Pesquisadores e deputados destacaram a importância de priorizar os estudos clínicos sobre a polilaminina no tratamento de lesão medular. Representantes do Ministério da Saúde e da Anvisa, porém, ressaltaram a necessidade de cautela e evidências clínicas antes da aprovação definitiva. O debate foi promovido pelas comissões de Saúde e Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados.
A polilaminina é um medicamento em fase experimental, desenvolvido pela equipe da bióloga Tatiana Sampaio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como possível terapia para lesões na medula espinhal. A pesquisa conta com financiamento do laboratório Cristália.
Em janeiro, a Anvisa autorizou o início da fase inicial dos testes clínicos visando confirmar a segurança e eficácia. A fase incluirá cinco voluntários com lesões completas recentes na medula torácica, com indicação cirúrgica, com patrocínio do laboratório.
Antes do início dos testes formais, pacientes têm buscado acesso ao medicamento via “uso compassivo”, um mecanismo que libera drogas em testes para pessoas sem outras opções de tratamento. Tatiana Sampaio relatou progresso nas aplicações, mas destacou que ainda não há comprovação científica completa dos benefícios, já que o acesso aos dados é limitado.
Maria Francesca Riccio, gerente de pesquisa do Cristália, enfatizou o caráter pioneiro dessa pesquisa no Brasil, sendo avaliada e aprovada pela Anvisa de maneira inédita, enquanto a fase clínica ainda não começou.
O especialista da Anvisa, Claudiosvam Martins Alves de Sousa, alertou que o uso compassivo não equivale a pesquisa clínica formal, que ainda está por iniciar.
Cecília Menezes Farinasso, do Ministério da Saúde, destacou que é fundamental comprovar segurança e eficácia antes de incluir o tratamento no SUS, conforme critérios da Conitec. A deputada Alice Portugal reforçou a necessidade de esperar o término dos estudos clínicos, enfatizando o equilíbrio entre urgência e rigor técnico.
Átila Lira, deputado autor do requerimento para a audiência, e Rodrigo Rollemberg defenderam o incentivo e financiamento continuado à pesquisa científica no país, ressaltando o potencial transformador para o futuro da saúde e da humanidade.
