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Presidente do Banco Central fala em limite para Selic

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De acordo com Campos Neto, quando um limite para os juros é ultrapassado, pode-se criar um efeito contrário ao desejado e a economia pode não crescer

No início de agosto, o BC cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 2% ao ano (Andre Coelho/Bloomberg)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda, 24, que a economia brasileira precisa, neste momento de crise, de “muito estímulo”. Ao mesmo tempo, ele repetiu uma ideia contida em mensagens recentes do BC: a de que também há uma limitação para a queda de juros no Brasil.

No início de agosto, o BC cortou a Selic (a taxa básica de juros) em 0,25 ponto porcentual, para 2% ao ano. Este é o menor valor da história. Na ocasião, o BC indicou que o espaço para novos cortes da Selic, se existir, deve ser pequeno.

Ontem, Campos Neto afirmou que em todo o mundo, em especial em países desenvolvidos, se desenvolveu o conceito sobre o mínimo que um banco central pode chegar em relação aos juros. “Em mercados emergentes, juros muito baixos nunca foram experimentados”, disse ele.

Ainda segundo Campos Neto, quando um limite para os juros é ultrapassado, pode-se criar um efeito contrário ao desejado e a economia pode não crescer. Na sequência, ele acrescentou que “estamos experimentando este mínimo”.

O presidente do BC foi o primeiro convidado da nova série do Estadão Live Talks, que vai discutir as alternativas para o Brasil reaquecer sua economia após a passagem da pandemia do novo coronavírus. O evento é organizado em parceria com a Tendências Consultoria Integrada. Na próxima segunda-feira, o ciclo de debates já tem confirmada a participação da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.

Fiscal

Em sintonia com as comunicações mais recentes do BC, Campos Neto também afirmou que não é possível caminhar com os juros baixos se a área fiscal não estiver arrumada. “Entendemos que o teto fiscal é importante e, se afrouxarmos as regras fiscais, vamos voltar aos problemas anteriores”, disse o presidente do BC.

Ele também fez críticas sobre a possibilidade de tabelamento de juros no cheque especial e no cartão crédito. Está em tramitação na Câmara um projeto, já aprovado no Senado, que trata desta limitação durante o período de pandemia.

“Quando você tabela preços, ou você cria anomalia ou o produto deixa de existir”, disse ele. Segundo o presidente do BC, existe no Brasil uma distorção de preços em alguns produtos de crédito. Ele lembrou que a autarquia promoveu um realinhamento no cheque especial, que começou a valer em janeiro.

Em relação ao cartão, ele pontuou que o produto tem um “bolo” grande de transações, mas que o financiamento propriamente dito equivale a apenas 15% do total.

“No produto parcelado sem juros, quem toma a decisão de parcelar é o lojista, mas quem toma o risco é o banco. Como o banco compensa isso? Ele cobra os juros no cartão, em outro lugar”, disse.

Campos Neto defendeu que, “para ter um juro mais baixo no cartão você tem que fazer uma reengenharia do produto”. “O cartão tem uma anomalia. Não existe parcelado sem juros em nenhum lugar do mundo”, afirmou ele.

Tesouro

Outro tema abordado durante a live foi a possibilidade de o BC transferir recursos da autarquia para o Tesouro. Campos Neto disse que não é contrário ao movimento, mas ponderou que isso deve ser feito “com cuidado, para não caracterizar um financiamento ao Tesouro”.

Como informou na semana passada o Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) vai decidir sobre o repasse, ao Tesouro Nacional, de parte das reservas do resultado cambial do BC – hoje em R$ 521,1 bilhões. O ministro da Economia, Paulo Guedes, estaria de olho em R$ 400 bilhões deste total (76,8%) para abater a dívida pública.

A sobra de R$ 121,1 bilhões ainda seria mais do que suficiente para o BC, no exercício seguinte, não precisar receber aportes do Tesouro para cobrir eventuais prejuízos no câmbio. A possibilidade de repasse ao Tesouro deve ser avaliada já no próximo encontro ordinário do CMN, marcado para quinta-feira, 27.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Economia

Banco Central anuncia mudanças no Boletim Focus; confira

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Algumas estimativas tiveram o horizonte de tempo ampliado. Outros indicadores deixarão de ser pesquisados

Mudanças valem a partir da edição de 25 de janeiro do boletim (Gregg Newton/Bloomberg)

Pesquisa semanal com cerca de 140 instituições financeiras, o Boletim Focus, produzido pelo Banco Central (BC), passará por mudanças a partir da edição de 25 de janeiro. Algumas estimativas tiveram o horizonte de tempo ampliado. Outros indicadores deixarão de ser pesquisados.

