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sábado, 01/08/2026

Acesso ao financiamento é principal dificuldade para comprar imóvel em Brasília

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Em Brasília

O sonho da casa própria para os moradores de Brasília pode se tornar difícil, especialmente quando o acesso ao crédito é um obstáculo. Uma pesquisa da Loft em parceria com a Offerwise mostrou que a dificuldade em obter financiamento é a principal razão para desistir da compra de um imóvel na capital federal. Conforme a pesquisa, 28% dos consumidores desistiram da negociação nos últimos seis meses devido à negativa no financiamento.

Esse percentual em Brasília é quase o dobro da média nacional, que é de 16%. Essa diferença destaca o Distrito Federal das outras cidades analisadas, onde o custo do crédito é o maior motivo de desistência, e não o acesso ao financiamento.

A enfermeira Daniela Barros da Silva é um exemplo dessa situação. Ela tentou várias vezes financiar um imóvel, mas sempre teve o pedido recusado, inclusive por programas sociais. Daniela conta que é muito frustrante, pois, mesmo cumprindo todas as exigências, o sonho da casa própria permanece distante. A cada tentativa frustrada, cresce o cansaço e o desânimo, pois essa conquista envolve expectativa, planejamento e organização financeira da família.

Depois de muitas negativas, Daniela chegou a pensar em desistir, sentindo-se sem esperança ao ver outras pessoas conseguindo financiamento enquanto ela permanece sem resposta clara sobre os motivos das recusas.

O especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino explica que alguns fatores ajudam a entender porque Brasília tem esse comportamento distinto. Um deles é o valor elevado dos imóveis. O preço por metro quadrado na capital está entre os mais caros do país, o que eleva o valor médio das operações e exige entradas maiores, comprovação de renda mais robusta e critérios mais rigorosos para o crédito.

Além disso, o perfil de renda de muitos compradores inclui servidores públicos, mas também muitos trabalhadores com renda variável, como comissionados, prestadores de serviço e autônomos, cuja comprovação de renda é mais complicada para os bancos.

Nathalia Costeira, gerente de comunicação da Loft, destaca que outro aspecto que influencia é a demanda por imóveis de alto padrão em Brasília, que são menos afetados por oscilações econômicas. Isso faz com que compradores avancem no processo de compra e peçam financiamento, mas encontrem dificuldades na aprovação de crédito. Por isso, em Brasília, o acesso ao financiamento é uma barreira maior do que o custo do crédito.

Os especialistas avaliam que o problema para aprovação combina tanto o perfil cadastral dos compradores quanto as altas taxas de juros, mas outros fatores do mercado nacional também influenciam esse cenário.

Em 2025, a poupança, principal fonte de crédito imobiliário, teve uma captação líquida negativa de quase R$ 63 bilhões. Com menos recursos disponíveis, os bancos ficaram mais seletivos, aplicando critérios mais rigorosos, como maiores entradas e limites mais apertados de financiamento. Além disso, o elevado endividamento das famílias brasileiras dificulta a aprovação de crédito para quem já tem compromissos financeiros.

Costeira ressalta ainda que muitos dos pedidos negados acontecem por problemas operacionais, como erros no preenchimento dos documentos ou divergências entre os dados enviados e os documentos. Esse processo manual pode resultar em retrabalho e até reprovação do crédito. Assim, tanto os critérios dos bancos quanto a qualidade da documentação enviada são fundamentais para aprovação.

Apesar das dificuldades, há possibilidade de melhora gradual. A expectativa é que a taxa Selic, que deve ficar entre 13% e 13,5% ao final do ano, ajude a baratear o crédito e facilitar a aprovação com o tempo.

Claudino alerta que uma melhora rápida é improvável, pois a inflação segue alta e o Banco Central age com cautela. Para quem quer comprar imóvel em Brasília, o recomendado é preparar bem o cadastro, organizar a comprovação de renda, reduzir dívidas e simular financiamentos em diferentes bancos. Também lembra que a decisão de compra pode ser independente da decisão sobre a taxa de juros devido à portabilidade.

Mercado aquecido

Apesar das dificuldades de financiamento, o mercado imobiliário no Distrito Federal teve crescimento no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo levantamento do Panorama da Habitação Distrito Federal, realizado pela Ademi e Sinduscon, foram vendidas 1.597 unidades de imóveis, número 27% maior que o mesmo período em 2025.

O Índice de Velocidade de Vendas (IVV) teve média de 6,6% no início de 2026, indicando um mercado dinâmico e saudável, já que um IVV mensal de 5% é sinal de ritmo positivo de vendas. Esse cenário mostra que as empresas conseguem vender as unidades dos empreendimentos durante a construção, o que acontece em cerca de 24 meses. Valores acima disso indicam vendas ainda mais rápidas, refletindo a decisão ágil do comprador.

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