FOLHAPRESS
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, 44 anos, teve alta no domingo (2) após realizar um bloqueio anestésico nos nervos da cabeça para aliviar uma dor de cabeça que não passava há 16 dias. Ela foi diagnosticada com cefaleia refratária, um tipo de dor que não melhora com os remédios comuns.
Esse bloqueio anestésico é um procedimento que ajuda a diminuir crises fortes de dor de cabeça, principalmente quando os medicamentos não funcionam.
Apesar do nome, o procedimento não envolve o cérebro nem precisa de cirurgia dentro da cabeça.
O tratamento consiste em aplicar um anestésico local em nervos que ficam perto da superfície da cabeça e da nuca, que levam os sinais de dor para o cérebro. O nervo mais comum a ser bloqueado é o occipital maior, que fica na nuca, mas outros nervos também podem ser tratados, como os supraorbitários (na região das sobrancelhas), supratroclear (na testa e perto dos olhos), e auriculotemporal (na lateral da cabeça), dependendo do local da dor e da avaliação médica.
De acordo com o neurologista Normando Guedes, professor de neurologia e especialista em dor, esses nervos dividem caminhos com as vias da enxaqueca dentro do cérebro. Ao bloquear esses nervos temporariamente, o procedimento ajuda a parar os sinais que mantêm a dor intensa.
Quando o bloqueio é indicado
O bloqueio é recomendado para pessoas que têm dores de cabeça fortes que não melhoram com analgésicos ou remédios para enxaqueca.
Também é usado em casos de enxaqueca crônica, dores muito fortes próximas ao olho (cefaleia em salvas), dores causadas pela irritação dos nervos da nuca (neuralgia occipital) e dores após pancadas na cabeça.
Além disso, pode ser indicado para gestantes ou mulheres que estão amamentando, quando o uso de remédios é limitado.
Crises de enxaqueca que duram mais de 72 horas precisam de tratamento especializado, segundo o especialista.
Como é feito o bloqueio
O procedimento é feito em consultórios, ambulatórios ou pronto-socorros por médicos treinados, como neurologistas ou neurocirurgiões. O paciente fica acordado durante o processo.
Depois de localizar o nervo, o médico injeta pequenas doses de anestésico local no lugar certo.
Em alguns lugares, o médico pode usar ultrassom para ajudar a aplicar o anestésico com mais precisão.
O procedimento dura alguns minutos e, na maioria dos casos, não é necessário ficar internado. O paciente recebe alta depois de um curto período de observação.
Às vezes, o bloqueio precisa ser repetido, como aconteceu com Michelle Bolsonaro, que fez duas aplicações no mesmo dia por conta da dor que voltou.
Quanto tempo dura o efeito
O anestésico age por algumas horas, dependendo da substância usada, mas o alívio da dor pode durar dias, semanas ou até meses porque o bloqueio ajuda a interromper o ciclo da dor.
Em alguns casos, a dor volta quando o efeito do anestésico termina.
O bloqueio anestésico nos nervos cranianos é seguro. Os efeitos colaterais mais comuns são leves e temporários, como dor ou ardor no local, dormência temporária da pele da cabeça, pequenos hematomas e tontura. Complicações como infecção ou alergia são raras.
Normando Guedes alerta que dores de cabeça frequentes e muito fortes não devem ser tratadas só com automedicação, pois o uso excessivo de analgésicos pode piorar o problema e causar um tipo de dor chamada cefaleia por abuso de medicamentos.
