João Pedro Pitombo
Folhapress
O Ministério Público da Bahia denunciou quatro policiais militares e dois policiais civis em uma acusação de assassinato de dois homens durante uma operação na região de Caraíva, em Porto Seguro.
A operação chamada Travessia aconteceu em 10 de maio de 2025, com a finalidade de combater o tráfico de drogas na área, um importante ponto turístico do sul da Bahia.
Uma das vítimas foi o guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, conhecido como Vitinho. Ele fazia passeios de lancha e buggy e, conforme relatos de familiares, amigos e pessoas da comunidade, não tinha ligação com grupos criminosos.
A outra vítima foi Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como Alongado, apontado como líder de um grupo criminoso e com mandado de prisão em aberto. Outro homem foi preso na operação.
Em comunicado, a Polícia Civil da Bahia afirmou que não apoia nenhuma ação violenta ou que viole as normas legais. A corregedoria está investigando o caso.
A Polícia Militar ainda não comentou a denúncia.
Os policiais foram denunciados por homicídio qualificado com uso de armas restritas e por dificultar a defesa das vítimas.
O Ministério Público pediu que os seis policiais sejam afastados enquanto o processo estiver em andamento. A Justiça decidirá se eles se tornarão réus.
As investigações mostram que as mortes ocorreram sem um confronto real, e as vítimas estavam vulneráveis diante da ação policial.
Davisson Sampaio dos Santos foi atingido por vários tiros em local público, sem chance de defesa.
Victor Cerqueira Santos Santana foi abordado, revistado e teve seu celular examinado. Depois foi agredido, obrigado a deitar no chão e recebeu dois tiros disparados por um policial.
A Secretaria de Segurança da Bahia informou na época que os dois suspeitos morreram após troca de tiros com a polícia.
Entretanto, a perícia não encontrou resíduos de tiros nas mãos das vítimas.
Os policiais civis também foram acusados de manipular evidências do crime, e essa ação será investigada pela Vara da Auditoria Militar.
Os investigadores afirmam que os policiais retiraram os corpos antes da perícia, restringiram o acesso ao local, recolheram projéteis e apreenderam gravações de câmeras próximas sem autorização.
Também foi apresentada uma arma supostamente pertencente a Victor para justificar legítima defesa, mas testemunhas confirmam que ele estava desarmado durante a abordagem.
Testemunhas relataram que Victor estava esperando visitantes perto do rio Caraíva para levá-los até uma pousada.
A morte de Victor causou grande comoção na vila. Moradores protestaram e bloquearam as balsas que fazem a travessia do rio, principal entrada da vila.
Comerciantes informaram que, após a operação, criminosos impuseram toque de recolher, fazendo com que bares e restaurantes fechassem. A Secretaria de Segurança negou a existência do toque de recolher.
