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sexta-feira, 03/07/2026

Brasil sai do Mapa da Fome, mas desafios continuam

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Em julho de 2025, o Brasil completou um ano fora do Mapa da Fome, tendo diminuído para menos de 2,5% o número de pessoas sem alimento suficiente. No entanto, ainda existem cerca de 6,5 milhões de brasileiros passando por insegurança alimentar grave.

Especialistas consultados pela Agência Brasil ressaltam que manter esse progresso requer a continuidade e o fortalecimento de políticas públicas nas áreas de emprego, renda, saúde, educação e segurança alimentar. Lucas de Almeida Moura, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome da Universidade de São Paulo, afirma que a saída do Mapa da Fome veio da integração de diversas políticas públicas, mas é necessário criar mecanismos permanentes para diminuir a insegurança alimentar.

Lucas de Almeida Moura é o autor do Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar (MUFII), que avalia 12 indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Um estudo que analisou dados de 2018 a 2022 mostrou uma piora no país em 2022, com Santa Catarina apresentando os melhores índices, enquanto Maranhão, Acre e Amazonas registraram os piores, evidenciando que estados do Norte e Nordeste têm níveis acima de 50% de insegurança alimentar multidimensional. Os dados para os anos seguintes a 2022 ainda serão atualizados.

Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento Social, destaca que o principal objetivo é garantir alimento adequado e saudável a todos os cidadãos. Ela cita o Plano Brasil sem Fome como fundamental para essa redução, articulando medidas de política econômica e proteção social, apoio à agricultura familiar, melhorias na alimentação escolar, cozinhas comunitárias e ações focadas em proteção social, trabalho, renda e acesso a alimentos.

Semíramis Domene, professora da Universidade Federal de São Paulo e diretora do Instituto Fome Zero, destaca três áreas essenciais para combater a fome: diminuir a desigualdade, reforçar políticas de proteção social e incentivar a produção de alimentos. Ela ressalta políticas de emprego e renda, a menor taxa de desemprego em 13 anos, aumento do salário mínimo com reajustes acima de 6% desde 2022, além do fortalecimento do Sistema Único de Saúde, Bolsa Família, Cadastro Único e Programa Nacional de Alimentação Escolar.

Semíramis Domene também menciona a importância do Programa de Aquisição de Alimentos, que estava quase sem recursos, para ajudar a agricultura familiar. O economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, destaca o papel do Bolsa Família, a queda nos preços dos alimentos a partir de 2023 e a melhora no mercado de trabalho como fatores que contribuíram para diminuir a fome. Para ele, manter um mercado de trabalho estável será crucial para que o Brasil continue fora do Mapa da Fome.

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