Em contrapartida, o boletim Focus deixará de coletar as projeções para os seguintes índices de inflação: IGP-DI, IPA-DI, IPA-M, INPC, IPCA-15 e IPC-Fipe. Também deixarão de ser pesquisadas as taxas médias anuais do câmbio e da Selic. Segundo o BC, esses indicadores deixaram de ser importantes para a formação de expectativas econômicas, com poucas instituições financeiras traçando estimativas para eles.

Câmbio

O novo boletim Focus também mudará a forma de divulgar a taxa de câmbio de fim de período. Em vez da taxa vigente no último dia do período analisado, a publicação passará a trazer a taxa Ptax média desse intervalo. A Ptax reflete a média do câmbio em determinado dia, em vez dos valores de abertura e de fechamento.

A taxa anual de câmbio considerará a taxa média de dezembro, no lugar da taxa do último dia útil do ano. De acordo com o BC, a volatilidade do câmbio torna difícil a previsão para determinado dia, o que torna a média das projeções para um período mais relevante.

A apresentação das estimativas para os indicadores fiscais também mudará. As séries históricas das estatísticas para os resultados primário e nominal, a Dívida Líquida do Setor Público e a Dívida Bruta do Governo Geral passarão a ser divulgadas com horizontes de dez anos à frente.

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Economia

Mercado eleva projeção de crescimento do PIB e da inflação em 2021

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Segundo o levantamento semanal, a projeção de crescimento do PIB em 2021 aumentou para 3,45%, enquanto a inflação passou a 3,43%

Boletim Focus: Mercado estima queda de mais de 5% do PIB brasileiro em 2020 (Cesar Okada/Getty Images)

O mercado elevou as projeções tanto para o crescimento econômico quanto para a inflação neste ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira.

Segundo o levantamento semanal, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2021 aumentou a 3,45%, de 3,41%, permanecendo em 2,50% para 2022.

A mudança ocorre na esteira da melhora do cenário para a produção industrial, cujo aumento neste ano passou a ser calculado em 5,0%, de 4,78% antes.

Já a perspectiva para a inflação em 2021 passou a 3,43%, de 3,34% no levantamento anterior, com a alta do IPCA em 2022 ainda calculada em 3,50%.

O centro da meta oficial para 2021 é de 3,75% e para 2022 é de 3,50%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Neste caso o aumento acompanha a expectativa de alta mais acentuada dos preços administrados este ano, de 4,20% contra a elevação de 4,02% esperada na semana passada.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros, atualmente na mínima histórica de 2,0%, deve terminar este ano a 3,25% e o próximo a 4,75%, sem alterações.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncia na quarta-feira a primeira decisão do ano sobre a Selic.

O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, elevou a perspectiva para os juros básicos este ano a 3,50% de 2,88% antes, enquanto para 2022 a perspectiva subiu a 5,0%, de 4,0%.

Na semana passada, o BC anunciou uma ampliação do horizonte das projeções macroeconômicas coletadas junto ao mercado para o seu relatório Focus, e uma mudança específica nas sistemática das expectativas colhidas para o câmbio. As novas sistemáticas entrarão em vigor para as projeções coletadas a partir da terça-feira.

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Economia

IGP-10 tem alta de 1,33% em janeiro com pressão menor no atacado e no varejo

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Em janeiro, a alta do IPA, que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, desacelerou a 1,60%, de 2,27% no mês anterior

Varejo; comércio (Andre Coelho / Correspondente/Getty Images)

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) apresentou em janeiro alta de 1,33% contra avanço de 1,97% em dezembro, uma vez que o aumento dos preços tanto no atacado quanto no varejo perderam força, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira.

O resultado, entretanto, ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,90%.

Em janeiro, a alta do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, desacelerou a 1,60%, de 2,27% no mês anterior.

No varejo a pressão também ficou menor, uma vez o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) subiu em janeiro 0,59%, de 1,27% em dezembro.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,76% no período, de alta de 1,12% em dezembro.

“Nesta apuração, os três índices componentes do IGP apresentaram recuo em suas taxas. O IPA foi influenciado por alimentos processados (3,47% para 0,66%), o IPC por passagens aéreas (36,45% para -27,93%) e o INCC por materiais e equipamentos (2,49% para 1,49%)”, explicou André Braz, coordenador dos índices de preços.

O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

 

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Economia

Vendas no varejo recuam 0,1% em novembro mesmo com Black Friday

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A expectativa era de alta de 0,40% das vendas no varejo. Setor foi uma das estrelas da retomada após quedas do começo da pandemia

Varejo (Paulo Whitaker/Reuters)

O varejo brasileiro ficou estável em novembro e interrompeu as altas seguidas dos meses anteriores. As vendas no varejo recuaram 0,1% em novembro na comparação com o mês anterior, segundo os números divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo em mês de Black Friday, a alta ficou abaixo da expectativa dos analistas em pesquisa da Reuters, que apontavam alta de 0,40% na comparação mensal.

