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quarta-feira, 29/04/2026

USP aumenta bolsas para tentar acabar com greve dos estudantes

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FOLHAPRESS

A Universidade de São Paulo (USP) decidiu reajustar as bolsas de auxílio estudantil com base na inflação, na tentativa de encerrar a greve que os alunos estão realizando.

Numa reunião de negociações que durou cerca de 6 horas nesta terça-feira (28), iniciando por volta das 15h e finalizando às 21h, a reitoria fez algumas concessões para tentar diminuir a mobilização dos estudantes. As propostas serão analisadas em assembleias gerais e específicas de cada curso durante a semana.

A paralisação, que começou há duas semanas, tem como reivindicações melhores condições para os alunos continuarem suas atividades, incluindo um aumento das bolsas integrais de R$ 885 para aproximadamente R$ 1.804 (equivalente ao salário mínimo do estado de São Paulo), e melhorias na qualidade dos serviços dos restaurantes universitários.

A universidade sugeriu melhorias nos restaurantes, sem prometer elevar a qualidade dos alimentos, mas garantiu a contratação de mais funcionários, oferecer três refeições durante a semana e incluir café da manhã e almoço também aos sábados.

Além disso, foram propostas a criação de grupos de trabalho com ampla participação dos estudantes para discutir temas importantes. Um desses grupos avaliará as cotas para pessoas trans e indígenas no vestibular, uma antiga demanda dos alunos.

Outro grupo será responsável por debater o uso dos espaços pelos centros acadêmicos. Uma proposta inicial de regulamentação, que incluía prestação de contas, transparência e regras para contratação de serviços, foi cancelada pela reitoria após críticas. Esse texto estipulava que a permissão para uso dos espaços seria provisória e poderia ser retirada pela universidade com justificativa.

Apesar disso, o tema continuará em discussão, pois a USP considera necessário criar normas que garantam segurança jurídica.

“A pressão dos estudantes fez a reitoria ceder e inserir algumas propostas, mostrando que nossa luta está fazendo efeito. Mesmo assim, deixamos claro que promessas não bastam, nossas demandas ainda não foram plenamente atendidas e seguimos em greve”, declarou o Diretório Central dos Estudantes (DCE).

AMPLITUDE DA GREVE

A paralisação alcançou todas as 43 unidades da USP, incluindo escolas, faculdades e institutos, tanto na capital quanto no interior.

Isso não significa que todos os mais de 180 cursos estejam parados, mas pelo menos 110 deles, cerca de 60%, estão participando.

O que iniciou o movimento foi um bônus criado para os professores, chamado Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

Essa gratificação, aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março, concede um pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como aulas em inglês e ações de extensão.

O custo dessa medida será de R$ 238,44 milhões por ano para a universidade e também provocou uma greve entre os servidores técnicos, que terminou na quinta-feira (23) após negociações e concessões da reitoria.

Agora, os estudantes buscam avanços junto à gestão do Reitor Aluisio Segurado.

Em comunicado divulgado na quarta-feira (22), a Pró-Reitoria de Graduação da USP vetou alterações no calendário acadêmico por causa da greve dos estudantes.

“Não estão previstas nem autorizadas mudanças no período das aulas, matrículas, prazos para registro de notas e frequência ou no período de recuperação”, diz o comunicado.

Da mesma forma, não está permitida a migração das aulas presenciais para o formato online, nem o uso de gravações para ministrar disciplinas.

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