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sábado, 01/08/2026

Comunidades desenvolvem formas de enfrentar a crise do clima

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As pessoas que mais sofrem com os acontecimentos climáticos extremos no Brasil também encontram mais dificuldades para ter acesso a políticas públicas e recursos para prevenção e adaptação. Mesmo assim, comunidades vulneráveis têm criado suas próprias soluções para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Este é o resultado do relatório “As soluções dos territórios: Adaptação Climática Baseada em Comunidades”, feito pelo Greenpeace Brasil com apoio do Laboratório de Estudos do Clima e do Ambiente (UERJ) e da Brisa Soluções Ambientais. O estudo revela que populações negras, indígenas, quilombolas, periferias e rurais estão entre as mais afetadas por enchentes, secas e ondas de calor.

De acordo com o Greenpeace, essas comunidades já criam alternativas locais para enfrentar a crise do clima e devem ter papel principal na criação das políticas de adaptação. A coordenadora da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, defende que a justiça climática e o combate ao racismo ambiental sejam incluídos nessas políticas.

Ela ressaltou que, num país com desigualdades históricas no acesso à moradia, saneamento, saúde, mobilidade e infraestrutura, os impactos dos eventos extremos tendem a atingir mais os locais já em situação precária.

O relatório traz exemplos dessa vulnerabilidade. Em Recife (PE), bairros como Ilha de Deus, Coque e Mustardinha sofreram fortes alagamentos recentemente. Em Belém (PA) e na Ilha do Marajó (PA), enchentes, marés altas e falta de saneamento afetam principalmente comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. No Complexo da Maré, Rio de Janeiro, as casas podem atingir temperaturas até 8°C acima da média urbana, com sensação térmica acima de 60°C, prejudicando especialmente crianças, idosos e mulheres. No Vale do Jequitinhonha (MG), comunidades quilombolas enfrentam longos períodos de seca que prejudicam o cultivo de milho, feijão e mandioca.

O estudo também destaca experiências locais de adaptação. Na área rural de Macapá (AP), o Coletivo Utopia Negra trabalhou com a comunidade da Vila do Carmo do Maruanum para instalar uma fossa séptica biodigestora, uma solução barata e adaptável para áreas alagáveis, que trata o esgoto e evita a contaminação do solo e da água.

Na comunidade do Horto, Rio de Janeiro, o projeto Horto Natureza lidera ações como limpezas, plantio de árvores e educação ambiental. Com organização comunitária e parceria com autoridades, a comunidade garantiu coleta regular de lixo, saneamento básico e a limpeza do Rio dos Macacos.

Em Vila Arraes, Recife, foi criado um plano comunitário para lidar com os efeitos das chuvas, coordenado pelo Espaço GRIS Solidário junto à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa também treinou moradores e Defesa Civil em protocolos de emergência durante enchentes e riscos elétricos.

Entretanto, o relatório aponta que o principal desafio é a dificuldade de acesso aos recursos para a agenda climática. Segundo o Greenpeace, a maioria dos recursos é distribuída por meio de créditos, o que dificulta o acesso para comunidades e organizações locais. Também há muita burocracia para elaborar, enviar, gerir e prestar contas dos projetos.

Para o porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus, ampliar a adaptação climática requer não só mais recursos, mas uma mudança no modo como são distribuídos, garantindo acesso direto às comunidades e fortalecendo as iniciativas que já funcionam localmente. Essas comunidades já possuem conhecimentos e práticas que podem ajudar a criar políticas públicas mais eficazes e justas.

Com informações da Agência Brasil

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