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domingo, 07/06/2026

Água subterrânea no Brasil não está sendo reposta em algumas regiões

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Em Brasília

REINALDO JOSÉ LOPES
SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS)

Um estudo amplo mostra um alerta sobre a água que fica guardada no subsolo do Brasil. Em várias regiões do país, a água usada para abastecimento e irrigação não está sendo reposta pela chuva. Isso pode piorar com as mudanças no clima, que trazem mais secas severas.

Os dados foram publicados em um artigo no dia 3 de maio no periódico científico Science Advances.

Em regiões muito exploradas do Nordeste e do Sudeste, a situação dos aquíferos (reservatórios naturais de água no subsolo) é parecida com a de áreas áridas no mundo, como o Irã, o norte da Índia e o oeste dos Estados Unidos.

Clyvihk Renna Camacho, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil e um dos autores do estudo, explica que 98% da água armazenada no Brasil está no subsolo. A água dos rios e superfícies representa pouco menos de 2% desse total.

O pesquisador Augusto Getirana, da Nasa, que participou da pesquisa, observa que os dados captados por satélites ajudam a medir as mudanças na quantidade de água subterrânea entre 2002 e 2023.

O modelo feito pelos cientistas mostra que cerca de 12% da chuva anual serve para reabastecer os aquíferos, o que equivale a um volume muito grande, maior do que várias represas juntas.

No Brasil, a situação varia: na Amazônia e em parte do Sul, a água subterrânea está aumentando, mas com muita variação por causa do nível dos rios e fenômenos climáticos, como o El Niño.

Getirana diz que, às vezes, o rio recarrega o aquífero e, em outras, o aquífero alimenta o rio. Essa conexão faz com que a quantidade de água no subsolo varie muito na região.

Áreas do centro, Nordeste e Sudeste do Brasil enfrentam perda constante de água nos aquíferos, o que é preocupante. O Sistema Aquífero Urucuia e regiões do cerrado, além dos aquíferos Guarani e Serra Geral, estão entre as mais afetadas.

No Pantanal, a situação também preocupa devido à mudança das práticas agrícolas, que alteraram o solo e o seu poder de absorver água.

Camacho ressalta que o estudo não prova uma causa direta, mas mostra que a combinação de atividades humanas, secas frequentes e uso crescente dos poços coincide com a perda de água no subsolo.

Getirana complementa que a água subterrânea é importante para manter os rios com água, especialmente em períodos sem chuva.

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