIENZLE / AFP)

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar, por maioria, a aquisição de vacinas contra a covid-19 por parte dos estados e municípios quando a oferta do governo federal for insuficiente, os entes federativos começam a movimentar compras cujas tratativas estavam em andamento. Enquanto a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) anunciou a criação de um consórcio para garantir doses extras aos municípios, os governos de São Paulo, do Pará e de Goiás, por exemplo, confirmam a contribuição para adquirir imunizantes além dos incorporados ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

Em comunicado, o governador do Pará, Helder Barbalho, anunciou a importação de 3 milhões de doses de vacinas de laboratórios que tenham aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Estamos acompanhando o plano nacional e, lamentavelmente, a oferta de vacina ainda é muito pequena, o que impede que possamos avançar rapidamente”. O objetivo, segundo o governo, é vacinar o maior número possível de pessoas nos 144 municípios paraenses.

O governador do Goiás, Ronaldo Caiado, também informou pelas redes sociais que já busca negociar com laboratórios para imunizar a população goiana. “Vacina já e para todos sempre foi o meu objetivo frente a essa pandemia. E agora que o STF autorizou, já estou em negociação com laboratórios para que em breve possamos ter o todo povo goiano imunizado e protegido da covid-19”, disse.

O governo do estado de São Paulo havia informado anteriormente a decisão do Supremo que busca fechar um contrato com a Sinovac, empresa desenvolvedora da vacina CoronaVac, para a aquisição de mais 20 milhões de doses para imunizar a população paulista.

“O governo do estado de São Paulo tomou a decisão de adquirir sob sua responsabilidade, sob seu custo, mais 20 milhões de doses da vacina”, disse o governador paulista, João Doria, em coletiva em 5 de fevereiro.

Prefeitos também vão atrás de vacinas

Nessa terça-feira (23), diante da decisão do STF, a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) anunciou a criação de um consórcio para organizar as aquisições de novas vacinas contra covid-19, de forma a complementar a oferta do Programa Nacional de Imunização (PNI), caso ela seja insuficiente para atender à demanda.

O objetivo, segundo a frente, é buscar alternativas que não estão sendo adquiridas pelo governo federal. Pelas redes sociais, a FNP declarou: “Diante da decisão do STF, vamos liderar a constituição de um consórcio público com finalidade específica para aquisição de vacinas contra a covid-19”. Os detalhes de como funcionará esta articulação serão anunciados nos próximos dias.

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“Temos sido muito duros, e eles têm sido mais”, diz Pazuello sobre Pfizer

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Segundo o ministro da Saúde, a pressão por parte do governo para que a farmacêutica afrouxe as cláusulas não tem surtido resultado. Por isso, a pasta aguarda lei para flexibilizar responsabilidade do governo em relação a eventuais efeitos colaterais

(crédito: AFP / JACK GUEZ)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou, nesta quarta-feira (24/2), que aguarda a flexibilização de leis para poder comprar a vacina contra a covid-19 produzida pela Pfizer/BioNTech, que teve o registro definitivo aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última terça-feira (23). O Ministério da Saúde questiona cláusulas, como isenção de responsabilidade sobre efeitos colaterais por parte da farmacêutica, e por isso diz que ainda não foi possível adquirir o imunizante.

Nós estamos negociando com os laboratórios, basicamente os americanos, com a Pfizer e Janssen, já há seis meses, e essas negociações implicam em discussões das cláusulas exigidas. Nós temos sido muito duros e eles têm sido mais duros do que a gente. Eles não afrouxam uma vírgula. Nós levamos o problema ao governo e o governo está tratando isso junto ao Congresso, e está se discutindo a possibilidade de termos flexibilização de lei para isso”, informou o general, durante coletiva de imprensa realizada durante visita do gestor ao Acre.

As informações foram ditas pelo ministro em visita ao Acre ao lado de outros ministros e do presidente da República, Jair Bolsonaro, que complementou reforçando a cláusula do contrato com a Pfizer que a isenta de responsabilização.

“Uma coisa de extrema responsabilidade quem por ventura no Brasil tiver que dar a palavra final. Se sou eu como presidente, se é parlamento derrubando possível veto ou se é o Supremo Tribunal Federal(STF). Agora, todas as cláusulas serão mostradas à população para que, na ponta da linha, cada um saiba o que está sendo aplicado”, afirmou Bolsonaro.