Em relação ao ano anterior, as vendas subiram 3,4% sobre um ano antes, também abaixo dos 4,9% de consenso na pesquisa da Reuters.

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Economia

Inflação para as famílias mais pobres deve ter chegado a 6,22% em 2020, diz Ipea

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No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias de renda mais baixa teve elevação de 6,22%, o segmento de renda alta registrou taxa menor: 2,74%

Ipea: segundo o estudo, os segmentos de habitação e alimentos e bebidas foram os que mais impactaram a inflação das famílias de menor renda (Amanda Perobelli/Reuters)

 

No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias de renda mais baixa teve elevação de 6,22%, o segmento de renda alta registrou taxa menor: 2,74%.

Os dados constam do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda referente a dezembro, divulgado hoje (15), no Rio de Janeiro, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“Embora tenha se mantido em dezembro o padrão inflacionário presente nos últimos meses, caracterizado pela aceleração dos preços dos alimentos no domicílio, o reajuste da energia elétrica e a alta nos preços dos serviços livres se revelaram focos de pressão adicionais no orçamento das famílias”, informou o Ipea.

egundo o estudo, os segmentos de habitação e alimentos e bebidas foram os que mais impactaram a inflação das famílias de menor renda impulsionados pela alta de 9,3% nas tarifas de energia e pelos aumentos no preço do gás de botijão (2%), arroz (3,8%), feijão (3,3%), batata (7,3%) e carnes (5,6%).

Foco inflacionário

Já os reajustes das passagens aéreas (28,1%), dos transportes por aplicativo (13,2%) e da gasolina (1,5%) fizeram do grupo transporte o maior foco inflacionário para a classe de renda mais alta no mesmo período.

“Quando se observa a variação acumulada em 2020, se comparada com a de 2019, os dados mostram que, para as três faixas de renda mais baixa, houve uma aceleração da inflação, enquanto que, para as três classes de renda mais alta, o ano passado proporcionou um alívio inflacionário. A diferença entre essas pressões pode ser explicada pelo peso das despesas com alimentos, energia e gás: elas comprometem 37% dos orçamentos mensais nas famílias mais pobres e 15% nas mais ricas”, disse o Ipea.

Acrescentou que, no ano passado, os itens que mais pesaram na cesta de consumo dos mais pobres foram arroz (76%), feijão (45%), carnes (18%), leite (27%) e óleo de soja (104%), além das tarifas de energia (9,2%) e do gás de botijão (9,1%).

No mesmo período, a parcela com renda mais alta da sociedade sentiu uma alta moderada de serviços como mensalidades escolares (1,1%) e serviços médicos e hospitalares (14,8%), além de deflações em itens consumidos majoritariamente por esse grupo, como passagens aéreas (-17%), seguro de automóvel (-8%) e gasolina (-0,2%).

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Economia

Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentam mais do que o esperado

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Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 965 mil, contra 784 mil na semana anterior

Fila para solicitar seguro-desemprego no Arkansas, Estados Unidos: o mercado de trabalho entrou em crise com a covid-19 (Nick Oxford/Reuters)

O número de americanos que entrou com pedidos de auxílio-desemprego pela primeira vez saltou na semana passada, confirmando o enfraquecimento das condições do mercado de trabalho conforme a piora da pandemia de Covid-19 afeta as operações em restaurantes e outras empresas.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 965 mil, em dado ajustado sazonalmente para a semana encerrada em 9 de janeiro, contra 784 mil na semana anterior, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira.

Economistas consultados pela Reuters projetavam 795 mil pedidos na última semana.

O dado também foi impulsionado pela reapresentação de pedidos de auxílio após a renovação de um suplemento de 300 dólares até 14 de março como parte de alívio adicional de 900 bilhões de dólares aprovado no fim de dezembro.

Autoridades em muitos Estados proibiram jantares em locais fechados para desacelerar a disseminação do coronavírus. A economia fechou vagas de trabalho em dezembro pela primeira vez em oito meses.

O Livro Bege –do Federal Reserve e que traz informações sobre a atividade empresarial coletadas com contatos nacionais– em janeiro mostrou na quarta-feira que os “contatos nos setores de lazer e hotelaria informaram novos cortes de emprego devido a medids mais rigorosas de restrição”.

Embora os pedidos de auxílio-desemprego tenham caído ante o recorde de 6,867 milhões em março, eles permanecem acima do pico de 665 mil visto durante a Grande Recessão de 2007-09. Economistas disseram que pode levar vários anos para que o mercado de trabalho se recupere da pandemia.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

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