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segunda-feira, 03/08/2026

Policial penal preso por facilitar entrada de drogas e celulares em presídios do Rio

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BRUNA FANTTI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta segunda-feira (3) pelo menos quatro pessoas suspeitas de fazer parte de uma organização criminosa que usava a estrutura do governo para colocar drogas e celulares dentro dos presídios do estado.

O principal acusado é o policial penal Wagner Jardim Dias, que, segundo as investigações, foi o responsável por facilitar a entrada desses materiais ilegais nas unidades prisionais. Ele foi detido em sua casa, no bairro Pendotiba, em Niterói.

A polícia não informou se ele já tem advogado e a reportagem não conseguiu encontrar representantes legais dele na Justiça. Wagner será levado para audiência de custódia.

A operação foi feita pela Draco-IE (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), com apoio da Subscretaria de Inteligência da Polícia Penal, cumprindo quatro mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão na capital e região metropolitana.

Essas ações foram autorizadas pela 1ª Vara das Garantias da capital, que entendeu que as prisões e buscas eram necessárias para evitar a destruição de provas, impedir a interferência entre os suspeitos e ajudar a encontrar outros membros do grupo.

Wagner já tinha sido preso em novembro de 2025, por este mesmo caso, e ficou detido até fevereiro deste ano.

A Draco explicou que o grupo tinha uma organização clara e divisão de funções entre visitantes cadastradas, colaboradores externos e o agente público investigado, o que possibilitava a entrada de drogas e aparelhos de celular.

O levantamento financeiro mostrou que Wagner recebeu cerca de R$ 260 mil através de transferências bancárias sem explicação compatível com sua renda, além de outras movimentações que chamaram a atenção na investigação.

O inquérito começou depois de uma tentativa falhada de entrar com uma grande quantidade de drogas, celulares e acessórios no presídio Nelson Hungria, conhecido como Bangu 7, no Complexo de Gericinó, em novembro do ano passado.

Naquela ocasião, mulheres que não estavam cadastradas como visitantes tentaram esconder cerca de 20 quilos de drogas e 130 celulares em sacolas. Funcionários penais envolvidos no esquema fizeram apenas uma revista superficial nas bolsas, mas uma denúncia ajudou a descobrir o material antes que chegasse aos presos.

Desde então, a Draco, junto com a inteligência da Polícia Penal, fez um trabalho que incluiu análise das imagens das câmeras de segurança, cruzamento de informações, investigações e análise financeira para entender como o esquema funcionava e quem estava envolvido.

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