Questões legislativas brasileiras

Segundo a Pfizer, as cláusulas apresentadas ao governo brasileiro “estão em linha com os acordos fechados em outros países do mundo, inclusive na América Latina”. O imunizante da farmacêutica já é aplicado em diversos países, como Estados Unidos, Canadá, Israel e Chile. A farmacêutica atribui o impasse a questões legislativas brasileiras. Em comunicado, a Pfizer admite que, ao longo das negociações, “ficou claro que é necessária uma adequação legislativa para que o país tenha, assim como outros países, um amplo acesso às vacinas”.

Pazuello afirmou que “se vier uma autorização clara”, que flexibilize as cláusulas, irá comprar os imunizantes da Pfizer e da Janssen. No âmbito do Congresso Nacional, parlamentares têm atuado para que o Brasil passe a aplicar a vacina da Pfizer, buscando soluções em relação às cláusulas. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apresentou um projeto de lei na última terça-feira (23) que permite que a União assuma os riscos, com a intenção de solucionar os entraves relativos à cláusula que não está sendo aceita pelo Palácio do Planalto.

A proposta abre margens para que o poder público assuma riscos de ser responsabilizado por eventuais efeitos negativos provocados por vacinas contra a covid-19. A medida valeria enquanto durar a emergência em saúde pública nacional em razão da pandemia e só serviria de subsídio para iniciativas que receberem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como é o caso da Pfizer, primeira farmacêutica a ter o registro definitivo de uma vacina contra a covid-19 no Brasil.

 

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Vacina contra Covid-19: postos do DF param de aplicar 1ª dose; Saúde nega suspensão da campanha

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Funcionários de unidades disseram que têm vacinas apenas para segunda dose; idosos também relatam que não conseguiram imunizante. Governo diz que material está sendo aplicado ‘no público-alvo estabelecido, que está numericamente reduzido’.

Profissionais de saúde aplicam vacina contra Covid-19 no DF — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Distrito Federal deixaram de aplicar a primeira dose da vacina contra a Covid-19 nesta terça-feira (23). Apesar de a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) afirmar que há estoque disponível e que a campanha continua, funcionários de UBSs afirmam que foram orientados a aplicar apenas a segunda dose, em pacientes que já receberam a inicial.

Também nesta terça, a Diretoria Regional de Atenção Primária à Saúde da região central, que inclui o Plano Piloto e outras áreas, afirmou que os postos não devem mais aplicar a primeira dose. A reportagem recebeu ainda relatos de pacientes que tentaram receber a vacina, mas foram informados que a campanha estava suspensa (veja mais abaixo).

Apesar dos relatos e documentos, a SES-DF afirma que “a aplicação da primeira dose (D1) não será suspensa. Elas estão sendo aplicadas no público-alvo estabelecido, que está numericamente reduzido”.

“Algumas faltas pontuais e localizadas são resolvidas com remanejamento de doses. A redução do quantitativo de vacinas da primeira dose é acompanhada pela redução também do público a ser vacinado”, diz a pasta.

Sem vacinas
Na UBS 1 do Guará, funcionários disseram à TV Globo que estão aplicando apenas a segunda dose da CoronaVac para quem tem a data prevista no cartão. A reportagem encontrou situação similar na UBS1 da Candangolândia e na UBS 1 do Riacho Fundo I.

Já na UBS 5 de Taguatinga Sul, o empresário Jair Magalhães afirma que não conseguiu vacinar a mãe, de 79 anos, e o pai, de 80 anos. Ele conta que, na segunda (22), procurou atendimento no posto drive-thru de Águas Claras e foi orientado a ir à UBS, já que no outro posto estava sendo aplicada apenas a segunda dose.

No entanto, ao chegar na UBS nesta terça, foi informado de que a aplicação da primeira dose estava interrompida no local (veja vídeo acima). Em conversa gravada por Jair, um funcionário da unidade afirma que a imunização “de fato está suspensa”.

“Recebi determinação [ao] meio-dia que a D1 não é mais para ser feita”, disse o profissional.

“É uma palhaçada. Meus pais nem estão saindo de casa e eu os levei até lá. [Os funcionários] não me falaram absolutamente nada. Tinha dose lá, mas disseram que não podiam aplicar a primeira dose”, reclama Jair.

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quarta-feira, 3 de março de 2021

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