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quinta-feira, 28/05/2026

Brasil registra 1.347 mortes maternas em 2024

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O Brasil teve 1.347 mortes de mulheres durante a gravidez ou logo após o parto em 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) consultados pelo Observatório da Saúde Pública. Isso corresponde a 56,4 mortes para cada 100 mil bebês nascidos vivos. O objetivo do país é reduzir esse número para 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.

A maioria dessas mortes, cerca de nove a cada dez, poderia ser evitada, conforme apontado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Esse assunto é destacado no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, celebrado em 28 de maio, que reforça a importância de cuidar da saúde da mulher durante e após a gestação, bem como dos direitos das gestantes e das mães recentes.

Maria Isabel Peixoto, chefe da Unidade de Saúde da Mulher da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que um acompanhamento pré-natal cedo e de qualidade é essencial para identificar possíveis riscos e garantir um parto seguro, aumentando as chances de um bom resultado para a mãe e o bebê.

As quatro principais causas diretas das mortes maternas no Brasil são pressão alta na gravidez, fortes sangramentos, infecções após o parto e problemas relacionados ao aborto. Essas causas respondem por 66% das mortes maternas no país.

Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, ginecologista e obstetra, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), lembra que os cuidados após o parto são muito importantes, pois problemas graves podem passar despercebidos. Sinais de alerta incluem sangramento maior que o normal, febre, falta de ar, dor no peito, dores fortes de cabeça, mudanças na visão e pressão alta persistente.

A recomendação é que a consulta após o parto aconteça nos primeiros sete a dez dias para verificar a saúde da mulher. A Febrasgo também destaca que o cuidado com a saúde mental nesse período é fundamental, pois problemas psicológicos podem se agravar.

Em 2024, o governo federal lançou a Rede Alyne, um programa que busca reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Para mulheres negras, a meta é diminuir essa taxa em 50% no mesmo período. O programa homenageia Alyne Pimentel, que faleceu aos 28 anos e estava grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado em Belford Roxo (RJ), em 2002.

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