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segunda-feira, 04/05/2026

USP encerra negociações e greve estudantil continua

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Em Brasília

BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS

A USP (Universidade de São Paulo) anunciou que não continuará as negociações para encerrar a greve estudantil que já dura quase três semanas.

Durante esse tempo, houve três reuniões entre os estudantes e a administração da universidade, somando quase 20 horas de conversa. A USP informou que não pretende discutir mais as solicitações dos alunos.

Os estudantes esperavam uma nova rodada de conversas esta semana, como prometido pelos dirigentes da universidade.

As principais reivindicações dos alunos incluem melhores condições para permanecer na universidade, como o aumento do valor das bolsas integrais de R$ 885 para cerca de R$ 1.804, que equivale ao salário mínimo em São Paulo, além de melhorias nos restaurantes universitários.

Na última reunião, realizada na quinta-feira (30), a USP apresentou propostas para tentar acabar com a greve, incluindo um reajuste nos auxílios oferecidos pelo Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) baseado no índice IPC-FIPE.

Com essa correção, o valor das bolsas integrais subiria de R$ 885 para R$ 912 mensais, e a bolsa parcial com moradia aumentaria de R$ 330 para R$ 340.

Atualmente, o programa beneficia 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação que enfrentam dificuldades financeiras. Para 2026, o orçamento destinado à assistência estudantil – que cobre bolsas, moradia, restaurantes e saúde – é de R$ 461 milhões.

A USP também informou que criará uma nova bolsa especialmente para estudantes ingressantes em situação de vulnerabilidade.

Sobre os restaurantes universitários, a universidade propôs a criação de grupos para avaliar sua qualidade, a contratação de mais funcionários, a oferta de três refeições durante a semana, e a inclusão de café da manhã e almoço aos sábados.

Foram ainda sugeridos grupos de trabalho com ampla participação dos estudantes, para discutir cotas para pessoas trans e indígenas no vestibular, uma demanda antiga dos alunos, e para tratar do uso dos espaços pelos centros acadêmicos. Uma proposta anterior para regulamentar o uso desses espaços foi retirada após críticas, pois previa regras rigorosas como prestação de contas e critérios de transparência.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que a pressão dos estudantes já fez a USP aceitar algumas propostas, mostrando que a luta tem resultados, mas reforçou que as demandas ainda não foram totalmente atendidas e que a greve continua.

Alcance da greve

A paralisação atinge todas as 43 unidades da USP, entre escolas, faculdades e institutos, tanto na capital quanto no interior do estado.

Embora não todos os 180 cursos estejam paralisados, cerca de 110 deles – aproximadamente 60% – estão envolvidos, número que vem diminuindo.

O início da greve foi motivado por um bônus para professores da universidade chamado Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas). Essa gratificação, aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março, prevê um pagamento extra de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos estratégicos, como disciplinas em inglês e ações de extensão.

Esse benefício terá um custo anual de R$ 238,44 milhões para a USP e também causou uma greve dos servidores, encerrada quando a universidade ofereceu um adicional similar para essa categoria.

Agora, os estudantes buscam avanços junto à gestão do reitor Aluisio Segurado.

Em comunicado, a Pró-Reitoria de Graduação da USP informou que não serão feitas alterações no calendário acadêmico devido à greve, mantendo as datas para aulas, matrículas, lançamentos de notas, frequência e períodos de recuperação.

Tampouco serão permitidas atividades remotas substituindo as presenciais nem gravações para substituir aulas.

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