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terça-feira, 07/07/2026

Técnica fetal melhora tratamento da hérnia diafragmática

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Uma pesquisa recente trouxe novos avanços importantes para o tratamento de uma das malformações fetais mais graves, a hérnia diafragmática congênita esquerda. Este estudo, publicado na revista Prenatal Diagnosis, envolveu centros especializados da América Latina e avaliou a eficácia do procedimento chamado Oclusão Traqueal Fetoscópica Fetal (FETO) em casos severos dessa condição, que representa um grande desafio na medicina perinatal.

O estudo foi liderado pelo Prof. Dr. Rodrigo Ruano, obstetra e cirurgião materno-fetal conhecido mundialmente por seu trabalho inovador na cirurgia fetal. Ele foi responsável por introduzir várias técnicas minimamente invasivas que têm ajudado a melhorar o tratamento de doenças fetais no Brasil.

A hérnia diafragmática congênita acontece quando o diafragma do bebê em formação apresenta uma abertura anormal, permitindo que órgãos do abdômen, como intestinos, estômago e fígado, se movam para a área do tórax. Isso compromete o crescimento dos pulmões, causando problemas respiratórios graves após o nascimento, como pulmões subdesenvolvidos e pressão alta nos pulmões.

Essa condição afeta entre um a cada 2.500 a 4.000 nascimentos. Nos casos mais críticos, apesar dos avanços no cuidado neonatal, o risco de morte ainda é alto devido a dificuldades respiratórias.

Para combater esse problema, foi desenvolvida a técnica FETO, que consiste em colocar um pequeno balão na traqueia do feto por meio de um procedimento fetoscópico. Esse balão bloqueia temporariamente a saída do líquido dos pulmões, estimulando seu crescimento antes do nascimento.

Estudos europeus há duas décadas mostraram que essa técnica pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência de fetos com hérnia diafragmática grave. O novo estudo agora confirmou que a técnica é segura e eficaz também em centros especializados da América Latina.

O Prof. Dr. Rodrigo Ruano destacou que a pesquisa representa um avanço importante para a medicina fetal na região, mostrando que a América Latina possui capacidade técnica e científica para realizar tratamentos fetais complexos em alto nível.

Ele afirmou que o FETO é uma das maiores conquistas da cirurgia fetal moderna, pois ajuda bebês que antes tinham poucas chances de sobrevivência ao estimular o desenvolvimento pulmonar.

Os pesquisadores ressaltaram que escolher cuidadosamente os casos é essencial para o sucesso do procedimento, utilizando exames avançados como ultrassonografias e ressonância magnética para avaliar o volume pulmonar do feto.

Em casos graves, a intervenção pode aumentar bastante as chances de sobrevivência e melhorar os resultados após o nascimento.

Essa pesquisa também reforça uma tendência mundial na medicina fetal, que tem possibilitado tratar doenças antes consideradas fatais ainda durante a gestação, combinando técnicas minimamente invasivas com avanços na terapia intensiva neonatal para melhorar o prognóstico de malformações congênitas graves.

Para o Prof. Dr. Rodrigo Ruano, essa evolução representa uma mudança importante na obstetrícia moderna, permitindo tratar doenças fetais precoce e eficazmente, buscando não só aumentar a sobrevivência, mas também a qualidade de vida futura das crianças.

Os especialistas destacaram que a técnica deve ser realizada apenas em centros altamente especializados, com equipes multidisciplinares experientes em medicina fetal, cirurgia fetal, neonatologia, anestesia obstétrica e terapia intensiva neonatal.

Além disso, a colaboração científica internacional é fundamental para ampliar o conhecimento sobre doenças raras e acelerar a adoção de novas tecnologias na prática clínica. A participação da América Latina em pesquisas multicêntricas evidencia o papel crescente da região na medicina fetal mundial.

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