Na manhã desta segunda-feira (27/4), a capital Bamako e a cidade militar de Kati, no Mali, vivem um período de calma frágil depois de dois dias de intensos confrontos entre o Exército e rebeldes da Frente de Libertação de Azawad (FLA), além de grupos jihadistas.
O ministro da Defesa do Mali, Sadio Camara, morreu durante um ataque, e o general Assimi Goita, líder da junta militar, não foi visto nem fez declarações públicas desde o começo das hostilidades.
No fim de semana, os rebeldes da FLA e o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GAIM), vinculado à Al-Qaeda, coordenaram ataques em sete cidades do Mali contra posições estratégicas do governo militar.
Kati sofreu fortes impactos, incluindo um atentado suicida na residência do ministro Sadio Camara. A junta confirmou a morte de Camara no domingo à noite. Apesar da diminuição da violência nesta segunda, destroços e marcas de tiros ainda estavam visíveis nas ruas.
A calma também foi observada na região do aeroporto no distrito de Sénou, onde fica a casa do ministro. Apenas algumas aeronaves militares realizavam voos. Um oficial local afirmou que foram feitas varreduras durante a noite para aliviar a pressão e agora contam com a população para denunciar suspeitos.
No norte, a cidade de Kidal está sob controle completo do GAIM e da FLA. Após negociações, os mercenários russos do Afrika Korps e o Exército do Mali deixaram Kidal em direção a Gao, junto com as autoridades civis. A junta chamou essa ação de “reposicionamento”, mas na prática representa a retirada do local.
O movimento de oposição Coalizão de Forças para a República, liderado pelo imã Mahmoud Dicko, declarou que a junta deve admitir seu fracasso e que é hora de iniciar o diálogo nacional. Expressaram preocupação com o país e criticaram as falhas de segurança do regime militar.
O grupo condenou ataques contra civis e infraestruturas e pediu a renúncia da junta, além do início de uma transição civil e inclusiva.
Aliança entre rebeldes e jihadistas
Esta é a primeira vez que rebeldes separatistas e jihadistas aparecem juntos publicamente com metas comuns declaradas. Segundo o especialista David Baché, é difícil prever o futuro dessa colaboração, pois o GAIM busca implementar a lei islâmica na região, enquanto os rebeldes querem independência para o norte do Mali.
Entretanto, já houve cooperação anterior entre separatistas do norte e jihadistas, que começaram negociações para um pacto de não agressão visando manter suas atividades, unidas contra o grupo Wagner, atualmente chamado Afrika Korps.
Em julho de 2024, um grande ataque ocorreu contra tropas do Wagner em Tinzaouatène, resultando na morte de vários soldados russos.
