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quinta-feira, 30/07/2026

Polícia atua em 4 a cada 10 tiroteios no primeiro semestre em Salvador, Belém e Recife

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BRUNA FANTTI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Nos primeiros seis meses deste ano, das 2.511 ocorrências de tiroteios nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém, a polícia esteve envolvida em 39% desses confrontos, segundo relatório do Instituto Fogo Cruzado divulgado nesta quarta-feira (29).

O instituto utiliza dados coletados por um aplicativo que permite o registro em tempo real e um banco de dados aberto sobre violência armada. No mesmo período do ano anterior, a presença policial nos tiroteios era de 33%.

Durante o primeiro semestre de 2026, foram 2.403 pessoas baleadas nos 57 municípios monitorados, sendo 1.628 mortes e 775 feridos. Dessas vítimas, 901 foram atingidas em ações policiais, que participaram em 989 tiroteios.

Terine Husek Coelho, gerente de pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, comenta que o modelo atual de segurança pública já dura três décadas, falhando em desarticular grupos armados e garantir segurança à população, mesmo com maior envolvimento policial.

Em Salvador e região metropolitana, a polícia esteve presente em 56% dos 656 tiroteios, mais que no Rio (47%), Belém (45%) e Recife (9%). Na capital baiana, 340 das 637 vítimas foram baleadas em operações policiais; 93% das chacinas aconteceram em ações policiais, resultando em 49 mortes, especialmente nos bairros Nordeste de Amaralina e Pirajá, que concentram 37% das mortes em chacinas policiais.

Tailane Muniz, coordenadora regional na Bahia, destaca que a alta letalidade policial é um problema persistente, apesar de discursos governamentais comemorarem pequenas reduções. A forma atual de atuação do Estado permanece focada no confronto.

Nas quatro regiões, houve aumento de 12% nos baleados em confrontos entre facções (de 181 para 203) e 9% em casos relacionados a roubos (de 239 para 260).

Rio tem recorde em disputas entre facções

O Grande Rio registrou 976 tiroteios no semestre, com participação policial em 47%, o percentual mais alto desde 2017.

Embora tenha ocorrido uma queda de 35% no número de tiroteios entre grupos armados, o número de baleados atingiu o maior nível já registrado, com 144 pessoas feridas, aumento de 78%.

Foram 147 baleados em roubos ou tentativas de roubo, 40% a mais, o maior número em quatro anos.

O município do Rio concentrou 64% dos tiroteios; Maré foi o bairro com mais casos, e Taquara teve o maior número de baleados (29).

Recife teve o menor número de tiroteios desde 2019 (645, queda de 12%), porém acumulou o maior número de tiroteios envolvendo a polícia (60), um aumento de 88%.

O número de baleados em assaltos cresceu 89% em relação ao primeiro semestre de 2025, chegando a 53 vítimas nos últimos quatro anos.

Ana Maria Franca, coordenadora regional em Pernambuco, afirma que uma política focada só no enfrentamento não aumenta a segurança e reforça os riscos. O combate ao crime organizado precisa de ações integradas e de longo prazo, incluindo rastreamento de dinheiro e suas lideranças.

Belém registra recorde de violência dentro de casa

Em Belém, os 234 tiroteios mostraram queda de 20%, mas 45% deles envolveram policiais.

Houve aumento de 90% no número de pessoas baleadas dentro de casa, totalizando 59 vítimas no semestre, igualando o número de todo o ano anterior.

Das pessoas feridas dentro desses locais, 76% foram em ações policiais.

Eryck Batalha, coordenador regional no Pará, comenta que o aumento da violência dentro dos lares revela uma crise maior que a segurança pública, mostrando a falta de presença do Estado nas áreas afetadas, que aparece apenas de forma reativa e armada.

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