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quinta-feira, 30/07/2026

Petrobras adia finalização de poço na Foz do Amazonas

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VINICIUS SASSINE E NICOLA PAMPLONA
BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A Petrobras adiou mais uma vez a finalização da perfuração de um poço de petróleo na região da Foz do Amazonas. Esta etapa é importante para verificar se há óleo em quantidade comercial.

A empresa comunicou ao Ibama que o trabalho só deve ser concluído no fim de agosto. O documento foi encaminhado na última terça-feira (28) para o órgão que cuida da licença ambiental na costa do Amapá.

Segundo a Petrobras, o Ibama será mantido informado sobre as novas datas da perfuração. Inicialmente, o prazo previsto era até 7 de agosto, conforme cronograma divulgado em junho, para o poço localizado a 160 km da costa, próximo a Oiapoque (AP).

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que o processo está sendo feito com muita cautela por ser uma área nova para exploração de petróleo. A região apresenta correntes marítimas fortes, que são um dos maiores desafios, conforme apontado pelo Ibama. Essas correntes foram uma das causas de um acidente que suspendeu as atividades em janeiro.

Em junho, Magda comentou sobre as dificuldades da área, informando que perfurar na Foz do Amazonas é mais complicado devido à correnteza, comparado com outras regiões do exterior.

A plataforma está posicionada a cerca de dois mil metros do fundo do mar, deixando a tubulação exposta às fortes correntes.

A exploração no bloco 59, localizado na bacia da Foz do Amazonas, começou em outubro de 2025, após o presidente Lula pressionar pela autorização da licença ambiental concedida pelo Ibama.

A região costeira de Oiapoque é ambientalmente sensível, com manguezais e uma biodiversidade rica, além da presença de 12 mil indígenas de quatro etnias, que dependem do ambiente para sua subsistência por meio da pesca, caça e agricultura.

O licenciamento ambiental considerou esses aspectos, e o projeto foi aprovado apesar das preocupações, motivado pela pressão de lideranças políticas locais e do presidente Lula.

Antes da confirmação do petróleo, já é perceptível uma movimentação migratória e ocupações nas áreas próximas a Oiapoque, devido ao aumento do custo de vida e chegada de novos moradores de outras regiões.

O cronograma inicial indicava que a perfuração do poço Morpho ocorreria entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, mas a operação sofreu um atraso em janeiro por conta de um vazamento de fluido, que levou a uma multa de R$ 2,5 milhões aplicada pela Ibama. As atividades foram retomadas em fevereiro.

O Ibama solicitou que a Petrobras disponibilize uma embarcação próxima à costa para proteger os animais em caso de acidentes, antes da perfuração de outros três poços previstos. A empresa confirmou que viaturais estão em prontidão para monitorar a região costeira do Parque Nacional do Cabo Orange, importante área de mangue que serve de berçário para peixes e sustenta muitos pescadores locais.

A previsão da Petrobras indica que a nova embarcação ficará disponível em cerca de 150 dias, antes da conclusão do poço Morpho.

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