19.5 C
Brasília
quinta-feira, 30/04/2026

Promotoria acusa ex-comandante da PM de ignorar vazamentos para o PCC

Brasília
chuva fraca
19.5 ° C
19.5 °
15.6 °
64 %
1kmh
0 %
qui
27 °
sex
27 °
sáb
29 °
dom
29 °
seg
24 °

Em Brasília

ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS

O Ministério Público de São Paulo suspeita que o ex-comandante-geral da Polícia Militar, José Augusto Coutinho, não investigou adequadamente o vazamento de informações secretas sobre operações contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), mesmo após receber alertas sobre o problema.

Essa denúncia foi feita pela Promotoria de Justiça Militar durante um inquérito que analisa a possível participação de policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) com a facção criminosa.

A Promotoria não acusa o oficial de ter ligação direta com a organização criminosa, mas sim de negligência ao não agir contra os atos ilegais de seus subordinados enquanto comandava a Rota, entre 2020 e 2021.

Essa suspeita surge após depoimento do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), que há anos investiga o PCC. Gakiya afirmou ter alertado o chefe da Rota na época sobre os vazamentos, sem que fossem tomadas medidas.

A defesa do coronel Coutinho disse que ainda não teve acesso ao processo, mas garantiu a integridade do oficial, que tem 34 anos de carreira e nunca enfrentou investigações por irregularidades.

Coutinho deixou o cargo em 16 de abril, após ser nomeado pelo ex-secretário Guilherme Derrite (PP). A coronel Glauce Anselmo Cavalli, a primeira mulher a comandar a PM, assumiu o posto.

O documento da Promotoria, do fim de março, foi enviado para a segunda instância devido ao foro especial do coronel à época dos fatos.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que não comenta investigações em andamento por questões legais, mas garantiu que os casos são tratados com rigor técnico, respeito ao processo legal e às garantias individuais.

Segundo Gakiya, o núcleo de vazamentos estava dentro da Rota, algo surpreendente, pois antes existia a crença de que a Rota não tinha qualquer conivência com esses atos.

Em 2020, um dos principais alvos da operação contra o PCC, Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, conseguiu fugir da prisão, indicando que alguém teria vazado informações.

Anos depois, um informante protegido contou a Gakiya que policiais da Rota e um agente penitenciário tinham detalhes da facção e que áudios sobre esses vazamentos foram vendidos a Tuta por cerca de 5 milhões de reais, pagos em parcelas.

O promotor afirmou que um dos policiais da Rota teria vendido a gravação que denunciava a fuga de Tuta.

Gakiya relata que houve reunião com o coronel Coutinho em 30 de novembro de 2021, em que informou os fatos, mas o coronel atribuiu o vazamento ao agente penitenciário, que é braço direito do promotor, o que Gakiya contestou devido à confiança nesse agente.

Áudios mostraram que policiais militares da Rota mantinham contato com o informante por meio de um grupo no WhatsApp, compartilhando planilhas financeiras do PCC.

Gakiya não sabe quem são os policiais envolvidos e não tem informações sobre ações tomadas por Coutinho a respeito.

De acordo com o promotor, a última parcela dos 5 milhões não foi paga porque os policiais precisavam informar ao PCC o local onde uma testemunha protegida estava escondida.

Gakiya concluiu que policiais da Rota gravaram uma reunião com essa testemunha e venderam a gravação ao PCC.

Veja Também