Victoria Damasceno
Pequim, China (FolhaPress)
A Polícia Federal fez uma ação nesta terça-feira (14) para combater o tráfico de pessoas que são levadas para trabalhar em golpes em países do Sudeste Asiático. Durante a operação, foi feita uma busca em uma casa em São José dos Campos, interior de São Paulo.
Essa ação surgiu depois que o Ministério das Relações Exteriores informou sobre a volta de brasileiros que trabalhavam perto da fronteira entre Camboja e Vietnã. Esses países, junto com Tailândia e Mianmar, são destinos comuns para vítimas que são usadas para aplicar golpes eletrônicos.
A Polícia Federal investigou um grupo que recrutava brasileiros prometendo empregos com altos salários e pagando as viagens. Quando as pessoas chegavam lá, os passaportes eram confiscados, elas tinham a liberdade limitada e podiam sofrer punições físicas.
Chamado de Operação Mekong, nome de um rio da região que passa por Camboja e Vietnã, o trabalho também incluiu a prisão de um investigado de 29 anos, que está no Camboja desde o ano passado e está na lista da Interpol.
Outro suspeito, também de 29 anos, teve que seguir regras como não poder deixar o Brasil sem autorização, entregar o passaporte, comparecer ao tribunal e não sair de São José dos Campos por mais de cinco dias sem permissão.
A Polícia Federal explicou que os investigados enfrentam acusações por tráfico internacional de pessoas, crime que pode levar até doze anos de prisão, pois envolve levar vítimas para fora do Brasil.
Essa ação vem logo após o Relatório Nacional de Tráfico de Pessoas mostrar que o Camboja é o principal destino de brasileiros vítimas desse crime. Em 2025, 44 das 84 vítimas estavam no Camboja, um aumento de 33% em relação ao ano anterior.
O relatório, feito pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, também indica que o tráfico para exploração sexual passou a ser o motivo principal das investigações da Polícia Federal, superando o trabalho forçado.
Organizações que lutam contra esse tipo de crime dizem que muitos casos não são reportados, pois só vêm à tona quando as vítimas conseguem pedir ajuda.
Por causa disso, o governo brasileiro abriu uma embaixada em Phnom Penh, capital do Camboja, em agosto de 2025. Antes, os casos eram acompanhados pela embaixada em Bangkok, Tailândia.
