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quinta-feira, 28/05/2026

Quatro em cada dez alunas faltam às aulas por cólica

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Seis em cada dez jovens estudantes do ensino fundamental e médio que menstruam sofrem com dores fortes ou moderadas que atrapalham seu dia a dia na escola e precisam de remédios para aliviar. Além disso, 37,1% dessas alunas faltam às aulas todos os meses por causa dessas dores, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info.

O estudo ouviu 2.551 estudantes, incluindo 770 que menstruam, além de 303 professores e 181 diretores escolares, de escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil. Os dados mostram que a cólica é o principal motivo que impede as alunas de irem à escola, mencionada por 57,7% das entrevistadas. Outros sintomas incluem cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%), dor na barriga (20,1%), vergonha e medo de vazamento (19,3%) e falta de banheiro ou produtos de higiene (8,2%).

A pesquisa revela que esses sintomas podem causar uma média de dois dias de falta por mês. Sofia Reinach, líder da iniciativa de Endometriose, Dor Pélvica e Saúde Menstrual do Instituto Alana, explica que faltar à escola por causa da dor menstrual prejudica o aprendizado, o vínculo com a escola e as oportunidades educacionais ao longo do tempo.

O estudo também indica desigualdade racial. Meninas negras relatam menos cólicas fortes que as brancas, mas faltam mais às aulas. Entre as alunas negras, 14,5% faltam de dois a cinco dias por mês por motivos menstruais, contra 9,6% das brancas. Enquanto 37,5% das alunas brancas dizem ter cólicas fortes, essa porcentagem é de 25,9% entre as negras. Além disso, 16% das meninas negras afirmam não sentir cólicas, enquanto 8,5% das brancas dizem o mesmo.

Sofia Reinach destaca que esses dados mostram que as dores fortes podem estar subestimadas entre as meninas negras, que muitas vezes acabam aceitando o sofrimento como normal. Ela defende que profissionais da educação e da saúde parem de repetir a ideia errada de que pessoas negras sentem menos dor e que a escola se torne parte de uma rede de cuidado.

A pesquisa mostra ainda diferenças regionais. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, há mais queixas de falta de estrutura e produtos de higiene, com ausência de banheiros e itens menstruais sendo motivo de faltas nessas áreas. O estudo ressalta que ter acesso a uma boa infraestrutura é essencial para as alunas permanecerem na escola.

Outro ponto importante é a menarca precoce. Entre as meninas entrevistadas, 65,2% tiveram a primeira menstruação até os 11 anos e 36,5% até os 10 anos. O estudo associa a menstruação mais cedo a dores mais fortes: entre as que menstruaram aos 10 anos, 43% relataram cólicas fortes, enquanto entre as que começaram aos 11 ou 12 anos esse número cai para 27%.

O impacto também acontece entre as profissionais da educação. Entre as gestoras escolares analisadas, 28,3% afirmaram ter cólicas fortes e 16,9% já faltaram ao trabalho por causa da menstruação. Entre as professoras, 15,8% relataram cólicas fortes e 12,1% faltaram ao trabalho pelo menos uma vez no último ano devido ao ciclo menstrual.

Os dados indicam que meninos ainda entendem pouco sobre o assunto: 36,8% dizem não pensar muito sobre menstruação, contra 19,7% das meninas. Para o Instituto Alana, é fundamental incluir os alunos do sexo masculino nas conversas para que a menstruação deixe de ser um tabu na escola.

A instituição conclui que investir em saúde menstrual nas escolas é fundamental para garantir o direito de aprender e diminuir as desigualdades que têm origem no corpo e se acumulam durante a vida escolar.

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