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quinta-feira, 06/08/2026

Banco Central corta taxa Selic para 14% ao ano pela quarta vez seguida

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Em Brasília

NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (5) diminuir a taxa básica de juros para 14% ao ano, com uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez consecutiva. Essa decisão faz parte de um dos ciclos de queda mais suaves realizados pelo Banco Central desde que o sistema de metas de inflação foi criado em 1999.

A decisão foi unânime entre os membros do Banco Central e já era esperada pelo mercado financeiro antes da reunião. As instituições financeiras consultadas pela agência Bloomberg concordavam que a Selic seria reduzida em 0,25 ponto percentual.

Desde o início da flexibilização em março, a Selic caiu 1 ponto percentual. Após permanecer em 15% ao ano por nove meses, ocorreram quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, alcançando o nível mais baixo desde março do ano passado, quando estava em 13,25% ao ano.

A diferença entre as taxas de juros dos Estados Unidos e do Brasil diminuiu para 10,25 pontos percentuais. Na semana passada, o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, manteve as taxas entre 3,5% e 3,75%, embora alguns diretores tenham sugerido um aumento de 0,25 ponto percentual.

No Brasil, os indicadores melhoraram desde a última reunião em junho, com a inflação desacelerando e a atividade econômica desacelerando.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou a 4,64% em 12 meses até junho, influenciado pela queda nos preços dos alimentos. O IPCA-15, que indica a tendência da inflação oficial, também caiu para 4,52% nos 12 meses até julho.

Apesar da melhora recente, os índices ainda estão acima do teto da meta do Banco Central, que é 3% com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A meta é considerada não cumprida se a inflação acumulada ficar fora do intervalo de 1,5% a 4,5% por seis meses consecutivos.

O comitê está atento à inflação prevista para o primeiro trimestre de 2028, pois os efeitos das mudanças na taxa de juros demoram a impactar a economia.

Embora a projeção do IPCA para este ano tenha caído para 5,03%, as estimativas para 2027 e 2028 subiram para 4,22% e 3,8%, respectivamente, segundo o boletim Focus.

A economia brasileira mostra sinais de desaceleração no segundo trimestre após crescimento de 1,1% no primeiro trimestre do ano. Especialistas atribuem isso principalmente às altas taxas de juros.

Contudo, medidas fiscais e de crédito anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva têm potencial para estimular o consumo das famílias em ano eleitoral.

No cenário internacional, o preço do petróleo caiu para o menor valor em quase um mês após os Estados Unidos indicarem possibilidade de acordo com o Irã. Na terça-feira (4), o barril Brent ficou abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde 13 de julho.

Das oito reuniões do Copom neste ano, cinco ocorreram com a presença reduzida, faltando dois diretores. O próximo encontro está marcado para os dias 15 e 16 de setembro.

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