EDUARDO SODRÉ
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Os valores dos carros novos no Brasil estão caindo depois de vários anos de aumento acima da inflação. Diversos motivos explicam essa mudança rara, entre eles a diminuição dos custos das novas tecnologias. Mas o principal motivo é a aceitação das marcas chinesas no mercado brasileiro, que atraem com preços mais baixos que a concorrência.
“A estratégia é baixar os preços, vender mais, fortalecer a marca e se firmar antes do aumento dos impostos de importação. A China consegue isso por sua grande produção e controle da cadeia, mas isso não quer dizer que tenha lucro alto no Brasil, é uma fase para conquistar mercado”, explica Theo Paul Santana, especialista em comércio Brasil-China e fundador da consultoria Destino China.
Os preços mais baixos estão ligados à boa percepção da qualidade dos carros e aos sistemas híbridos e elétricos que agradam os consumidores. Modelos como o GWM Haval H6 (a partir de R$ 199,9 mil) conquistaram espaços antes dominados pelas marcas tradicionais. Sem tecnologia equivalente para oferecer na hora, as outras marcas precisaram ajustar seus preços.
Segundo levantamento da Bright Consulting, a média dos preços públicos dos carros leves era de R$ 172,5 mil em junho de 2025. Um ano depois, caiu para R$ 170 mil, uma redução de 1,5%. Já o preço real pago pelos compradores caiu de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, queda de 3,5%.
A Mitsubishi ajustou os preços de toda a sua linha e a Volkswagen reduziu até R$ 10 mil no preço do T-Cross, SUV mais vendido do país, e também ofereceu o hatch Polo com preços promocionais. Na Renault, há descontos nos modelos Boreal e Koleos, lançados durante a onda chinesa.
Não é difícil encontrar promoções em todas as principais marcas, que destacam esses cortes em seus sites. Levantamento das ofertas oficiais na última semana de julho mostrou descontos acima de R$ 20 mil, em carro chinês.
O sedã BYD King GL é vendido por R$ 147.990, desconto de R$ 25 mil em relação ao preço sugerido. Isso mostra a estratégia que está mudando o mercado nacional, parecida com a usada por sites asiáticos de vendas como Shopee, Shein e AliExpress.
“Não é coincidência, é o mesmo manual aplicado a um produto mais caro”, explica Santana. “Quem vê só o preço pensa que é vender barato, mas não é. O que permite vender barato é encurtar a cadeia até o fim, tratar o produto como software e usar o mercado externo para escoar a produção que não cabe mais na China.”
O fundador da Destino China diz que o preço é uma estratégia para entrar e conquistar o mercado.
“No varejo digital, plataformas chinesas usam preços muito agressivos para ganhar tamanho e participação. No setor automotivo, a lógica é parecida. As montadoras alcançam preços que muitas marcas tradicionais têm dificuldade de acompanhar sem prejudicar suas linhas. O preço faz parte de uma estratégia maior para ocupar o mercado.”
