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sábado, 30/05/2026

Colômbia vê disputa eleitoral muito polarizada

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Cerca de 41,4 milhões de colombianos irão votar no próximo domingo (31) para eleger o novo presidente do país. As eleições na Colômbia costumam variar entre candidatos de centro-direita e centro-esquerda, mas desta vez a disputa é acirrada entre candidatos de esquerda e extrema direita, refletindo uma polarização inédita no país.

Dos 11 concorrentes, os que lideram as pesquisas são Iván Cepeda, da esquerda, e Abelardo de la Espriella, da extrema direita. Ambos prometem mudanças significativas na Constituição e adotam posturas duras que podem levar o país a um cenário desconhecido. O atual presidente Gustavo Petro, vitorioso há quatro anos, não pode se reeleger e terminará seu mandato em agosto.

Iván Cepeda, do Pacto Histórico e atual senador, tem vantagem no primeiro turno, mas a definição do segundo turno no dia 21 de junho ainda é incerta. Seu concorrente principal, Abelardo de la Espriella, é um nacionalista associado à extrema direita. Uma terceira candidata, a senadora Paloma Valencia, representante da centro-direita, também tem chances de se destacar, podendo ser a primeira mulher presidente do país.

A cientista política Paola Montilla, da Universidade Externado da Colômbia, explica que esta eleição marca uma mudança, pois o país passou a ter uma alternância explícita entre ideologias distintas desde 2022, com a chegada de Gustavo Petro. Ela destaca que a ausência de debates entre os principais candidatos foi incomum e dificultou o diálogo direto sobre propostas.

O economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, alerta para riscos à estabilidade democrática devido aos discursos extremados dos dois principais candidatos. Ele aponta que Abelardo de la Espriella questiona direitos humanos e garantias judiciais, enquanto Iván Cepeda propõe uma Assembleia Constituinte para mudanças constitucionais, o que pode ser controverso.

Paridade e dúvidas no voto

Nas pesquisas, Iván Cepeda lidera com cerca de 35% das intenções de voto, garantindo lugar no segundo turno. A disputa é entre Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia para o segundo lugar, ambos com cerca de 25%. Ainda há muitos eleitores indecisos, o que mantém o cenário aberto.

Segundo Paola Montilla, Paloma Valencia tem maior chance de vencer Iván Cepeda devido ao seu perfil moderado, enquanto Abelardo de la Espriella enfrenta rejeição, principalmente entre as mulheres, por sua postura agressiva.

Segurança como tema central

A segurança pública é um tema importante nesta eleição, considerando o histórico da Colômbia com o narcotráfico e grupos armados. Abelardo de la Espriella defende um combate rigoroso ao crime, enquanto Iván Cepeda tende a se distanciar das políticas recentes de negociação com grupos ilegais adotadas pelo governo atual. Paloma Valencia destaca-se por sua oposição ao Acordo de Paz de 2016 e possível retomada de alianças com os Estados Unidos.

Paola Montilla observa que embora Iván Cepeda continue a linha do governo atual, ele pode apresentar algumas diferenças na abordagem contra o crime organizado. Já Jorge Restrepo indica que o debate migrou do conflito armado para a criminalidade urbana, um problema que afeta diretamente a população.

A extrema direita capitaliza a crise de segurança com discursos de linha dura, apesar das evidências de que essa abordagem pode não ser eficaz. Paloma Valencia não tem força suficiente para liderar esse discurso, e Iván Cepeda enfrenta críticas pelos resultados da política de segurança recente.

Assim, a eleição presidencial na Colômbia é marcada por um cenário político sem precedentes, com polarização intensa e desafios significativos para a democracia do país.

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